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Bola na trave não altera o vestibular
15/01/2019 as 11:48 h  Autor Luis Fernando Cordeiro  Imprimir Imprimir
Exercícios físicos regulares, alimentação balanceada, treinos intensos, concentração antes do grande dia, sono adequado. Essa rotina pode facilmente lembrar a de um atleta de alta performance, porém, falo de vestibulandos. Quem se prepara para o vestibular está partindo para uma competição assim como um atleta olímpico. É necessário estar focado, motivado e se empenhar para alcançar o objetivo. Primeiro, o estudante precisa manter uma rotina de estudos durante um bom tempo, assim como um jogador pratica o esporte durante anos. A prática leva à perfeição. Não dá para deixar o preparo para a última hora. Ter consciência da necessidade do esforço é essencial para o sucesso, principalmente quando há muita concorrência em jogo. Esse esforço será dedicado aos treinos. Uma ginasta olímpica se prepara em média 14 horas por dia para ser capaz de realizar movimentos perfeitos no tablado. Nos vestibulares, o aluno tem, em média, três minutos para solucionar cada questão e, para vencer esse tempo, é preciso muito treino. Quanto mais ele se acostumar a responder as questões, mais preparado estará no dia da prova.

Os erros cometidos na preparação também são um artifício crucial para o aprendizado. O erro é pedagógico. Quando o aluno erra, ele pode perceber detalhes que não havia dado conta quando estudou a teoria. Ele se torna mais competente e menos vulnerável. Os simulados são a melhor forma para atingir a excelência. Quando se passa por um processo parecido com o que enfrentará mais para frente, entende-se onde estão os pontos fracos e no que deve-se investir mais. Assim como os times de futebol analisam seus amistosos, o vestibulando deve analisar seus simulados para ter autoconhecimento e melhorar sua performance.

Um cuidado a ser tomado é com a percepção de resultados por disciplina. Mesmo atingindo uma nota geral boa, analisar o resultado de cada disciplina individualmente ajuda a entender onde estão os pontos fracos. Negligenciar línguas estrangeiras também é um grande risco. Durante um jogo de futebol, os toques entre os jogadores são os movimentos mais comuns da partida, mas nem por isso devem ser esquecidos. Assim também são as línguas estrangeiras, mesmo que o aluno se considere fluente naquele idioma, ele deve estudar. Ora, muitos brasileiros (nativos!) não se dão bem em provas de língua portuguesa, não é?

Os lances importantes também não podem ser esquecidos. Em um treino, os craques praticam cobranças de pênaltis, escanteios e faltas. O estudante não deve fazer diferente com partes decisivas do vestibular, como as matérias específicas. Ainda mais por geralmente ter peso maior, as provas de segunda fase demandam mais atenção. A cobrança de pênaltis, em especial, pode ser comparada com a redação. Em uma grande final, o chute certeiro é o que define o campeão. Na concorrência por uma vaga, uma boa redação pode definir a aprovação. Ela é crucial em praticamente 100% das universidades e, para estar preparado, deve-se praticar a escrita e a leitura durante todo o ano, principalmente de assuntos atuais. Não adianta dominar a língua culta e não ter o que dizer.

Por fim, quando o momento da final chega, o estudante/atleta precisa entrar no modo de concentração. Ficar estudando na madrugada anterior ao dia da prova não fará grande diferença em termos de aquisição de conhecimentos. Os treinos seguem até uns dois dias antes do grande jogo, mas o dia antes do vestibular deve ser para relaxar, passear com a família e descansar. E, no dia da competição, o atleta deve estar em seu ápice e apresentar o melhor de si. Depois do jogo, é só correr para o abraço.
 



Luis Fernando Cordeiro
é mestre em educação, orientador educacional e professor de Física no Curso Positivo.

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