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Telemedicina, uma questão de hábito
21/07/2015 as 14:47 h  Autor Dr. Carlos Eduardo Cassiani Ca  Imprimir Imprimir
O desenvolvimento de tecnologias que trazem agilidade e conveniência para a população vem sendo responsável por grandes transformações sociais. São evoluções que alteram hábitos e comportamentos da sociedade e ditam, por consequência, os rumos de diversos mercados de consumo. Foi assim com o varejo e com o sistema financeiro, por exemplo, que evoluíram seus modelos de negócios agregando serviços pela internet, o e-commerce e internet banking.

Evidentemente que, há menos de 20 anos, quando as primeiras lojas virtuais começaram a se popularizar e os primeiros bancos começaram a ofertar serviços on-line no Brasil, os receios eram muitos, desde a confiança na prestação dos serviços até a resistência natural para as gerações menos habituadas às comunicações digitais. Mas já imaginou se estes setores ficassem parados ou se rendessem às avalanches pessimistas de críticos e leigos? Se isso ocorresse, o Brasil – que, segundo estudo da T-Index, crescerá 43,3% no e-commerce mundial este ano, conquistando a quarta colocação no ranking de maior mercado do setor no mundo – não alcançaria tal destaque que, certamente, movimenta a economia e gera emprego e renda, coisa rara atualmente, aliás.

Este movimento de inquietação vivido lá atrás pelas empresas dos segmentos mencionados também precisa ocorrer com outros setores, como o de saúde, que tem no avanço tecnológico e conveniência da internet a possibilidade de democratizar o acesso a serviços de saúde atualmente restritos a grandes centros urbanos. Ou, ainda, otimizar recursos financeiros que poderiam ser economizados também nos grandes centros com a adoção de serviços e orientações à saúde pela telemedicina. É preciso lutar para que este assunto seja amplamente discutido, dando a oportunidade para que a população receba informações mais claras e desmistifique o atendimento à saúde realizado a distância.
 
No Brasil, com regulamentação ainda restrita pelo Conselho Federal de Medicina, a Telemedicina pode ser aplicada em iniciativas como a capacitação profissional complementar, em estudos e pesquisas e na emissão de laudos a distância. Este último com grande representação na saúde financeira de clínicas médicas e de saúde ocupacional, por exemplo, que podem reduzir em até 30% o seu custo operacional graças à praticidade e agilidade que a terceirização deste serviço consegue obter com os laudos remotos.

Recentemente estive num evento internacional de Telemedicina, a 20ª Feira Internacional de Telemedicina, promovida pela Associação Internacional de Telemedicina, ocorrida em maio deste ano em Los Angeles, Califórnia (EUA), e pude comprovar que, em comparação a outros mercados, o Brasil ainda tem muito que avançar neste segmento. Mas entre tantas iniciativas inovadoras, modernas e incontestavelmente importantes para o avanço da medicina, que pude presenciar na exposição, é nos serviços básicos de atendimento à saúde da população que a telemedicina poderia ajudar de imediato as lacunas do sistema brasileiro.
 
A premissa do setor é ampliar a assistência e também a cobertura dos cuidados à saúde. Se avaliarmos este princípio no contexto da extensão territorial do Brasil, temos um grande desafio. Porém, também temos uma grande oportunidade, pois a aplicação da telemedicina passa a ser uma forma muito mais viável para que a população possa ter um profissional de saúde constantemente ao seu lado.

É preciso que o empenho em debater o assunto e ampliar os horizontes da telemedicina no Brasil seja assumido por todas as frentes envolvidas e interessadas neste avanço: as empresas que prestam serviços de telemedicina e que devem comprovar a confiabilidade da metodologia; as operadoras, seguradoras e cooperativas de saúde, com vistas a ofertar cuidado humanizado com menor custo operacional; os Conselhos de medicina para garantir o interesse público; toda classe médica para vencer paradigmas e a sociedade civil, maior interessada em evoluções sociais significativas. Pagar contas pelas internet é hoje uma questão de hábito. Obter orientação médica confiável online também pode ser.



Dr. Carlos Eduardo Cassiani Camargo
é especialista em cardiologia e presidente da Brasil Telemedicina, empresa especializada em interação médica online. Possui mais de 30 anos de atuação clínica e acadêmica.

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