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A INVEJA NO COTIDIANO
06/04/2015 as 14:26 h  Autor Angélica Fernanda Neves  Imprimir Imprimir
Não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo.” (Êxodo 20: 1 a 17). Integrante da lista dos dez mandamentos de Cristo e dos sete pecados capitais da Igreja Católica, a inveja é algo que desperta interesse de estudiosos das mais variadas áreas do conhecimento, uma vez que 73% dos brasileiros já admitiram ter sentido inveja, de acordo com o Ibope (2009).

A inveja é um sentimento mesquinho desencadeado pela desigualdade e surge do apego às coisas materiais, do desejo frustrado de obter as posses, atributos, qualidades, status e habilidades que o outro possui, decorrente da incapacidade do invejoso de alcançá-las, seja pela incompetência física ou intelectual, seja por se considerar mais digno do que aquele que possui o que este não tem, gerando um sentimento enorme de egocentrismo que renega as virtudes alheias, acentuando somente os defeitos. É um mecanismo de defesa inábil do mais fraco contra o mais forte, a fim de recuperar a confiança e a autoestima, desvalorizando o outro. Ela está presente em todos os ambientes, quer nas organizações, quer na comunidade ou na família, prejudicando as relações interpessoais e cultivando a discórdia por onde passa.

Nas organizações, a inveja é um sentimento destrutivo que obscurece por completo a vida do invejoso, impedindo-o de desenvolver o seu potencial e desfigurando a sua vida em face da insuportável felicidade alheia, pois, como disse Diderot, o talento dos outros é imperdoável para o invejoso. Nesse contexto, torna-se relevante saber gerenciar a inveja como forma de lidar com os seus efeitos devastadores no desempenho do indivíduo e da organização. Nesta, a produtividade e o clima são prejudicados, uma vez que as organizações constituem-se num espaço de vivências e convivências, em cujo cotidiano muitos dos defeitos e virtudes da sociedade estão presentes e expostos uns aos outros. Além disso, nas organizações, a inveja torna-se mais nociva porque o seu dano é difícil de ser mensurado.

A inveja entre gerações é outra forma existente no ambiente corporativo: os executivos mais velhos sentem certo amargor perante o êxito de jovens executivos em questões que eles próprios malograram, levando estes a preparar armadilhas que arruinarão a carreira daqueles.

Na comunidade e na família, em decorrência da proximidade entre as pessoas, a inveja é mais sentida, pois há mais constância e regularidade, propiciando sua proliferação. Para o invejoso, o simples fato de alguém se destacar, ser admirado e querido por todos torna-se motivo para que seja alvo de implicância e maledicência.

Quanto mais desenvolvida a sociedade, mais a inveja tem facilidade para se cristalizar porque são muitos os apelos. E quanto mais pobre a sociedade, mais ela gera inveja porque, para crescer, precisa-se de inovação – e o inovador, por sua maior visibilidade, é punido nessa sociedade.
 
Por outro lado, há a inveja criativa: para alguns indivíduos, as conquistas dos outros lhes despertam o desejo de progredir, pois se espelham neles como exemplos e modelos a seguir. Assim, não desejam o mal às pessoas invejadas; apenas estabelecem para si metas possíveis, sabendo de antemão que outros já as atingiram. Os bens alheios que desejam possuir são o conhecimento, o crescimento ou a evolução e se dedicam intensamente à criatividade e ao trabalho para consegui-los. Nesta perspectiva, a inveja torna-se fator de motivação na dinâmica capitalista. Importante salientar que essa admiração desmedida também pode ser concebida como uma tentativa de disfarçar sentimentos de inveja.

A inveja integra a existência humana condicionando os comportamentos. O desafio consiste, portanto, em guardá-la dentro dos limites aceitáveis e ir além das preocupações puramente egoístas. Caso contrário, ela pode tornar-se patológica e perigosa, levando o invejoso a querer destruir aquele que ele inveja e, ainda, autodestruir-se, estagnando a sua própria vida.

O invejoso precisa reconhecer a insignificância de sua vida improdutiva. É imperativa tal autocrítica para que ele lute para conquistar o seu objeto de desejo, conscientizando-se de que só há satisfação quando a conquista é própria e por mérito, e não de outros. Ademais, não deve considerar os demais como parâmetros para sua vida e, também, reconhecer que, se continuar tendo inveja do outro, correrá o risco de morrer do próprio veneno, uma vez que a inveja é mais prejudicial ao invejoso do que ao invejado.

Angélica Fernanda Neves Sgobi: Acadêmica do Curso de Administração da UFMS – Campus de Três Lagoas. E-mail: fernandasgobi@hotmail.com

Neide Yokoyama: Docente do Curso de Administração UFMS – Campus de Três Lagoas. E-mail: yoko@cptl.ufms.br

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