Novoeste on-line - Onde o Oeste da Bahia é Notícia
> Principal > Artigos > Pauta Livre > O Brasil e a lógica elitista de que tem que mudar por mudar
 
O Brasil e a lógica elitista de que tem que mudar por mudar
14/10/2014 as 16:43 h  Autor Fábio Lau  Imprimir Imprimir

Se faltam argumentos consistentes baseados em números, então o que resta é a retórica: a alternância do poder é boa para a Democracia. E, baseado nisso, uma corrente insana de representantes da classe média, que jamais aceitaram o petismo - ou o aceitaram enquanto era uma improvável materialização de governo - pressiona de norte a sul pela eleição de Aécio. Vai vendo!

Enumerar conquistas sociais para esta gente é perda de tempo. Não estão interessados se a classe média foi ampliada com a ascensão de pobres ao mercado de consumo e à classe C. Redução da mortalidade infantil? É tema que não atingia as regiões abastadas e, portanto, não fez diferença real. Bolsa Família? Por que não pintar seu beneficiário como alguém que dorme em berço esplêndido, com sua amada, fazendo mais um filho para receber ajuda do governo ali na frente?

O último tapa de pelica que esta gente recebeu foi ver a concorrência de estrangeiros em um mercado de trabalho tacanho. Nossos médicos, tão cheios de si, oriundos da classe média e empoleirados nos planos de saúde e nas unidades municipais e estaduais, tripudiaram séculos sobre os pobres e jamais conseguiram interromper a cultura popular dos chás e da "garrafada". Os remédios caseiros, a automedicação, a medicina alternativa permanecem presentes no Brasil e enraizados na sua cultura não por obra e graça da fé, mas por real necessidade de sobrevivência. Chás de quebra-pedra, boldo e outros mais ajudam a esvaziar as clínicas populares. Ou elas ampliariam ainda mais o caos.


Com a chegada dos cubanos em troca de alguns tostões - R$ 10 mil, vistos pelo olhos dos "doutores" de cá é salário escravo - o petismo definitivamente caiu em desgraça. Era só o que faltava: importar médico para os pobres que, em outros tempos, nos tempos do tucanato, eram mantidos à margem das políticas sociais.

Vale lembrar que noutros tempos, o dinheiro que hoje vai para Bolsa Família e Mais Médicos irrigavam os cofres de empreiteiras que recapeavam estradas Brasil afora. Ou indenizavam donos de propriedades rurais, improdutivas, com dinheiro suficiente para construir escolas e hospitais. E a isso davam o nome de "reforma agrária".


Portanto, com a entrada de Marina em cena e sua posterior substituição por Aécio Neves na conjuntura dos que buscam o poder, a classe média assanhou-se de vez. Os ricos, então, nem se fala! A mídia regozija-se e faz as contas sobre a publicidade oficial que vai se converter em mais e mais recursos para seus cofres. O toma-lá-dá-cá prepara suas garras.

O PT errou por não criar um projeto que fizesse a população entender o quanto tem sido importante sua permanência no poder. Instituído o Mais Médicos, o governo não estabeleceu prazos para formar nossos próprios doutores ou mesmo, em outra área sensível, quebrar o tabu da reforma agrária e distribuir terras para nossos trabalhadores rurais. Em áreas com infraestrutura urbana e social.


A mídia, concentrada, permaneceu intocada nos governos Lula e Dilma. Reforma política não saiu do papel, assim como as administrativa ou tributária. O PT dá combustível para a histeria da classe média das metrópoles que defendem a importância da alternância de poder em detrimento de conquistas sociais.

E por que agiu assim? Apostou no carisma de dirigentes e na conquista em definitivo das classes mais pobres. Mas esqueceu que tão logo ascenda socialmente, o pobre quer mais e mais. A busca legítima pelo crescimento patrimonial é próprio do ser humano. E os dirigentes petistas, que experimentaram na pele a própria evolução, deveriam ter se espelhado em si para melhor cuidar do brasileiro. Mas ainda não é tarde.

Fábio Lau
Jornalista e editor de Conexão Jornalismo
Fonte: http://www.conexaojornalismo.com.br/

Comente via Facebook
Mais Artigos
No h comentrios.
img
img
RSS  Artigos Artigos

O escritor foi e ainda é, para as crianças que estão começando a descortinar o infinito horizonte da palavra, algo inatingível, meio mágico, talvez mítico.Isso, dito por elas mesmas. A criança é naturalmente curiosa, sedenta de conhecimento e experiência, e ficar cara a cara com...
Na civilização humana, em todos os tempos as gesticulações passaram a simbolizar determinados comportamentos e construir significados diversos para cada sociedade e para cada povo. Gestos humanos servem tanto para simbolizar comportamentos positivos, bem como...
https://www.novoeste.com/uploads/image/artigos_gaudencio-torquato_jornalista-professor-usp-consultor-politico.jpgHoje, tomo a liberdade de fazer uma reflexão sobre a vida. Valho-me, inicialmente, de Sêneca com seu puxão de orelhas: “somos gerados para uma curta existência.  A vida é breve e a arte é longa. Está errado. Não dispomos de pouco tempo, mas desperdiçamos muito. A vida é longa...
A presidenta do Instituto Justiça Fiscal aponta o falso dilema para a escolha eleitoral de 2022 e indica as fontes de custeio para vencer o quadro desolador de fragilidade da maioria do povo brasileiro. A próxima eleição, se ocorrer, certamente exigirá muito de nós. Mas não será uma escolha difícil. Para começar, terceira via não existe! Ou melhor: existe, em Bolsonaro. Este, que pode parecer insano, sádico, intratável, joga o jogo e...
A Constituição Cidadã erigiu a dignidade da pessoa humana como seu fundamento, ao lado da soberania, cidadania, valores sociais do trabalho e da livre iniciativa e o pluralismo político. Trata-se, portanto, de um dos pilares que legitimam o Estado Social e Democrático que fundou....
img
img
img
PUBLICAÇÕES RECENTES
img




img



img
img
img
CASAS img LOTES img FAZENDAS
img
CHÁCARAS img PRÉDIOS COMERCIAIS img GALPÕES
img
RSS  Dicas de Leitura Dicas de leitura
img
Ambientado em uma comunidade japonesa de São Paulo, lançamento ficcional da escritora Juliana Marinho promove o poder da música como intervenção para cura de doenças. A musicoterapia, união da arte e saúde em busca da reabilitação ou promoção do bem-estar, é a responsável...
Por meio da personagem Malu, as escritoras e letrólogas paulistas Nanda Mateus e Raphaela Comisso dialogam com as crianças sobre diversidade familiar e desmistificam a homoparentalidade. Nanda Mateus trabalha com educação e inovação em tecnologias para...
Existem músicas para os momentos felizes, tristes e até aquelas que marcam datas especiais, mas para Melody King é diferente: as canções são uma consequência — infelizmente incontrolável — de uma rara doença. As dificuldades em lidar com as embaraçosas situações,...
img
img
RSS  Top Vdeos Top Vídeos
img
Thumbnail
img
img
img
RSS  Classificados Classificados
img
img
img



RSS GOOGLE + YOUTUBE TWITTER FACEBOOK