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Afinal, que tipo de Juiz queremos?
02/01/2014 as 12:56 h  Autor Jefferson Luiz Gaya de G&o  Imprimir Imprimir
Desde pequeno, após aquele período em que as profissões mais emocionantes para uma criança (como bombeiro e jogador de futebol) deixaram de me fascinar, sempre quis ser juiz.

Sequer tinha ideia do que realmente fazia um juiz. Quanto tempo trabalhava, quanto abdicava da convivência com sua família, quantos dilemas experimentava a cada decisão que precisava tomar, tudo isso sequer passava perto da minha cabeça de menino de cerca de dez anos de idade.

Uma coisa, porém, eu já sabia, da observação das coisas ao meu redor: Juiz era respeitado.

Na minha cidade natal, as pessoas apontavam com orgulho e admiração quando cruzavam com um Magistrado. Sua simples presença impunha respeito.

Atualmente, tenho certeza que aquele desejo de infância era o que queria para a minha vida. O trabalho me realiza,me completa, me dá orgulho verdadeiro.

Entretanto, tenho notado uma deterioração na relação da sociedade com o Magistrado.

Desrespeito, atos de hostilidade, agressões e atentados contra a vida de Juízes são cada vez mais comuns. Aliado a estes fatos, por si só preocupantes, campanhas persecutórias, baseadas em atitudes escusas de uma minoria, acabam por diminuir a relevância social da Magistratura.

Como decorrência, diversas propostas de limitação, redução ou até mesmo exclusão de garantias dos Juízes surgem como tábua de salvação do país, como se o Poder Judiciário fosse o seu único problema.

O exercício da Magistratura é exigente, solitário, e, por envolver a decisão de valores tão caros ao ser humano, como a liberdade, acaba por colocar o Juiz na linha de frente, pois em regra, uma das partes da relação processual não se conforma com a decisão.

E, quando não se respeita o Poder Judiciário, acaba-se por concluir que as pessoas têm o direito de impor sua vontade, ou ao menos buscar sua vingança pessoal, atingindo a pessoa do Juiz.

Esquece-se, portanto, que as garantias atribuídas aos Magistrados são, em última análise, garantias da própria sociedade. Garantia de que poderes externos não exercerão qualquer tipo de influência ou pressão na decisão a ser tomada, a qual deve ser objeto puro e simples da consciência do julgador.

A quem interessa um Juiz sem garantias, acossado, com medo de exercer sua função? A quem interessa a possibilidade de pressionar o Magistrado para que tome esta ou aquela decisão?

Está na hora da sociedade se fazer estas perguntas.

Por Jefferson Luiz Gaya de Góes
Juiz do Trabalho da 4ª Região

OBS: As opiniões expressas nos artigos publicados neste espaço pertencem exclusivamente aos autores dos textos, não representando o posicionamento do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região em relação ao conteúdo abordado.

Publicado por Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região
http://trt-4.jusbrasil.com.br/

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