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NÃO CONCORDO SILAS MALAFAIA
08/02/2013 as 19:46 h  Autor Dhiogo José Caetano  Imprimir Imprimir
Não quero confrontar o pastor Silas Malafaia, admiro o seu trabalho, mas não posso concordar com algumas afirmações feitas por ele no programa “De Frente Com Gabi”, que foi ao ar no dia 03 de janeiro de 2013 causando polêmica no Brasil e no mundo.

Aqui não está em questão se um “padrão sexual” é normal ou não. O que não pode ser aceito é a violência que cresce a cada dia. Todas as pessoas têm o direito de ser feliz e viver plenamente a sua existência, pois, acima de tudo, todos nós somos seres humanos.

No discurso de Malafaia, ele deixa transparecer que as pessoas escolhem a sua opção sexual, mas pensem comigo: será que uma pessoa optaria por enfrentar a sociedade, a família e o mundo para viver as aventuras de um homossexual?  Os mesmos são espancados, humilhados, violados, mutilados por defender a sua sexualidade.

Em minha concepção creio que ninguém escolheria viver esta realidade, as pessoas nascem com a inclinação sexual voltada para pessoas do mesmo sexo, a sociedade pode até dizer que é errado, mas o desejo de viver a sua “natureza” é maior, sobrepondo o preconceito.

O ser humano deve ser respeito em quando indivíduo no espaço social não importa a sua condição sexual, religiosa ou economia, pois os mesmos igualmente pagam seus impostos. Os deveres são iguais, então os direitos também devem ser.

Caro Malafaia, Deputado Bolsonaro e tantos outros defensores de ideologias polêmicas, precisamos unir a humanidade ensinar a arte de amar que Jesus sabiamente nos deixou ao longo da sua caminhada, eliminando o etnocentrismo como disciplina de discussão da realidade vida, buscando solução para os problemas e conflitos coletivos que a sociedade vem enfrentando ao longo dos séculos.

A sociedade precisa compor-se de seres humanos, não de grupos exilados.

Mas, quem são eles? Onde estão eles? “Homens como qualquer um”.

E acima de tudo seres humanos. Eu não tenho nada contra. Mas a maioria tem! No entanto, eles são seres humanos. Amam e vivem a quebrar as regras e padrões sociais. Só querem ser feliz. Ser amado. Querem respeito e direitos iguais. Sair, falar, sentir e viver plenamente feliz. Gostam de muitas cores. Vivem na magia de coabitar corpos diferentes de sua alma. Já sabem quem são eles? Eles desejam viver e ser feliz. Falar, sentir as vibrações de uma vida plena e romper com normas e padrões; isto se elas existirem. São eles homens com “qualquer um”. Onde estão eles? Eles estão em todas as partes. Eles são seres humanos. Só desejam ser feliz e viver plenamente a sua existência, pois acima de tudo eles são seres humanos.

Quando Malafaia afirma a Maria Gabriela que a maioria dos homossexuais foram violentados; não concordo pois sou umas das pessoas que sofreram tal trama e digo que jamais conseguiria fazer este mal a nenhuma pessoa.

Não entendia o comportamento daqueles monstros que conviviam à minha volta. Eu era simplesmente uma criança, mas, mesmo assim, aqueles seres me atormentavam.

Fui perseguido, obrigado a fazer coisas que nem mesmo eu sabia o que era. Mas, dentro de mim, sentia que era algo errado e que não deveria ser feito. Mas aqueles monstros me obrigavam, me ameaçavam. E eu era obrigado a fazê-lo.

Eu me sentia culpado. Tinha medo e vergonha, também. Mas me sentia obrigado. Dentro de mim um desalinho, pois sabia que algo errado estava acontecendo, mas, ao mesmo tempo, tinha medo de contar e omitia pra mim mesmo aquela cena terrível.

Não fui violentado graça a Deus, mas foram inúmeras as vezes que me deparei com pessoas ditas honestas e humanas, que olharam pra mim, uma simples criança e diziam, olhando para o seu membro genital: “eu deixo você pegar”.

No decorrer da vida, encarei essa cruel realidade e sobrevivi e, hoje, busco defender pessoas que, como eu, foram traumatizadas por monstros que não respeitam ninguém.

A cada momento nada se pensa, sobre o que aconteceu, o nosso corpo pode ser pertença de quem abusos tece. Mas tudo silencia e nada nos descansa quando surge um novo dia e alguém se apropria da doçura da alma de uma criança. Seja humano e se coloque no lugar das mesmas, assim você verá, ou melhor, sentirá na pelo o medo, o desalinho da alma.

A sociedade deve se libertar das amarras do preconceito e viver a “plena liberdade de expressão” pregada nos documentários, comerciais, novelas e jornais. Em pleno século XXI ainda vivenciamos em grande proporção a falta de respeito entre seres que compõe a sociedade humana.

A sexualidade envolve muito mais do que sexo. De forma complexa, pode-se afirmar que sexualidade é amor, carinho, vida, inteligência, natureza. Transsexualidade, heterossexualidade, homossexualidade, bissexualidade, assexualidade não importa o termo, não podemos esquecer que estamos falando de seres humanos que vivem além do sexo e da realização carnal.

Em suma, convido a humanidade a praticar a arte de amar, difundindo a esperança, a vida, a união, a verdade. Como sabiamente disse Jesus: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos. Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando." - João 15, 12-14 . Simplesmente "Ame o próximo como a ti mesmo."- Marcos 12, 31

Dhiogo José Caetano. professor, escritor e jornalista
Comendador da Academia de Letras de Goiás. Senador da FEBACLA Federação Brasileira dos Acadêmicos das Ciências, Letras e Artes
Membro das Academias:  ALB (Brasil/Suíça), ACLAC (RJ),  ACLA (MG), CACL (ES), ARTPOP(RJ) e OsConfradesdaPoesia (Portugal)

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