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CIVILIZAÇÕESMAC-COLA
06/02/2012 as 20:44 h  Autor bruno peron  Imprimir Imprimir
A crise que enfrentamos hoje não é financeira, mas civilizatória. É reducionistaa afirmação de que a economia é culpada de tudo, como se ela fosse mais um atributoda natureza que regula as relações humanas. Das expressões de "comida-lixo" aopapel decepcionante das empresas por trás dos processos de transnacionalização,o déficit é das civilizações atuais.

Nãosó os hábitos alimentares se degradam na indigestão das marcas, mas os supostosagentes da educação ou do "processo civilizador" não sabem o que fazer comtanto poder. Perdem-se na banalidade de programas fúteis e antieducativos,quando é rádio ou televisão, ou na tentativa de controlar o conhecimento, comoos fiscais de direitos autorais da internet.

Poucoimporta se a referência é a um país menos ou mais civilizado, cuja categoria étão relativa quanto o gosto e o sabor, ou se já foi colônia ou metrópole, ou seé pobre ou rico, ou se é passivo ou ativo diante do que os banqueiros fazem como suor dos contribuintes através de suas taxas bancárias. Dizem que a culpa ésempre dos flagelados, endividados, migrantes.

Ahumanidade alcançou uma crise civilizatória sem precedentes.

Quandose apostava que Estados Unidos ou Europa resgataria os demais países e regiõesda "barbárie" ou do "exotismo" ou do "atraso", eles mesmos se confirmam comoartífices da desgraça, corsários de suas ex-colônias, espoliadores das finançasmundiais, semeadores de multiculturalismos segregacionistas, para os quais amestiçagem é mito do "terceiro-mundo".

Nossaspretensas referências estão parados e olhando para trás.

OEstado perdeu influência em relação aos demais atores sociais no circuitoglobal, mas não renunciou sua importância. Até mesmo Obama, chefe de Estado damais mercadológica das nações atuais, reitera que a salvação virá das políticaspúblicas, que regularão os excessos neoliberais. Há que considerar que aspolíticas de empresas transnacionais possuem, amiúde, impacto maior que as quese elaboram no âmbito de governos. A questão que irrompe é: o que fazem comeste poder?

Políticasde países economicamente avançados frequentemente são mais imperativas que asde organismos internacionais em regiões "periféricas". Em contrapartida àOrganização dos Estados Americanos, a criação da Comunidade de EstadosLatino-americanos e Caribenhos abala esta relação de poder.

Noutrostermos, governos nacionais e organizações internacionais perpetuam o debatesobre o desenvolvimento em função de cifras econômicas e favores políticos, emvez de levar em consideração que a noção de desenvolvimento tornou-se tãoabrangente a ponto de que os aspectos culturais e societais são irrenunciáveis.A esfera da criatividade é, portanto, uma das arestas do desenvolvimento. Oreconhecimento é que veio depois.

Oproblema maior de boa parte das civilizações atuais é o que se transmite emtermos educativos de uma geração para outra. Os núcleos de ensino (casa,escola, vizinhança, etc) são cada vez mais pressionados por lógicas exógenasque fazem crer que os jovens têm todo o mundo ao seu alcance através dos meiosde comunicação e outras "janelas" que se abrem para uns e se fecham paraoutros.

Osaparatos de "convergência digital" tornam-se tão importantes para eles a pontode substituir as afetividades que costumam dar sentido e vincular ascivilizações. Estas se resumem, deste modo, no princípio "Mac-Cola", cuja tramase estabelece no plano superficial do consumismo em detrimento da estruturavinculante inerente ao "processo civilizatório".

Éhora de rever projetos de civilização engavetados ou "entumbados" ou"arqueologizados". A América Latina possui um número de próceres poucorecordados, concepções minoritárias e autóctones (o que inclui cosmovisõesameríndias), e as contribuições do sincretismo e da mestiçagem, para seguir opresságio de "raça cósmica" do mexicano José Vasconcelos.

Atarefa poderá ser um resgate daquilo que não se desenvolveu ou uma aberturapara um projeto novo e exclusivo. Nalgum destes horizontes, ideais outros que oconsumismo e o culto ao exógeno deverão nortear a humanidade em suas expressõescivilizatórias.

Bruno PeronLoureiro
http://www.brunoperon.com.br

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