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O VAZIO

05 de novembro de 2026 às 17:44

pauta livre/pauta literária

Celso Lacerda © Celso Lacerda/Arquivo pessoal
A gente é assim mesmo, cheio de sonhos, na busca de dias melhores, de conhecer pessoas que acrescentem algo positivo, de parcerias, trocas de amabilidade e respeito às diferenças.
 
Pois esse espaço chamado mundo deve ser sentido em energias que clareiam nossos dias através do sol e que, aos poucos, anoitecem, dando lugar à lua, que também clareia com sua luz e, rodeada de estrelas, sinaliza a beleza do escurecer.
 
Se observarmos a vida com carinho, disponibilizando um olhar sereno de paz, veremos o brilho refletindo dentro de nós, com a certeza de que podemos iluminar a todos.
 
A gente vive aniversariando a cada intervalo e vai se acostumando a somar os passos da nossa caminhada. Aos poucos, vai sentindo as modificações que, aceleradas, nos presenteiam com o esbranquiçar dos cabelos.
 
Quando percebemos, a idade vai deslizando, acariciando e arranhando o corpo!
 
A alma parece que se veste para um baile e fica contemplando a nossa aura, fortalecendo-se com a vontade de viver.
 
As rugas parecem que tomaram conta do suor que um dia escorria pela face e evaporava na altura do peito.
 
Elas mostram os caminhos de uma vida que, com sofrimento ou não, marcaram a tatuagem do envelhecer com sabedoria.
 
O tempo passa, e a gente, dentro dessa locomotiva que se esbarra em paredões, dá ré e entra em curvas perigosas, descidas e subidas, vai sendo embalada.
 
E a gente segue firme, com os braços segurando fortemente a estrutura dessa locomotiva que não para de balançar e trepidar.
 
E nós, na busca de um novo jeito de viver, ainda sonhamos.
 
E, graças a Deus, continuamos acreditando que ainda há um vazio querendo ser preenchido dentro de nós.
 
O viver é fantástico!
 
Por Celso Lacerda, membro da ABL/Barreiras (BA)
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