Os desafios do campo podem mudar de uma safra para outra e, nesse sentido, um dos principais pontos de atenção é o manejo de pragas. Na manhã do último sábado (17), a Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), por meio do Instituto Aiba (IAiba), abriu as portas da Fazenda Modelo Paulo Mizote para receber o ‘I Encontro Entomológico: Entomologia na agricultura – Desafios, Estratégias e Inovação’. O evento promoveu a troca de conhecimentos, apresentou pesquisas e avanços científicos, e destacou as principais espécies que causam danos econômicos no Cerrado baiano.

© Assimp Aiba/Divulgação
Mais de 110 participantes entre produtores, agrônomos, estudantes, pesquisadores e parceiros do setor agrícola, se atualizaram sobre o manejo de pragas na agricultura. O coordenador de campo do Instituto Aiba, João Vittor Saraiva celebrou o sucesso e a qualidade técnica do encontro.
“Encerramos as inscrições antes do esperado. Temos na Fazenda Modelo um laboratório de entomologia onde fomentamos pesquisa, conhecimento, inovação e formação de mão de obra. Esses são temas delicados, ainda mais com a nova safra de soja começando e os monitores de pragas em campo. Por isso, trouxemos palestrantes com muita experiência, que transmitiram as atualizações mais recentes sobre o manejo e o combate às pragas”, afirmou Saraiva.
Conhecimento teórico e prático
A programação contou com palestras e rodadas práticas em laboratório sobre as principais pragas da soja (lagartas Spodoptera e Helicoverpa), do algodão (bicudo-do-algodoeiro e mosca-branca) e do milho (cigarrinha-do-milho e lagarta-da-espiga).

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O evento recebeu palestras do Dr. Marco Antonio Tamai, professor e pesquisador da Universidade do Estado da Bahia (Uneb) e especialista em Entomologia Agrícola; de Djison Silvestre, doutor em Proteção de Plantas e coordenador de Pesquisa e Desenvolvimento da JCO Bioprodutos; e de Douglas Gonçalves Guimarães, mestre e doutor em Agronomia, com ênfase em Fitotecnia.
“Mosca-branca e o complexo de lagartas Spodoptera são duas pragas-chave no sistema de produção. Principalmente a mosca-branca tem dado muito prejuízo na região nos últimos dois ou três anos, tanto na cultura da soja quanto, principalmente, na do algodão. No complexo de lagartas, destacou-se a Spodoptera frugiperda, que ataca praticamente todo o nosso sistema produtivo. Mesmo que o produtor já conheça o problema, ele precisa estar sempre atento aos pontos de monitoramento”, explicou Tamai.
O conteúdo técnico apresentado deixou claro que a falta de controle dessas e de outras pragas pode ocasionar sérios prejuízos, uma vez que tais insetos possuem grande capacidade de transição e adaptação entre as culturas.
Já Djison Silvestre falou sobre ‘Percevejos da soja: conhecer, monitorar e manejar’, e destacou o papel dos biológicos para o sucesso do manejo integrado de pragas. “O insumo biológico hoje não serve apenas para o manejo de uma praga, inseto ou ácaro, mas é também um mecanismo muito importante para dar vida longa aos inseticidas químicos, pois atua com um modo de ação diferente. Por isso, é fundamental adotar o manejo integrado, que consiste em combinar vários métodos para o controle de pragas”, destacou Silvestre.
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Outro tema abordado foi ‘Pragas de importância econômica no algodoeiro: bicudo e helicoverpa’, apresentado pelo Doutor Douglas Gonçalves Guimarães. “Uma das coisas mais importantes é conhecer a praga morfologicamente para não confundi-la. Por exemplo, a lagarta Helicoverpa se parece muito com outras espécies da região, e pequenos detalhes físicos fazem toda a diferença na identificação. Já o bicudo é um inseto mais fácil de distinguir, porém é de extrema importância conhecer o seu ciclo biológico, incluindo as fases ninfal e adulta. São pragas que causam prejuízos na casa dos milhões; por isso, é preciso estar sempre um passo à frente para melhorar o controle”, enfatizou Guimarães.
Após o conteúdo teórico, os participantes puderam observar espécies e tirar dúvidas nas rodadas técnicas, organizadas em três circuitos distribuídos entre o laboratório de entomologia e duas salas da Fazenda Modelo.
Para a estudante de agronomia e jovem aprendiz Anny Marcella, o evento foi uma oportunidade de enriquecer o aprendizado acadêmico. “É um evento que vai agregar muito à minha carreira. Estou no sexto semestre de agronomia, então essa vivência ajuda a nortear a área que queremos seguir e nos prepara para propor soluções no campo”, concluiu a estudante.
Dando continuidade aos eventos técnicos, a Aiba realizará em Luís Eduardo Magalhães, no dia 30 de outubro o Curso de Manejo de Pragas e Doenças para Monitores Agrícolas, exclusivo para associados e nos dias 27 e 28 de novembro, aberto para todos os públicos, o II Fórum de Irrigação da Bahia (FIBA).
dias 27 e 28 de novembro, aberto para todos os públicos, o II Fórum de Irrigação da Bahia
https://aiba.org.br/ii-fiba-abre-inscricoes-para-debater-eficiencia-e-gestao-hidrica-no-agronegocio/
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