 Celso Lacerda © Celso Lacerda/Arquivo pessoal |
A gente, primeiro de tudo na vida, tem que se amar perdidamente e não permitir que roubem a nossa paz. A paz interior nos oferece a serenidade que acalma a mente, o corpo, a alma e o espírito.
Podemos observar tudo o que acontece ao nosso entorno, mas não devemos permitir, de maneira alguma, que aquilo que vemos invada ou fira a nossa alma.
É preciso ter sensibilidade e coragem para observar e saber lidar com os acontecimentos, por mais tenebrosos que sejam. Precisamos enxergar a realidade sem mentiras e sem ilusões. Quem sabe, até mesmo, sermos espectadores de um filme que, mesmo sem nos interessar, precisamos ter a coragem de assistir até o desfecho.
Mesmo que o show não tenha terminado, saia de cena. Não seja protagonista das suas angústias.
O palco continuará firme, à espera de outros pés que irão bailar em novos shows. A cortina empoeirada, listrada verticalmente, se fechará no momento em que os sussurros desaparecerem por um funil que se estreita.
A plateia ficará até o final de cada espetáculo, levando consigo risos ou lágrimas, momentos de felicidade ou não. Mas, ao sair do recinto, levará também outros pensamentos.
A vida é um espetáculo, e as pessoas que dele fazem parte ganham força naquilo em que acreditam. Muitas vezes, precisam sentir o sofrimento que machuca a alma e, com coragem, transformar essa dor em momentos de amor, porque também merecem ser felizes.
Nem sempre devemos dar vazão àquilo que já não nos acrescenta.
Se o desprezo, visível ou silencioso, tocar a alma, ele deve sinalizar imediatamente ao coração que não somos prioridade para determinada pessoa. Então, chega o momento de dar lugar à despedida.
Sem lágrima salgada.
Sem sorriso doce.
Apenas caminhar.
Caminhar com o olhar voltado para o horizonte, que ora clareia, ora escurece. Um horizonte que nos conduz a um mar que nos recebe com centelhas reluzentes e amorosas, guiando e iluminando outro caminho.
Um caminho de relva molhada e verdejante, que inunda os passos e conduz a um novo amanhecer de primavera.
Por Celso Lacerda, membro da ABL/Barreiras (BA)
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