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PF aponta ACM Neto como líder de organização criminosa ligada a contratos superfaturados em Minas

30 de setembro de 2026 às 17:07

notícias/brasil 247
Um relatório da Polícia Federal atribui ao candidato do União Brasil ao governo da Bahia, ACM Neto, a função de liderança de uma organização criminosa suspeita de obter recursos públicos por meio de contratos superfaturados. A investigação relaciona o político ao grupo do empresário Marcos Moura, conhecido como “Rei do Lixo”, e a supostas fraudes em contratações públicas em Minas Gerais. As informações são da CNN Brasil.


ACM Neto
© Reprodução/brasil247.com/

Relatório da Operação Overclean atribui
ao candidato ao governo da Bahia papel de
liderança em esquema investigado pela
PF; defesa nega acusações
 
Segundo relatório sigiloso produzido pela PF em novembro do ano passado, registros extraídos do celular de Marcos Moura mostram que ele e ACM Neto mantiveram 232 conversas entre agosto e dezembro de 2024, volume que, na avaliação dos investigadores, reforçaria a relação entre os dois.
 
“Ao analisarmos todo o conjunto probatório reunido nas oito fases da Operação Overclean, conclui-se que ACM Neto exerce a função de liderança da organização criminosa constituída para obtenção de recursos públicos a partir de contratos públicos superfaturados”, afirma o relatório da Polícia Federal, segundo a CNN.
 
Marcos Moura e outras 24 pessoas foram indiciados no âmbito da investigação sobre suspeitas de desvios de recursos públicos relacionados à destinação de emendas parlamentares. A PF estima que o esquema investigado tenha movimentado aproximadamente R$ 1,4 bilhão em contratos considerados fraudulentos.
 
PF aponta atuação em contratos da Educação de Belo Horizonte
 
De acordo com os investigadores, o grupo teria buscado obter vantagens econômicas a partir de contratos fraudulentos e superfaturados celebrados pela Prefeitura de Belo Horizonte.
 
O relatório cita ainda “movimentações atípicas de dinheiro em espécie transportado em malas de viagens em aeronaves fretadas”.
 
A suspeita é de que o esquema tenha atuado em processos de contratação realizados pela Secretaria Municipal de Educação da capital mineira entre abril de 2024 e abril de 2025.
 
Segundo a PF, integrantes do grupo teriam sido inseridos em pontos da administração municipal para direcionar licitações e contratações a pelo menos seis empresas fornecedoras de produtos e serviços.
 
“Com o fim do mandato de ACM Neto na prefeitura de Salvador, e a partir de 2024, a organização criminosa ampliou sua área de atuação para a capital mineira mediante a ocupação dos seus integrantes em pontos chave da administração municipal”, afirma outro trecho do relatório divulgado pela CNN.
 
ACM Neto comandou a Prefeitura de Salvador entre 2013 e 2020.
 
Gonet apoiou medidas solicitadas pela PF
 
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, manifestou-se favoravelmente a medidas solicitadas pela Polícia Federal durante a investigação.
 
Em parecer encaminhado no início de fevereiro ao ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), Gonet afirmou, segundo a reportagem, que os elementos reunidos pelos investigadores seriam consistentes em relação à materialidade dos fatos e à possível participação dos investigados na organização criminosa.
 
A Procuradoria-Geral da República também sustentou que uma nova operação poderia permitir a obtenção de documentos, registros, aparelhos eletrônicos, mídias e outros materiais considerados relevantes para o aprofundamento da apuração.
 
Para Gonet, os elementos apresentados pela PF indicavam ainda que o grupo investigado teria permanecido em atividade mesmo depois das primeiras etapas da Operação Overclean.
 
PF pediu busca contra ACM Neto e bloqueio de R$ 77,8 milhões
 
A Polícia Federal solicitou ao STF autorização para realizar busca e apreensão contra ACM Neto.
 
A corporação sustentou que o candidato teria participado da inserção de integrantes do grupo investigado na Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte.
 
Os investigadores também pediram o bloqueio de até R$ 77,8 milhões em bens e valores de ACM Neto. Segundo a PF, o montante corresponde aos pagamentos realizados em três contratos analisados no curso da investigação.
 
O ministro Nunes Marques, porém, rejeitou as medidas contra o candidato.
 
Embora tenha autorizado outras providências na operação, o ministro considerou que os elementos apresentados não eram suficientes para justificar busca e apreensão ou bloqueio patrimonial contra ACM Neto naquele momento.
 
Nunes Marques permitiu medidas consideradas mais invasivas contra auxiliares e assessores investigados, com o objetivo de buscar provas que pudessem confirmar ou afastar as suspeitas apresentadas pela Polícia Federal.
 
A decisão judicial, portanto, não confirmou a conclusão da PF sobre ACM Neto e entendeu que as provas reunidas até então não sustentavam as medidas solicitadas diretamente contra ele.
 
Defesa fala em tentativa de interferência eleitoral
 
Em nota divulgada após a revelação do relatório, a assessoria de ACM Neto rejeitou as acusações e afirmou haver uma “tentativa de interferir no processo eleitoral com a criação e divulgação de factoides e insinuações mentirosas e falsas”.
 
Segundo a equipe do candidato, vazamentos seletivos estariam sendo utilizados para relacionar o nome de ACM Neto a fatos dos quais ele não participou.
 
“Trata-se de uma nova tentativa de influenciar na eleição estadual da Bahia”, afirmou a assessoria.
 
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