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A Gente Mesmo

30 de setembro de 2026 às 17:02

pauta livre/pauta literária

Celso Lacerda © Celso Lacerda/Arquivo pessoal
Como é difícil a gente ser a gente mesmo. Que luta interna, conflito incessante entre o corpo e a alma, que muitas vezes são elaborados e/ou produzidos para atender à vontade do outro.
 
Estamos sempre sendo vigiados e analisados por alguém sobre nossas atitudes, crenças e até mesmo o chamado “jeito de ser”.
 
As cores que nos enfeitam e alimentam nossos gostos também são manchadas, borradas, e não deixam de maltratar a ingenuidade ou a simplicidade do viver em harmonia consigo mesmo.
 
A vida gira em torno do mundo, e esse mundo é habitado por pessoas, cada uma com suas vontades, características emanadas da alma, que não permitem, muitas vezes, ser rotuladas ou perseguidas.
 
A gente não vive sozinho. Nascemos para aprender, ensinar, interagir com o outro. Mas, infelizmente ou felizmente o outro nem sempre nos completa.
 
Daí fica a dúvida: somos realmente amados ou somos apenas passageiros de um amor que não decola e fica à mercê dos devaneios que afloram no dia a dia?
 
Quantas vezes as pessoas são obrigadas a conviver por motivos outros, a adormecer com medo no travesseiro do segredo, mesmo sabendo que o momento que as espera
 
pode ser doce para um e amargo para o outro.
 
E o tempo vai passando, numa pressa que atropela tudo o que nos envolve, e a gente vai aceitando e relevando algumas coisas que nos maltratam, só para ter um pedacinho do mundo.
 
Ser você mesmo requer compreender que, se estamos aqui, precisamos nos curar dos olhares que enxergam sem permissão, das mentes criativas do mal, das palavras que são ditas e não engolidas, dos rótulos que marcam e mancham...
 
Ser você é se amar na extravagância da vida, mesmo sem ser amado. É se amar perdidamente no mundo, sem se perder, e sentir a beleza que envolve a alma.
 
Por Celso Lacerda, membro da ABL/Barreiras (BA)
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