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Saiba como funcionará compra de dívidas pela União

26 de setembro de 2026 às 11:35

economia/inadimplência/endividamento
Criada no dia de ontem, sexta-feira (25) por medida provisória, a terceira fase do programa de renegociação de dívidas de pessoas físicas, chamada de Desenrola 3.0, traz mudança importante em relação às etapas anteriores.


Cédulas de 50 reais
© Marcello Casal JrAgência Brasil

Nova fase de programa prevê desconto
de até 90% nos débitos
 
A União poderá comprar em leilões, carteiras de dívidas inadimplidas e repassar integralmente ao devedor o desconto obtido na operação. Nas fases anteriores, os débitos eram negociados diretamente entre credores e devedores.
 
A expectativa do governo é que até R$ 150 bilhões em dívidas sejam elegíveis ao programa, com potencial para beneficiar até 15 milhões de pessoas.
 
Como funcionará?
 
A nova fase será voltada a dívidas bancárias e não bancárias de até R$ 10 mil, considerando o valor original da dívida.
 
Para participar da operação, os débitos deverão estar em atraso de 720 dias a 1.645 dias, contados a partir de 25 de setembro de 2026.
 
Na prática, o processo será dividido em etapas:
 
        1. A União realizará leilões para comprar as carteiras de dívidas;
        2. Os credores apresentarão propostas de desconto;
        3. As propostas serão classificadas pelo maior deságio oferecido.;
        4. O desconto obtido pela União será repassado integralmente ao devedor;
        5. O consumidor poderá quitar o saldo à vista ou parcelá-lo;
        6. No caso de parcelamento, as condições ainda serão definidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
 
Quem poderá participar?
 
A MP estabelece como critérios principais:
 
       • Dívidas de até R$ 10 mil, pelo valor original;
       • Inadimplência superior a 720 dias;
       • Inadimplência inferior a 1.645 dias;
       • Dívidas bancárias e não bancárias.
 
O Ministério da Fazenda poderá estabelecer critérios adicionais de renda e de priorização dos devedores.
 
Os leilões poderão ocorrer em lotes e separar as dívidas de acordo com sua natureza, entre bancárias e não bancárias.
 
Quanto será o desconto?
 
O deságio mínimo exigido nos leilões será de 90%, com o desconto obtido na compra sendo integralmente transferido ao devedor.
 
Assim, se uma dívida elegível de R$ 10 mil for adquirida pela União com o desconto mínimo previsto, o valor considerado para a renegociação será de R$ 1 mil.
 
O consumidor poderá:
 
       • pagar o saldo de uma vez, mantendo o desconto;
       • ou parcelar o valor restante, acrescido de juros, conforme as regras que ainda serão estabelecidas pelo CMN.
 
Quanto será investido?
 
A estimativa do governo é que até R$ 150 bilhões em dívidas possam ser elegíveis à compra.
 
A previsão considera apenas uma parcela do estoque de R$ 592 bilhões em dívidas inadimplidas registradas nos birôs de crédito em agosto de 2026.
 
O governo estima:
 
       • até R$ 75 bilhões em dívidas efetivamente renegociadas;
       • até 15 milhões de pessoas beneficiadas;
       • custo máximo de R$ 15 bilhões para a aquisição das carteiras pela União.
 
Os recursos deverão ser previstos nos Projetos de Lei Orçamentária Anual (PLOAs) de 2027 e 2028.
 
Quando começa?
 
A implementação do programa seguirá cronograma previsto na MP:
 
       • Setembro de 2026: publicação da medida provisória;
       • Novembro de 2026: publicação do chamamento para apresentação das propostas;
       • Dezembro de 2026: credores entregam as propostas;
       • Janeiro de 2027: homologação das propostas selecionadas;
       • Fevereiro de 2027: assinatura dos contratos e início do repasse dos descontos aos devedores.
 
A partir de fevereiro de 2027 está previsto o início da quitação à vista ou do parcelamento dos valores pelos consumidores.
 
Tamanho da inadimplência
 
Dados do Tesouro Nacional citados pelo governo mostram a dimensão do problema.
 
Em agosto de 2026, havia R$ 592 bilhões em dívidas inadimplidas registradas nos birôs de crédito, considerando débitos com até cinco anos de atraso.
 
O levantamento aponta ainda:
 
       • 83,9 milhões de pessoas negativadas;
       • média de quatro dívidas por pessoa;
       • valor médio de R$ 7 mil por pessoa;
       • média de R$ 1,7 mil por dívida;
       • 56% dos negativados eram mulheres;
       • cerca de 55% do estoque correspondia a dívidas não bancárias.
 
Entre as dívidas não bancárias estão débitos com empresas de água, energia, telefonia e varejo.
 
O que mudou?
 
Nas duas primeiras fases do programa, a renegociação dependia da negociação entre consumidores e credores.
 
Na terceira etapa, a lógica muda: o governo passa a atuar diretamente na compra das carteiras de dívidas.
 
O desconto obtido nos leilões será transferido ao consumidor, que poderá escolher entre quitar o saldo de uma vez ou parcelar o valor restante.
 
Fases anteriores
 
Nas duas primeiras fases, o Desenrola alcançou cerca de 25 milhões de pessoas.
 
A primeira fase foi voltada a dívidas bancárias e não bancárias negativadas desde 2019:
 
       • Mais de 8 milhões de operações de renegociação;
       • R$ 53 bilhões em dívidas renegociadas;
       • 15 milhões de pessoas e famílias atendidas.
 
A segunda fase foi destinada a dívidas bancárias com inadimplência de 90 dias a dois anos:
 
       • Mais de 5,5 milhões de operações;
       • R$ 22 bilhões em dívidas renegociadas;
       • 10 milhões de pessoas e famílias atendidas.
 
Da Agência Brasil