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Todos partiremos

14 de setembro de 2026 às 18:16

pauta livre/pauta literária

Celso Lacerda © Celso Lacerda/Arquivo pessoal
Há momentos na vida em que fico pensativo em torno do que está acontecendo no dia a dia. Às vezes, assusto-me com notícias que circulam, trazendo informações sentimentais, doídas, com perdas de pessoas conhecidas ou não, que, mesmo sem querer, provaram, mergulharam e sentiram o corte de suas vidas, o golpe da morte, a fragilidade humana diante do fim.
 
Com isso, deixam para os entes queridos situações banhadas de sofrimento, que machucam a alma a ponto de acelerar a batida do coração, transformada em saudade eterna.
 
Quantas notícias de pessoas que conviveram comigo, desde a infância: vizinhos, colegas de escola, parentes, amigos... Muitos deles partiram por variadas situações sofridas e, mesmo não estando mais aqui, ainda guardo pequenas lembranças de ouro, que enfeitam e reluzem, por algumas vezes, em minha alma.
 
Respiro e inspiro o ar que a natureza nos oferta, sem cobrança... e sou sinalizado, a todo instante, de que a vida é infinita, linha invisível que segue sem fim. Mas, a qualquer momento, posso me perder nessa linha ou, simplesmente, encontrar um nó que impeça meu caminhar.
Então, não precisamos viver competindo com o outro na busca da vitória, nem achar que somos vencedores só porque vencemos algo ou alguém em uma disputa passageira. Tampouco precisamos criar espaços para a maldade... Vamos nos vestir da pureza do véu transparente, para que possamos enxergar a nós mesmos, enquanto animamos a felicidade do outro, resplandecendo a harmonia do bem viver.
 
Ah, não podemos esquecer jamais que, para continuarmos vivendo em plena felicidade, haverá sempre alguém que, mesmo sem nos dar as mãos, proporcionará o encontro das almas, em uma plenitude de prazer e alegria constante.
 
Não podemos perder de vista, a todo instante, que temos prazo de validade aqui na Terra, e que esse prazo chega na surdina do tempo, corrói a vaidade, retirando de nós os brios e os brilhos que enferrujam, dissolvem e evaporam para sempre.
 
É bom refletir e pensar que somos nada mais que um fiapo ao vento, que se perde na imensidão de um mundo em movimento, que também será esquecido.
 
O brilhante reluzente que carregamos na vida serão os nossos momentos felizes, o que construímos com amor, a alma iluminada, o bem que distribuímos para as pessoas, os compromissos e fidelidades verdadeiras, o amor próprio.
 
Enfim, tudo isso, cheio de bondade, servirá de lembranças amorosas que permanecerão vivas nos corações das pessoas que foram testemunhas das nossas ações, durante a passagem por um mundo que gira sem fim.

Todos partiremos, mas nem tudo em nós partirá.
 
Por Celso Lacerda, membro da ABL/Barreiras (BA)
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