* * * * * *

Entre a solidão e a paz

09 de setembro de 2026 às 17:43

pauta livre/pauta literária

Celso Lacerda © Celso Lacerda/Arquivo pessoal
É chegado um tempo na vida da gente. Não sei se é pelo amadurecimento que a vida nos impõe, mas sinto que não precisamos ficar mais reféns de pessoas, principalmente daquelas que, sem limites, invadem a nossa alma.
 
Mesmo a nossa alma estando no silêncio do nosso prazer, na solidão gostosa, adormecida nos braços da paz, somos cutucados por alguém que, como uma fagulha de fogo, insiste em querer roubar a nossa paz, como se fosse o consumir do verde vivo das folhas de uma planta que serenamente acolhe as bondades maravilhosas que a natureza presenteia nas manhãs.
 
Quantas vezes necessitamos ter o tempo necessário para contemplar a beleza da vida, que desabrocha como uma rosa entre os espinhos? Mas seus espinhos não a incomodam; acho que a protegem e permitem que a rosa dance com suas pétalas adocicadas ao vento, como se fosse um grande baile de debutante, onde o amor é a essência do viver.
 
E o perfume rodeia suas vestes em pétalas e sinaliza o aroma convidativo para que as borboletas e os beija-flores deleitem-se com o mel da vida e, em seguida, partam levando consigo a alegria, mas deixando a paz na pureza da rosa, que adormece e acorda no seu bem-querer.
 
O silêncio é necessário. Pode ser até taxado de solidão, mas temos que entender que cada pessoa convive consigo mesma ou com outras pessoas na medida em que sente e reconhece o seu tempo de paz.
 
Cada pessoa tem o direito de possuir um espaço interior onde possa respirar, silenciar e encontrar a si mesma. Esse espaço não significa afastamento, rejeição ou falta de amor; significa apenas a necessidade de, por alguns instantes, voltar-se para dentro de si e ouvir aquilo que a própria alma tem a dizer.
 
Convivência e paz devem andar de mãos dadas, florescendo em plenitude, a ponto de seus olhares serem lacrimejados pela felicidade, banhando de felicidade o outro.
 
A solidão existe, bem como a solicitude. Ambas devem ser respeitadas e entendidas como momentos celebrados na vida das pessoas.
 
Não tire minha solidão por completo, se você não vai permitir que eu tenha também um momento só meu, para que eu possa entender-me comigo mesmo e abraçar o silêncio amoroso da alma.
 
Por Celso Lacerda, membro da ABL/Barreiras (BA)
Direitos autorais: Lei nº 9.610/98