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A carência tem limite

18 de agosto de 2026 às 18:36

pauta livre/pauta literária

Celso Lacerda © Celso Lacerda/Arquivo pessoal
Felizmente ou infelizmente, somos eternos carentes. A carência afetiva, que não deixa de ser emocional, faz com que a pessoa viva em busca de respostas externas e, com isso, procure em alguém o complemento para suas próprias necessidades emocionais.
 
Todavia, a pessoa carente se posiciona em uma condição de vulnerabilidade emocional e, com isso, pode até se considerar vítima de comportamentos indesejáveis de outras pessoas. Na busca de sentir-se amada, pode se prestar a relacionamentos abusivos e submeter-se a fazer coisas que não lhe agradam e que ferem a alma.
 
Não podemos negar que a necessidade de afeto faz parte de nossas vidas, mas, quando em excesso, pode envolver e até mesmo comprometer os relacionamentos entre as pessoas. A atenção, o cuidado entre as partes, o carinho e a confiança são elementos importantes, uma vez que a ligação entre esses fatores fortalece o bem-estar emocional.
 
O sentimento de carência afetiva ou emocional, às vezes, torna-se muito sério quando a pessoa não sabe ou não quer administrar esse momento de fragilidade, que requer algo muito especial: gostar de si mesma a ponto de não permitir que esse cenário, que cresce a cada dia, tome proporções que inundem sua alma.
 
O que se percebe é que algumas pessoas fortalecem suas carências afetivas, dando vazão ao seu próprio abismo. Por que digo isso? Porque existem carências difíceis de serem amenizadas ou atendidas quando alimentadas apenas pelos próprios sonhos.
 
Há pessoas que criam fantasias em seus sentimentos, ao bel-prazer, e acham que devem ser correspondidas por alguém de qualquer jeito. Com isso, martirizam a própria vida, tornando-a algo doentio.
 
Aquela frase “querer é poder” não se afina muito bem quando se trata de carência afetiva, pois querer pode acontecer, mas poder, nem sempre. Já pensou você querer o amor de alguém que não sente nada por você e ficar imaginando, obsessivamente, que ainda existe uma chance para esse enlace amoroso?
 
E o tempo passa, e você continua alimentando o impossível que, como a rapadura de cana ao encontrar-se com o fogo, derrete e escorre, deixando de ser rapadura.
 
É necessário não esperar que outra pessoa preencha o seu vazio interior. Valorize sua própria companhia, seu amor-próprio e permita que suas expectativas emocionais ou afetivas desabrochem em outras áreas da vida. Sonhe com os pés no chão e ame-se perdidamente.
 
Por Celso Lacerda, membro da ABL/Barreiras (BA)
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