A capacidade do organismo de absorver, transportar e utilizar oxigênio durante esforços físicos, a chamada aptidão cardiorrespiratória, já é amplamente reconhecida como um marcador da saúde cardiovascular. E novos estudos demonstram que seus benefícios também se estendem ao funcionamento do cérebro.

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Análise de mais de 4 milhões de pessoas reforça a relação entre melhor capacidade cardiorrespiratória e menor risco de doenças como depressão e demência |
Uma revisão de 27 publicações divulgada em março na
revista Nature Mental Health aponta que pessoas mais condicionadas apresentam menor risco de desenvolver depressão, demência e transtornos psicóticos. Pesquisadores da Espanha, do Chile e do Uruguai analisaram evidências publicadas entre 2009 e 2025, envolvendo mais de 4 milhões de participantes com idades entre 10 e 72 anos, em nove países.
Diversos mecanismos podem explicar essa associação protetora. “A elevação do fluxo sanguíneo leva a um aumento da oferta de substâncias como a endorfina e os fatores de crescimento neuronais, favorecendo a neuroplasticidade, ou seja, a capacidade do cérebro de criar novas ligações entre os neurônios”, explica o neurologista Ivan Okamoto, do Einstein Hospital Israelita.
A prática regular de exercícios também contribui para reduzir a inflamação crônica e o estresse oxidativo, associados à neurodegeneração, ao comprometimento da função sináptica e a alterações nos sistemas de neurotransmissores. Somados, esses fatores favorecem o desenvolvimento de transtornos mentais e doenças neurodegenerativas.
A principal estratégia para melhorar a aptidão cardiorrespiratória é manter uma rotina regular de exercícios físicos, especialmente atividades aeróbicas, como caminhada em ritmo acelerado, corrida, ciclismo, natação e esportes. A musculação, por sua vez, pode aumentar a capacidade funcional e facilitar a prática de outras modalidades.
O ideal é encontrar uma rotina sustentável, com progressão gradual e, sempre que possível, acompanhamento profissional. “A boa aptidão cardiovascular deve fazer parte de um estilo de vida saudável, que envolva também bom padrão alimentar e acompanhamento da pressão sanguínea, entre outros”, acrescenta Okamoto.
Por Thais Szegö, da Agência Einstein