* * * * * *

O Oásis da Alma

07 de agosto de 2026 às 18:27

pauta livre/pauta literária

Celso Lacerda © Celso Lacerda/Arquivo pessoal
A vida é bela, singela, traiçoeira... Mas nós somos a própria vida; por isso, não devemos nos afastar dela. Precisamos ter o discernimento amoroso que nos permita mergulhar em suas entranhas e a capacidade de buscar e escolher o melhor dentro do próprio caminhar, sem nos distanciarmos nem perdermos de vista que, se a vida não está boa pelas decisões tomadas por nós, somos o retrato das nossas próprias escolhas.
 
A vida nos conduz como passageiros indispensáveis na travessia do viver. Ela acontece nos mais distantes lugares, sejam eles bons ou difíceis, e devemos debruçar-nos carinhosamente sobre esses caminhos, na perspectiva de encontrar aquilo que nos faz crescer, dando vazão à alma para sonhar.
 
É necessário que sejamos um oásis dentro do nosso próprio deserto. Precisamos florir por onde passarmos, ser água para saciar a sede e verde de esperança para prosseguir no caminhar que a vida nos impõe.
 
O azul do céu, bordado por nuvens brancas, é o teto mais alto para percebermos a grandeza do sonhar. A areia fina, quente e branca aquece as margens do oásis, como se protegesse aquele espaço úmido, tão necessário à vida, que alimenta a continuidade da caminhada entre o vento e os redemoinhos que insistem em atravessar o espaço árido.
 
O sol e a lua adormecem e despertam contemplando aquele pequeno refúgio de vida. E o oásis, fielmente, desabrocha todas as manhãs como um ponto de continuação da existência.
 
Também o oásis continua amando, porque descobriu que sua verdadeira missão não é vencer o deserto, mas impedir que a esperança morra dentro dele. Afinal, sabe que sempre haverá alguém caminhando em sua direção, sedento de amor.
 
Por Celso Lacerda, membro da ABL/Barreiras (BA)
Direitos autorais: Lei nº 9.610/98