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Você Não Sabe Nada

05 de agosto de 2026 às 17:38

pauta livre/pauta literária

Celso Lacerda © Celso Lacerda/Arquivo pessoal
A frase “você não sabe nada” vem de uma maneira que magoa: cortante, quase sempre dita com a voz ríspida de quem quer ferir. Além disso, carrega um tom de desdém, como se rotulasse o outro de vazio, de inútil — um ser oco de saber e de valor.
 
Dita assim, sem cuidado e sem respeito, essa sentença maldita age como uma navalha: rasga a alma, fazendo com que, por um momento, quem a ouve questione sua própria inteligência, seu conhecimento e a potência da própria mente...
 
É como se fosse um ninho desfeito, cujos gravetos se transformassem em alimento para o cupim.
 
Mas... o que é o “nada”?
 
Veio-me o desejo de refletir sobre essa palavra. Como ela se apresenta nesse contexto, em que, por algumas vezes, é lançada como uma arma?
 
O que se sabe é que “nada” remete à ausência total, ao aniquilamento — àquilo que simplesmente não existe. Um rótulo duro: coisa nula, sem sentido, sem valor.
 
E, não raro, essa frase é proferida com a clara intenção de rebaixar o outro, de ferir seu “eu” mais íntimo, deixando-o frágil e vulnerável.
 
Enquanto isso, quem a pronuncia se coloca no trono do saber, como se fosse o dono da verdade.
 
Mas, no dia em que alguém achar que sabe tudo... talvez nem precise mais estar por aqui.
 
A eternidade, quem sabe, o espera — com novos e eternos saberes.
 
Por Celso Lacerda, membro da ABL/Barreiras (BA)
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