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Entre Pai e Filho: Onde Foi Parar o Colo?

18 de julho de 2026 às 12:53

pauta livre/pauta literária

Celso Lacerda © Celso Lacerda/Arquivo pessoal
No dia a dia, tenho observado que, nas rodas de conversa com pais da minha faixa etária e até de outras gerações, entre tantos assuntos, surge um que realmente se faz presente e se estabelece de maneira pontual no leito familiar. Não vou muito longe, não. Parece que ele está enraizado em sentimentos que machucam a alma.
 
O que realmente nos deixa em estado de alerta são as mudanças nos valores, nos afetos e nos cuidados, criando um vazio na relação entre filhos e pais. Talvez esse seja apenas um olhar nosso, marcado pela fragilidade da idade, que também precisa ser cuidada como uma planta que continua florescendo e enfeitando a natureza.
 
Nas discussões, também se considera que alguns filhos, ao alcançarem a maioridade, a independência e constituírem suas famílias, acabam, por vezes, promovendo uma espécie de permuta de sentimentos, deixando os pais em segundo plano. Em alguns casos, essa atitude chega a ser percebida como desprezo. 
 
Nesses momentos de reflexão, cada participante traz uma história para tentar compreender essa realidade. Alguns se culpam pelo distanciamento, acreditando que poderiam ter sido mais presentes na formação dos filhos. Outros têm a consciência de que procuraram cumprir seu papel com responsabilidade, amor e afeto ao longo de toda a caminhada familiar.
 
Também são lembradas atitudes dos próprios filhos que deixam marcas profundas: o desamor, a indiferença e o distanciamento de uma relação que parecia eterna. Datas comemorativas, antes marcadas por abraços, sorrisos e encontros, passam despercebidas. Os presentes, que antes brilhavam nas diversas comemorações, são esquecidos ou já não têm o mesmo sentido e, quando chegam, muitas vezes já não carregam o afeto e o significado de antes, parecendo apenas cumprir um ritual desgastado.
 
Até as palavras "pai" e "mãe" já não são pronunciadas com a mesma emoção; já não fazem os olhos lacrimejarem, nem provocam aqueles suspiros que, em sintonia com a alma, acalmavam o coração.
 
Nessas rodas de conversa, também reconhecemos nossas próprias falhas. Erramos, porque ninguém é perfeito. Mas o perdão continua sendo o caminho capaz de coroar a existência com dias melhores. Afinal, o colo nunca deveria ter idade. Apenas mudar de direção.
 
Também temos consciência de que a idade, pouco a pouco, se despede da juventude. Por vezes, sentimos o peso da solidão, da exclusão e do silêncio deixado pela ausência de mensagens calorosas, verdadeiros bálsamos para a alma.
 
Mesmo assim, ao final dessas conversas, concluímos que ainda vale a pena ganhar asas para voar nos braços da felicidade enquanto a vida continuar sendo sopro. Os filhos crescem, mas o coração dos pais continua esperando o mesmo abraço.
 
Por Celso Lacerda, membro da ABL/Barreiras (BA)
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