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Na Escuridão, Lembro de Nós

17 de June de 2026 às 17:59

pauta livre/pauta literária

Escritor Celso Lacerda © Celso Lacerda/Arquivo pessoal
Na noite de insônia, virando e revirando na cama, parei por alguns instantes. Respirei fundo e busquei, na solidão do quarto, algo que pudesse fazer reviver um momento que evaporou sem se despedir.
 
Então, fechei lentamente as pálpebras e entreguei-me ao instante. Deparei-me com uma escuridão ainda maior do que a do meu quarto. Parecia estar diante do infinito.
 
O silêncio me acalmava, mas, como uma suave dormência, trouxe você para dentro daquela escuridão. E fui tomado pelas lembranças. Era como se eu estivesse reconstruindo sua presença.
 
Então vieram as recordações.
 
Interessante como a memória escolhe guardar aquilo que vivemos de melhor.
 
Lembrei-me das juras de amor, dos beijos que aqueciam a alma, dos toques leves e apressados que faziam a pele estremecer.
 
Ah! Os corpos frente a frente aproximavam os corações, atraídos como ímãs na busca da felicidade compartilhada.
 
Os cabelos molhados deixavam cair pequenas gotas d'água, como se quisessem saciar uma sede antiga. E aquelas gotículas traziam um sabor especial que se encontrava com nossos sorrisos, transformando-se em silenciosos agradecimentos de amor.
 
E naquele silêncio do quarto, deitado na cama, abri os olhos.
 
Como uma borracha que apaga um desenho, a realidade desfez aquela escuridão tão acolhedora.
 
Mas algo permaneceu.
 
Um sentimento suave, abrigado sob o lençol, abraçado comigo.
 
Era uma lembrança que embalava meus pensamentos e, lentamente, fazia-me adormecer entre suspiros.
 
Por Celso Lacerda, escritor membro da ABL/Barreiras (BA)
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