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Infiltração com plasma sanguíneo pode ajudar a tratar problemas no joelho

01 de fevereiro de 2026 às 11:44

saúde/agência einstein
Técnicas de infiltração são muito usadas na ortopedia para tratar quadros de dor. Uma das mais estudadas tem sido a infiltração articular com plasma rico em plaquetas (PRP), que utiliza material sanguíneo do próprio paciente para ajudar na regeneração dos tecidos prejudicados.
 

© Reprodução/Agência Einstein
 
Técnica usa material do próprio paciente
para injetar na articulação e aliviar quadros de dor causados por artrose e outras condições
 
Um estudo conduzido no Hospital Universitário Antônio Pedro, da Universidade Federal Fluminense (UFF), no Rio de Janeiro, investigou a eficácia do plasma rico em plaquetas para ajudar no tratamento da osteoartrite de joelho. Ainda não publicada, a pesquisa incluiu cerca de 50 pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), com idades entre 40 e 60 anos e todos com queixas relacionadas ao joelho.
 
Após coletado, o sangue é centrifugado para separar a parte que interessa nesse tratamento: o plasma com plaquetas, que ajuda a combater a inflamação e é reinjetado na articulação que precisa ser tratada”, explica o ortopedista Eduardo Branco de Souza, professor da UFF e autor da pesquisa. Em seguida, o material é injetado diretamente na articulação.
 
No estudo, parte dos voluntários recebeu injeção de plasma e a outra, uma infiltração de ácido hialurônico, substância comum nesses tratamentos. “Os resultados não deixaram dúvidas de que ele [o plasma] foi superior e que se trata de um método seguro e sem efeitos colaterais”, afirma o ortopedista Vinicius Schott, também professor da UFF e integrante da equipe do estudo.
 
Outros trabalhos evidenciaram a eficácia do PRP. Em uma meta-análise publicada em 2025 no The American Journal of Sports Medicine, pesquisadores da Suíça e da Itália concluíram que o plasma ofereceu melhoras clinicamente relevantes contra a osteoartrite nos joelhos até 12 meses após a injeção, em comparação com um placebo. O efeito contra a dor também foi significativo até seis meses depois do procedimento.
 
Isso não significa, porém, que a técnica faça milagres. “Lembrando que nem todas as infiltrações funcionam de maneira semelhante para todos os casos. A indicação e os resultados dependem do grau da doença, do perfil do paciente e da forma de preparo do PRP. Por isso, não existe um tratamento único que seja o melhor para todo mundo, é vital individualizar cada caso”, alerta a ortopedista Camila Cohen Kaleka, do Einstein Hospital Israelita.
 
No Brasil, a aprovação de uso é realizada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), que está revendo uma normativa de 2015 que considerava o uso de PRP como um procedimento experimental. Isso significa que a técnica não pode fazer parte do tratamento de rotina e deve ser usada com cautela, em contextos bem indicados e com consentimento do paciente.
 
Outras técnicas de infiltração
 
A infiltração também pode se dar com medicamentos e outras substâncias injetadas diretamente na articulação dos joelhos. “Ela é prescrita para artrose de leve a moderada ainda sem a indicação de prótese, no combate a processos inflamatórios, em alguns casos de lesões em cartilagens de joelhos jovens, para pacientes que não podem usar anti-inflamatórios por muito tempo e/ou não responderam bem apenas a medicações orais, fisioterapia e mudanças no estilo de vida”, explica o ortopedista Moisés Cohen, também do Einstein.
 
Embora o joelho seja a articulação mais frequentemente tratada, a infiltração pode ser indicada para outras regiões, como ombros, cotovelos, quadril, tornozelos, pés, coluna, mãos e punhos. Diferentes substâncias podem ser utilizadas, conforme o objetivo do tratamento — analgésicos são usados contra a dor, já corticoides são indicados para tratar inflamações como bursites e sinovites.
 
Mas algumas condições contraindicam a infiltração. “Isso vale para infecções e lesões de pele na região da punção, infecção articular ativa, história de reação alérgica a algum componente da fórmula, dor desproporcional e sinais clínicos que levantem suspeita de patologias mais graves, como tumores e doença inflamatória sistêmica, e pacientes com transtornos de coagulação ou fazendo uso de altas doses de anticoagulante”, explica Cohen, que é professor titular e livre docente em ortopedia e medicina do esporte da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
 
Associar a infiltração com outras abordagens terapêuticas também é uma possibilidade. “A combinação da infiltração com o uso de medicamentos anti-inflamatórios e analgésicos via oral ou intramuscular, fisioterapia e exercícios de fortalecimento e condicionamento muscular pode ser bem-vinda”, afirma o ortopedista e traumatologista Marcos Cortelazo, membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e da Sociedade Internacional de Artroscopia, Cirurgia do Joelho e Medicina do Esporte (ISAKOS).
 
O número de sessões varia conforme a substância utilizada. Após o procedimento, é comum ocorrer aumento de volume no local. Além disso, inchaço, desconforto, dor e sensação de calor podem surgir nas primeiras 24 a 72 horas. Esses sintomas tendem a ser transitórios; se forem intensos ou persistentes, consulte o médico.
 
Por Thais Szegö, da Agência Einstein