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Mercosul e União Europeia assinam acordo comercial neste sábado

17 de janeiro de 2026 às 12:05

internacional/acordo UE-mercosul
Após 26 anos de negociação, representantes dos blocos de integração regional Mercosul e União Europeia (UE) devem assinar, neste sábado (17), um acordo de livre comércio com potencial de integrar um mercado de cerca de 720 milhões de pessoas (450 milhões na UE e cerca de 295 milhões no Mercosul).
 

© União Europeia/Mercosul
 
Documento integra mercado que reúne
720 milhões de pessoas
 
Aprovado por ampla maioria dos 27 países que integram a UE, o tratado será assinado em Assunção, no Paraguai – país que, desde dezembro de 2025, preside temporariamente o Mercosul.
 
A cerimônia de assinatura acontecerá a partir das 12h15 (horário de Brasília), no teatro José Asunción Flores, do Banco Central paraguaio – mesmo local onde, em 1991, foi assinado o Tratado de Assunção, considerado o primeiro passo para a criação do Mercado Comum do Sul (Mercosul), hoje composto por Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e Uruguai.
 
O evento contará com a presença de representantes dos países-membros, a exemplo dos presidentes Javier Milei (Argentina); Rodrigo Paz (Bolívia); Santiago Peña (Paraguai) e Yamandú Orsi (Uruguai), bem como da cúpula europeia, como Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, e António Costa, presidente do Conselho Europeu.
 

presidente Lula recebe a presidente da Comissão Europeia (CE), Ursula van der Leyen
. Foto:Tânia Rêgo/Agência Brasil
Por questões de agenda, o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não viajará ao Paraguai. O Brasil será representado na cerimônia de assinatura pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Na véspera (16), contudo, Lula recebeu Ursula e Costa no Rio de Janeiro, onde discutiram a implementação do acordo comercial e outros temas da agenda internacional.
 
Protocolar, a assinatura do acordo comercial formaliza o fim da fase de tratativas técnicas e políticas iniciadas em junho de 1999, quando as partes começaram a negociar seus termos. O texto estabelece a gradual eliminação de tarifas de importação para mais de 90% do comércio bilateral, envolvendo bens industriais (máquinas, ferramentas, automóveis e outros produtos e equipamentos) e produtos agrícolas.
 
Após a assinatura, o texto será submetido à ratificação do Parlamento Europeu e dos congressos nacionais de cada país integrante do Mercosul. A entrada em vigor da parte comercial do acordo depende da aprovação legislativa, com previsão de implementação gradual ao longo dos próximos anos. De qualquer forma, a expectativa é que o tratado seja implementado gradualmente e que seus efeitos práticos demorem algum tempo para começar a ser sentidos, estabelecendo a maior zona de livre comércio do mundo.
 
Na última quinta-feira (15), o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, disse crer que o acordo comercial entre em vigor ainda no segundo semestre deste ano.
 
Assinado, o Parlamento Europeu aprova sua lei e nós, no Brasil, aprovamos a lei, internalizando o acordo. A gente espera que aprove a lei ainda neste primeiro semestre e que tenhamos, no segundo semestre, a vigência do acordo. Aí, ele entra imediatamente em vigência”, afirmou Alckmin.
 
Celebrado por governos e setores industriais, o acordo é alvo de críticas e protestos de agricultores europeus que temem a concorrência dos produtos sul-americanos, já que, entre outras coisas, eliminará tarifas alfandegárias.
 
O tratado também é alvo da desconfiança de ambientalistas, que criticam possíveis impactos sobre o clima e a concorrência agrícola – embora a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, avalie que o texto final está alinhado à agenda ambiental, em termos capazes de promover o desenvolvimento e proteger a natureza.
 
A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) estima que a implementação do acordo pode incrementar as exportações brasileiras em cerca de US$ 7 bilhões e ampliar a diversificação das vendas internacionais brasileiras, beneficiando inclusive à indústria nacional.
 
>> Confira os principais pontos do acordo
 
1. Eliminação de tarifas alfandegárias
 
       • Redução gradual de tarifas sobre a maior parte dos bens e serviços;
       • Mercosul: zerará tarifas sobre 91% dos bens europeus em até 15 anos;
       • União Europeia: eliminará tarifas sobre 95% dos bens do Mercosul em até 12 anos.
 
2. Ganhos imediatos para a indústria
 
Tarifa zero desde o início para diversos produtos industriais.
 
>> Setores beneficiados:
 
       • Máquinas e equipamentos;
       • Automóveis e autopeças;
       • Produtos químicos;
       • Aeronaves e equipamentos de transporte.
 
3. Acesso ampliado ao mercado europeu
 
       • Empresas do Mercosul ganham preferência em um mercado de alto poder aquisitivo;
       • UE tem PIB estimado em US$ 22 trilhões;
       • Comércio tende a ser mais previsível e com menos barreiras técnicas.
 
4. Cotas para produtos agrícolas sensíveis
 
       • Produtos como carne bovina, frango, arroz, mel, açúcar e etanol terão cotas de importação;
       • Acima dessas cotas, é cobrada tarifa;
       • Cotas crescem ao longo do tempo, com tarifas reduzidas, em vez de liberar entrada sem restrições;
       • Mecanismo busca evitar impactos abruptos sobre agricultores europeus;
       • Na UE, as cotas equivalem a 3% dos bens ou 5% do valor importado do Brasil;
       • No mercado brasileiro, chegam a 9% dos bens ou 8% do valor.
 
5. Salvaguardas agrícolas
 
>>UE poderá reintroduzir tarifas temporariamente se:
 
       • Importações crescerem acima de limites definidos;
       • Preços ficarem muito abaixo do mercado europeu;
       • Medida vale para cadeias consideradas sensíveis.
 
6. Compromissos ambientais obrigatórios
 
       • Produtos beneficiados pelo acordo não poderão estar ligados a desmatamento ilegal;
       • Cláusulas ambientais são vinculantes;
       • Possibilidade de suspensão do acordo em caso de violação do Acordo de Paris.
 
7. Regras sanitárias continuam rigorosas
 
       • UE não flexibiliza padrões sanitários e fitossanitários;
       • Produtos importados seguirão regras rígidas de segurança alimentar.
 
8. Comércio de serviços e investimentos
 
>> Redução de discriminação regulatória a investidores estrangeiros.
 
>> Avanços em setores como:
 
       • Serviços financeiros;
       • Telecomunicações;
       • Transporte;
       • Serviços empresariais.
 
9. Compras públicas
 
       • Empresas do Mercosul poderão disputar licitações públicas na UE;
       • Regras mais transparentes e previsíveis.
 
10. Proteção à propriedade intelectual
 
       • Reconhecimento de cerca de 350 indicações geográficas europeias;
       • Regras claras sobre marcas, patentes e direitos autorais.
 
11. Pequenas e médias empresas (PMEs)
 
       • Capítulo específico para PMEs;
       • Medidas de facilitação aduaneira e acesso à informação;
       • Redução de custos e burocracia para pequenos exportadores.
 
12. Impacto para o Brasil
 
       • Potencial de aumento das exportações, especialmente do agro e da indústria;
       • Maior integração a cadeias globais de valor;
       • Possível atração de investimentos estrangeiros no médio e longo prazo.
 
13. Próximos passos
 
       • Assinatura prevista para 17 de janeiro, no Paraguai;
       • Aprovação pelo Parlamento Europeu;
       • Ratificação nos Congressos do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai;
       • Entrada em vigor apenas após conclusão de todos os trâmites;
       • Acordos que extrapolam política comercial precisam ser aprovados pelos parlamentos de cada país.
 
Da Agência Brasil
* Colaborou Wellton Máximo