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Solidão preocupa especialistas em saúde pública

31 de dezembro de 2025 às 16:12

saúde pública/SUS
A ciência vem acumulando evidências de que isolamento social e solidão não são apenas um desconforto emocional, mas resultam em pior saúde física, pior saúde mental e maior risco de morte precoce. Relatório lançado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que uma em cada seis pessoas no mundo é afetada pela solidão e relaciona o problema a mais de 871 mil mortes anuais. Com base nas evidências mais recentes, o relatório convoca formuladores de políticas, pesquisadores e todos os setores a tratarem a “saúde social” com a mesma urgência que a saúde física e mental.
 

Idosos
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Para 2026, escritora aponta 8 formas de fazer novas
conexões e retomar antigas e boas amizades
 
O médico Vivek Murthy, ex-secretário de saúde dos Estados Unidos e autor do livro “Juntos – O poder curativo da conexão humana em um mundo às vezes solitário”, diz ter se chocado ao descobrir quão graves são as implicações da solidão para a saúde. “Eu não tinha me dado conta de que o isolamento social estava associado a um aumento significativo de depressão e ansiedade, bem como a doenças cardíacas, demência e morte prematura. Esses fatores reforçaram a ideia de que a solidão é uma ameaça à saúde pública, afetando milhões de pessoas.
 
O alerta também aparece no relatório do U.S. Surgeon General sobre solidão e isolamento, que coloca a conexão social como prioridade de saúde pública e resume o risco de forma didática: a falta de conexão pode ser tão nociva quanto fumar até 15 cigarros por dia. Por trás disso há números. Uma metanálise liderada por Julianne Holt-Lunstad e publicada na PLOS Medicine chegou ao resultado de que pessoas com relações sociais mais fortes têm cerca de 50% mais chances de sobrevivência do que pessoas com vínculos mais frágeis.
 
Importante: estar sozinho não é sinônimo de solidão. Solidão é a experiência subjetiva de desconexão e pode aparecer mesmo com agenda cheia. A OMS distingue solidão de isolamento social e lembra que pessoas de todas as idades podem vivê-la. Ainda assim, um em cada três idosos sentem-se solitários. Quando se torna crônica, os efeitos da solidão parecem mensuráveis. Um estudo de Harvard aponta que 21% dos entrevistados relataram sofrer de solidão grave. Quase 70% de adultos solitários relataram solidão socioemocional. Por exemplo, não se sentem parte de grupos significativos e não têm amigos próximos ou familiares suficientes. Números semelhantes de entrevistados relataram solidão existencial, com 65% dos adultos solitários relatando se sentirem profundamente desconectados dos outros e do mundo.
 
Estudo publicado na revista Nature indica que as mulheres idosas (30,9%) e os idosos institucionalizados (50,7%) apresentaram a maior prevalência de solidão. A revisão de 189 artigos revelou fatores importantes relacionados à solidão. Em geral, os resultados desta pesquisa mostraram que quase um em cada quatro idosos no mundo se sente sozinho. Diante da associação da solidão com diversos fatores de saúde, clínicos e sociais, incluindo depressão, ideação suicida e mortalidade, e do aumento previsto da população idosa, profissionais de saúde mental e formuladores de políticas públicas devem desenvolver e implementar intervenções voltadas para o alívio da solidão entre os idosos.
 
A escritora Heloísa Paiva, autora de “50+ Desperte para a vida e pare de sofrer”, cita o isolamento social como fator de risco significativo para a saúde mental de mulheres na menopausa e pós-menopausa, fases da vida que muitas vezes coincidem com mudanças em suas conexões sociais e familiares. “Manter relações de amizade é essencial não apenas para reduzir o risco de solidão, mas também para promover o bem-estar físico, já que as mulheres com uma rede de apoio emocional tendem a cuidar melhor da saúde, a se engajar em atividades físicas e procurar suporte médico quando necessário”. 
 
Outro aspecto mencionado pela autora em seu livro é que as amizades também são importantes para enfrentar os desafios que surgem durante a meia-idade, como mudanças hormonais e de humor. “As amigas, especialmente aquelas que estão passando pelas mesmas experiências, podem oferecer uma forma única de apoio e compreensão, ajudando a aliviar o estresse e a ansiedade relacionados à transição da menopausa”, diz – reforçando que cultivar amizades na maturidade pode ser claramente um fator protetor contra o desen-volvimento de depressão e ansiedade, condições mais prevalentes entre as mulheres nessa fase da vida. 
 
Heloísa revela oito atitudes simples, com efeito cumulativo, que ajudam a transformar intenção em vida social concreta:
 
       1. Fazer uma lista com o nome de três pessoas que conhece superficialmente e enviar uma mensagem objetiva, propondo um café ou um bate-papo virtual para estreitar laços;
       2. Recuperar amizades antigas com leveza. Procurar antigas amigas nas redes sociais e sugerir um reencontro simples, sem cobrança;
       3. Criar um ritual de constância. Por exemplo, um encontro quinzenal fixo com uma amiga ou um grupo pequeno para trocar confidências;
       4. Criar oportunidades de novas amizades com contexto, como cursos, clubes de leitura, voluntariado, caminhadas, atividades em que as pessoas convivem por um bom tempo;
       5. Trocar quantidade por qualidade, reduzindo interações automáticas e investindo em conversas que aprofundam, com perguntas reais e escuta ativa;
       6. Praticar reciprocidade, ou seja, pedir apoio quando necessário e oferecer ajuda sempre que possível. Confiança cresce no vai e vem;
       7. Cuidar do atrito inicial de todo relacionamento. Exemplo: combinar data e local para encontros, facilitar a logística e começar pequeno. Conexão se constrói mais por frequência do que por intensidade;
       8. Tratar conexão como cuidado, não como luxo. Ela precisa de espaço, de tolerância, de flexibilidade e de valorização como qualquer prioridade de saúde.
 
A amizade na vida adulta depende menos de ‘química instantânea’ e mais de contexto repetido. Ver a mesma pessoa ao longo do tempo, em um ambiente seguro, faz a intimidade crescer. Para 2026, a proposta pode ser concreta: por 30 dias, agendar uma reconexão por semana e iniciar uma nova conversa presencial em algum espaço de interesse comum”, sugere a escritora.
 
Texto encaminhado pela Press Página