Sabe quando um ano se despede sem pedir licença e outro chega batendo à porta, trazendo na mala promessas, expectativas e aquela velha sensação de recomeço? É quase um ritual. O calendário muda, o brinde acontece, e alguém — geralmente nós mesmos — decreta com convicção: “Daqui pra frente, tudo vai ser diferente.”

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A partir daí, a lista começa a se formar, silenciosa ou falada em voz alta, como se o universo estivesse tomando nota. Preciso praticar algum esporte — dessa vez pra valer. Emagrecer horrores, ou pelo menos um pouco. Ficar menos tempo nas redes sociais, embora elas insistam em nos chamar pelo nome a cada cinco segundos.
Prometemos sofrer menos com o time do coração, mesmo sabendo que ele não vai colaborar, e controlar as emoções com a Seleção em ano de Copa do Mundo. Decidimos discutir o relacionamento só quando for necessário — e, se não houver relacionamento algum, encontrar alguém que faça sentido, ou ao menos renda boas histórias
Sonhamos, com certa cautela, em ganhar na Mega da Virada e, caso o milagre aconteça, manter o equilíbrio para não perder a humanidade no caminho. Juramos ligar menos para o que dizem as vizinhas e os vizinhos, porque essa rede social de janelas e calçadas continua firme e forte, mesmo com a concorrência do WhatsApp.
Prometemos não ficar respondendo provocações de gente negativa no ambiente de trabalho. Também decidimos deixar os alucinados e os que adoeceram por conta da política falando sozinhos, pois extremistas precisam de tratamento psiquiátrico— exigem cuidado, silêncio estratégico e, muitas vezes, acolhimento especializado. Afinal, há delírios que nenhum argumento consegue alcançar.
Na lista entram, também, desejos quase afetivos: ler mais livros de papel e menos PDFs, sentir o peso e o cheiro das páginas. Ir à praia sempre que possível e assistir ao pôr do sol como quem aprende algo novo, mesmo sabendo que ele se repete todos os dias, mas com significados diferentes. Comer e beber o suficiente para satisfazer os apetites do corpo, sem excessos que cobram juros altos depois.
E, claro, renovar a fé — em Deus, na vida, nas pessoas, na esperança de dias melhores. Porque sem fé, nenhuma lista se sustenta..
Eis apenas uma pequena lista para o ano que se inicia. É claro que existem muitas outras, tantas quantas forem as vidas e os desejos de cada um. Cada pessoa vai preenchendo a sua no próprio ritmo, ao seu modo e conforme o tempo permite. No fundo, o mais importante não é cumprir tudo à risca, mas seguir acreditando que sempre vale a pena tentar de novo.
Feliz 2026.
Por
Ivandilson, doutor em Educação e Contemporaneidade pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Professor.