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Produção industrial reverte queda e sobe 0,1% em outubro, mostra IBGE

02 de dezembro de 2025 às 12:31

economia/produção industrial
A produção de petróleo, minério de ferro e gás natural ajudou a indústria brasileira a crescer 0,1% em outubro na comparação com setembro. O resultado reverte queda de 0,4% identificada no mês anterior.
 
Com os dados da Pesquisa Industrial Mensal divulgada nesta terça-feira (2) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a indústria nacional apresenta alta de 0,9% no acumulado de 12 meses.
 

Indústria
© Wilson Dias/Agência Brasil
 
Setor acumula expansão de 0,9%
em 12 meses
 
Esse desempenho anual mostra desaceleração, sendo o menor desde março de 2024 (0,7%). Em março de 2025, o acumulado chegou a 3,1%.
 
Na comparação com outubro de 2024 houve retração de 0,5%. A média móvel trimestral revela alta de 0,1% em relação ao período de três meses terminado em julho.
 
O desempenho de outubro coloca a indústria em um patamar 2,4% acima do período pré-pandemia de covid-19 (fevereiro de 2020) e 14,8% abaixo do maior ponto já alcançado, em maio de 2011.
 
Atividades
 
O IBGE apurou que na passagem de setembro para outubro, houve expansão de produção em 12 das 25 atividades industriais pesquisadas. Os destaques positivos foram:
 
       • indústrias extrativas: 3,6%;
       • produtos alimentícios: 0,9%;
       • veículos automotores, reboques e carrocerias: 2%;
       • produtos químicos: 1,3%;
       • equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos: 4,1%;
       • confecção de artigos do vestuário e acessórios: 3,8%.
 
O gerente da pesquisa, André Macedo, aponta que a indústria extrativa foi o que mais puxou para cima a produção industrial. “O avanço foi influenciado pela maior extração de petróleo, minério de ferro e gás natural”.
 
Entre as atividades que se destacaram no campo negativo estão:
 
       • produtos farmoquímicos e farmacêuticos: -10,8%;
       • produção, coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis: -3,9%;
       • impressão e reprodução de gravações: -28,6%;
       • produtos do fumo: -19,5%.
 
Efeito do juro alto
 
O analista do IBGE André Macedo explica que um dos principais fatores que impedem um resultado melhor da indústria é a política monetária restritiva, ou seja, o nível elevado dos juros.  
 
Acaba impedindo um avanço maior, não só do setor industrial, mas da economia como um todo, uma vez que tem impacto na concessão do crédito”, diz.
 
A taxa básica de juros no país, a Selic, está em 15% ao ano, maior patamar desde julho de 2006 (15,25%). A taxa é decidida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), que defende o nível elevado como forma de combater inflação, acumulada em 4,68% em doze meses.
 
Desde setembro de 2024 a inflação está acima do teto da meta do governo, que vai até 4,5%.
 
Ao esfriar a economia, a taxa de juros alta tende a diminuir a procura por bens e serviços, de forma a frear a alta de preços. O efeito colateral é o obstáculo à geração de emprego e crescimento econômico.
 
O gerente do IBGE pondera que, por outro lado, o mercado de trabalho acumula resultados positivos e aumento na renda, o que favorece em parte o comportamento da indústria.
 
O Brasil tem registrados nos últimos trimestres os menores índices de desemprego já apurados.
 
Tarifaço localizado
 
André Macedo aponta que alguns nichos de atividade apontaram o tarifaço americano como responsável pela diminuição de produção em outubro.
 
Madeira é o segmento em que mais fica evidenciada essa questão”, citou.
 
Outros segmentos que relataram impacto, segundo o analista, foram:
 
       • calçados;
       • minerais não metálicos, como granito;
       • máquinas e equipamentos.
 
Macedo explica que ao fornecer informações ao IBGE, os industriais não são obrigados a justificar quedas na produção, ou seja, pode haver outros setores que sentiram impactos, mas não os relataram.
 
O pesquisador ressalta que a política de juro alto teve efeito mais significativo que o tarifaço como obstáculo à produção industrial.
 
Entenda o tarifaço
 
O tarifaço entrou em vigor em agosto e tem, na visão do governo americano, o papel de proteger a economia interna.
 
Em julho, ao anunciar em carta tarifas de 50% aos produtos brasileiros, o presidente dos EUA chegou a alegar que a imposição dos juros altíssimos era uma retaliação ao tratamento dado pelo Brasil ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Para Trump, o ex-presidente do Brasil sofre perseguição.
 
Desde então, os governos brasileiro e americano negociam formas de buscar acordos para a parceria comercial. No último dia 20, Trump retirou taxação adicional de 40% a produtos como carnes e café. 
 
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, calcula que 22% das exportações para os Estados Unidos permanecem sujeitas às sobretaxas.
 
Da Agência Brasil