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Em visita à Indonésia, Lula confirma que vai disputar 4° mandato presidencial em 2026

23 de outubro de 2025 às 17:15

notícias/brasil de fato
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (23) que vai disputar as eleições de 2026, em busca de um quarta mandato presidencial. A declaração foi dada em Jacarta durante pronunciamento à imprensa, ao lado do presidente da Indonésia, Prabowo Subianto. Os presidentes assinaram diversos acordos e firmaram parcerias estratégicas. E Subianto disse admirar os programas de Lula para o povo brasileiro.
 

Lula está em viagem de Estado à Ásia, onde visita Indonésia e Malásia
- Ricardo Stuckert/PR
 
Em discurso, Lula também criticou o protecionismo
e defendeu transações comerciais sem Dólar
 
Eu quero lhe dizer que eu vou completar 80 anos, mas pode ter certeza que eu estou com a mesma energia de quando eu tinha 30 anos de idade. E vou disputar um quarto mandato no Brasil”, disse Lula. “Estou lhe dizendo que ainda vamos nos encontrar muitas vezes. Esse meu mandato só termina em 2026, no final do ano. Mas estou preparado para disputar outras eleições”, completou.
 
O presidente brasileiro ainda terá reuniões com empresários locais e assinaturas de acordos comerciais bilaterais, durante o Fórum Econômico Brasil-Indonésia. “É com muita alegria que estou aqui, com muita esperança e muita disposição, para trabalhar para que a relação Indonésia-Brasil seja uma relação cada vez mais produtiva, mais rentável para nossos povos”, afirmou Lula.
 
Críticas a Trump
 
Durante seu discurso, o presidente brasileiro criticou medidas comerciais protecionistas e defendeu que os países possam realizar transações comerciais sem utilizar o Dólar como moeda de referência, mas sem fazer referência ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
 
Nós queremos multilateralismo e não unilateralismo. Nós queremos democracia comercial e não protecionismo. Nós queremos crescer, gerar empregos. Emprego de qualidade, porque é para isso que nós fomos eleitos para representar o nosso povo”, disse Lula.
 
O presidente brasileiro tem um encontro com Trump no próximo domingo (26), para discutir o tarifaço e as relações entre Brasil e Estados Unidos. Uma das medidas que Trump tem criticado na relação com o Brasil é justamente a ideia de uma nova moeda para transações comerciais, proposta em diálogos dos Brics – bloco comercial que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, além de outros países associados mais recentemente.
 
Lula voltou a defender a possibilidade de transações em moedas próprias, mas sem mencionar o Dólar. “Tanto a Indonésia quanto o Brasil têm interesse em discutir a possibilidade de comercialização entre nós dois ser com as nossas moedas. Essa é uma coisa que nós precisamos mudar. O Século XXI exige que tenhamos a coragem que não tivemos no Século XX. Exige que a gente mude alguma forma de agirmos comercialmente para não ficarmos dependentes de ninguém
 
Lula está em visita de Estado a Indonésia e de lá segue para Kuala Lampur, na Malásia, para participar da 47ª cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean). Lula deve voltar ao Brasil na próxima terça-feira (28).
 
Confira a íntegra do discurso de Lula
 
"É uma grande honra participar deste Fórum Econômico acompanhado de ministros e de mais de cem empresários brasileiros.
 
Quando visitei a Indonésia pela primeira vez, há 17 anos, o mundo atravessava o colapso financeiro de 2008. O receituário neoliberal mostrou-se incapaz de conter a turbulência gerada no mundo desenvolvido. O Brasil provou que era possível crescer sem abrir mão da inclusão e do bem-estar social. Apostamos no mercado interno e na diversificação de nossas parcerias comerciais e saímos fortalecidos da crise. Naquele ano, realizei um périplo pelo Sudeste Asiático e vim a Jacarta com cerca de representantes do setor privado brasileiro.
 
Firmamos com a Indonésia a primeira parceria estratégica do Brasil no âmbito da ASEAN, que na época já era um dos polos dinâmicos do crescimento mundial. Desde então, nosso intercâmbio bilateral passou de 2,2 bilhões para 6,3 bilhões de dólares, em 2024. Avançamos muito, mas essas cifras certamente são incompatíveis com o grau de ambição de nossa Parceria Estratégica e nossa colaboração no âmbito do BRICS.
 
O intercâmbio bilateral permanece aquém do potencial de nossos países, que juntos somam meio bilhão de habitantes. A Indonésia já é o quinto maior parceiro do nosso agronegócio e destino importante das exportações de soja, açúcar, trigo, milho e café. Podemos contribuir para a segurança alimentar do povo indonésio, o que inclui o programa de alimentação escolar do presidente Prabowo, “Refeição Nutritiva Gratuita”.
 
Trabalhar para facilitar o comércio e baixar o custo dos consumidores finais é um compromisso que firmei com o presidente Subianto. A indústria brasileira também é competitiva em vários setores de elevado conteúdo tecnológico e valor agregado, como o aeronáutico e o espacial. O Acordo de Cooperação em Defesa, que colocamos em vigor em março deste ano, abre espaço para ampliar parcerias. A Força Aérea da Indonésia conhece bem as capacidades do Super Tucano. As aeronaves brasileiras de uso civil representam a melhor solução para companhias regionais — eficiência, baixo consumo e tecnologia de ponta.
 
O Brasil não quer apenas vender para a Indonésia. As importações brasileiras têm aumentado nos últimos anos, especialmente de óleo de palma, instrumentos musicais, calçados, motocicletas, bicicletas e máquinas para escritório. Apostamos em uma parceria equilibrada e mutuamente benéfica. Como dois dos maiores produtores de bioenergia do mundo, podemos criar juntos um mercado global de biocombustíveis. A Organização Marítima Internacional não pode adiar eternamente a decisão de descarbonizar o setor. O biocombustível de etanol é uma alternativa viável e imediatamente disponível.
 
Meus amigos e minhas amigas. Menos de vinte dias nos separam da COP30. Quadruplicar o uso de combustíveis sustentáveis é uma das propostas que levaremos à Belém. Vamos mostrar que é possível promover o desenvolvimento, enfrentar a mudança do clima e proteger as florestas tropicais e sua rica biodiversidade. O Brasil está recuperando 40 milhões de hectares de terras degradadas. Podemos expandir a produção de biocombustíveis, sem derrubar uma única árvore.
 
Ao sediar a COP-30 no coração da Amazônia, o Brasil quer mostrar que não há como preservar a natureza sem cuidar das pessoas. O apoio da Indonésia ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre tem sido fundamental para seu lançamento em Belém. O Brasil fez a sua parte e já anunciou investimento de 1 bilhão de dólares no Fundo. O TFFF gera dividendos tanto quem investe, como para quem protege o bioma, oferecendo uma alternativa de renda para quem preserva a floresta.
 
Apesar de termos só 30% da riqueza mineral devidamente mapeada, já contamos com 10% das reservas mundiais de minerais críticos, essenciais para a transição energética. A criação de um Conselho Nacional de Minerais Críticos, vinculado à Presidência da República, será um passo para garantir a soberania. A experiência indonésia de incentivar o processamento de minério bruto em seu território é um importante exemplo de como atrair investimentos e gerar empregos de maior qualidade.
 
Não pretendemos reproduzir a condição de meros exportadores de commodities. Queremos agregar valor em nosso território, com responsabilidade ambiental e respeito às comunidades locais. Contamos com a experiência de investimentos da Vale na Indonésia desde 1968, com minas de níquel em Sulawesi. A Indonésia, por sua vez, já é o 3º maior investidor da ASEAN no Brasil. Seu estoque de investimentos chega a US$ 1,8 bilhão, distribuído entre os setores sucroalcooleiro, de papel e celulose, tabaco, têxteis e logística portuária.
 
Meu governo está recuperando a capacidade de planejamento do Estado brasileiro e trabalhando para atrair cada vez mais investimentos. Os bons resultados alcançados são fruto de trabalho consistente de modernização regulatória e incentivos à inovação e a parcerias público-privadas. No ano passado, aprovamos uma reforma tributária para corrigir distorções históricas. Neste mês, a Câmara dos Deputados aprovou a isenção do imposto de renda para quem ganhar até aproximadamente mil dólares mensais, e o aumento de 10% para quem ganha mais de 100 mil dólares por ano.
 
Caros amigos e amigas. O Brasil cultiva uma tradição diplomática universalista. Queremos continuar a expandir nossas relações com o mundo — sem distinção ou alinhamentos automáticos. A ASEAN é um bloco de 680 milhões de habitantes e tem experimentado crescimento econômico acelerado e rápida evolução tecnológica. Seu PIB agregado é de quase 4 trilhões de dólares, o que representa a 4ª economia do mundo, atrás de Estados Unidos, China e Japão.
 
Ampliar a integração das nossas economias é uma escolha que se provou acertada. Em dezembro de 2023, na última presidência brasileira do MERCOSUL fechamos um acordo com Singapura. Durante nossa atual presidência, até o final do ano, vamos avançar nas tratativas para um Acordo de Comércio Preferencial MERCOSUL e a Indonésia. No âmbito do BRICS, o PIX brasileiro e o QRIS indonésio oferecem modelos de sistemas de pagamentos eficazes e acessíveis, que podem inspirar medidas que facilitarão o comércio em moedas locais entre os países do bloco.
 
Esse movimento também faz parte de uma estratégia mais ampla do Brasil de diversificar parcerias e facilitar o comércio. Como a Indonésia, o Brasil se opõe a medidas unilaterais e coercitivas que distorcem o comércio e limitam a integração econômica. É o setor privado, com parcerias e projetos conjuntos, que transformará nossa afinidade diplomática em prosperidade compartilhada para nossas sociedades. Indonésia e Brasil seguirão parceiros na construção de um futuro compartilhado de cooperação, desenvolvimento e justiça social.
 
Muito obrigado!"






















































































































Leia a íntegra da matéria no Brasil de Fato: https://www.brasildefato.com.br/