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Vitória: um time não se abandona nunca

26 de agosto de 2025 às 12:32

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É duro para a torcida do Esporte Clube Vitória suportar o que vem sendo feito com a história de um clube centenário. A derrota humilhante por 8 a 0 para o Flamengo, na segunda-feira, 25 de agosto, no Maracanã, foi mais do que um vexame: foi a comprovação de que falta planejamento, seriedade e compromisso à direção que insiste em conduzir o Rubro-Negro baiano ao abismo.
 

© Reprodução/Redes Sociais/ECV/Divulgação
 
Depois de atravessar um período doloroso, com a queda para a Série C e uma recuperação gigantesca — sustentada sobretudo pela paixão e pela garra da torcida —, o Vitória corre agora o risco de repetir velhos fantasmas, revivendo derrotas e ameaças de rebaixamento.
 
A goleada sofrida precisa simbolizar um basta. Não se trata apenas de um resultado desastroso, mas do retrato de um ciclo de poder concentrado nas mãos de um mesmo grupo há décadas. Um grupo que só troca nomes em eleições de cartas marcadas, mas mantém o controle como se o clube fosse propriedade particular.
 
A resistência em transformar o Vitória em SAF não nasce do temor de perder identidade — como ocorre em outros clubes —, mas do apego dessa diretoria em manter privilégios, recusando qualquer tipo de concorrência. As desculpas apresentadas à torcida não passam de cortinas de fumaça para proteger interesses de poucos, em detrimento de muitos.
 
Chegou a hora de virar a página. O Vitória precisa de mudanças estruturais urgentes: abrir o debate público sobre SAF, antecipar eleições, democratizar o estatuto e garantir que todo associado, em qualquer categoria, tenha direito a voto. O clube só renascerá se for devolvido ao seu verdadeiro dono: o torcedor.
 
Porque o torcedor, este sim, nunca abandona. É ele que veste a camisa no ônibus, no metrô, no trabalho, nas ruas, e carrega o orgulho rubro-negro em qualquer circunstância. Jogadores passam, dirigentes passam, mas a torcida permanece.
 
O Vitória é maior que qualquer grupo que tente macular sua história. E justamente por isso, é hora de mudança: porque um time não se abandona nunca — mas também não pode ser deixado nas mãos de quem o conduz à derrota.
 
Por Ivandilson Miranda Silva, doutor em Educação e Contemporaneidade pela UNEB e Mestre em Cultura e Sociedade pela UFBA. Professor. E-mail: ivanvisk@gmail.com