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Clima é maior desafio que humanidade já enfrentou, diz Al Gore

13 de agosto de 2025 às 11:40

meio ambiente/crise climática
O ex-vice-presidente dos Estados Unidos e ativista ambiental Al Gore (na direita da foto) disse ontem, terça-feira (12) que as pessoas em todo o mundo não estão entendendo completamente a seriedade da crise climática que, para ele, é o desafio mais sério que a humanidade já enfrentou.
 

Ativista ambiental Al Gore no evento “Mudança Climática, Desenvolvimento
Sustentável e Democracia”, organizado pelo  BNDES
© Cris Silva/BNDES
 
Ex-vice-presidente democrata criticou
tarifaço de Trump
 
O político americano participou do evento “Mudança Climática, Desenvolvimento Sustentável e Democracia”, debate organizado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no Rio de Janeiro, com participação do presidente do banco, Aloizio Mercadante.
 
A gravidade desta crise climática ainda não é totalmente compreendida por um número grande de pessoas. É o desafio mais sério que a humanidade já enfrentou. Alguns diriam que a ameaça de uma guerra nuclear também estaria nessa categoria. Conseguimos lidar com esse risco", disse Al Gore.
 
É por isso que a temperatura em São Paulo, em fevereiro, foi de 44 graus Celsius (ºC). É por isso que a temperatura em Bagdá foi de 50 graus hoje, e toda a rede elétrica nacional entrou em colapso. É por isso que todas aquelas pessoas morreram nas enchentes. É por isso que ocorreu a chuva torrencial que atingiu o Rio Grande do Sul há um ano”, complementou.
 
Aloizio Mercadante concordou que o momento é de urgência no enfrentamento da crise climática. E destacou o papel do Banco em lidar com o problema no país.
 
"Estamos há dois anos com a temperatura média da Terra acima de 1,5ºC. Superou tudo o que era o cenário mais preocupante do aquecimento global. Estamos cada dia sendo chamados a responder aos desastres cada vez mais frequentes e mais intensos. O Banco tem uma diretoria só pra tratar de desastres naturais, urgências, emergências, resiliência e reconstrução. Só no Rio Grande do Sul tivemos que investir R$ 29 bilhões para recuperar o estado", disse Mercadante.
 
Al Gore reforçou que más notícias sobre fenômenos climáticos têm sido cada vez mais frequentes, mas disse acreditar em iniciativas que possam mudar esse cenário. A liderança brasileira na COP30 é vista por ele como estratégica para que os países possam chegar a acordos efetivos e reduzir emissões dos gases de efeito estufa.
 
Às vésperas da COP30, minha maior esperança é que o mundo acorde para a seriedade do desafio e para o fato de que devemos aproveitar a oportunidade para resolvermos esta crise”, disse o ex-vice presidente dos EUA entre 1993 e 2001, quando governou com Bill Clinton.
 
O Brasil sediou a Cúpula da Terra [Rio-92] muito bem. Estou muito otimista de que a COP30 será um sucesso. O que temos que evitar é um impasse, a falta de progresso. Uma das inovações do presidente Lula, liderada pela ministra do Meio Ambiente Marina Silva, é o Global Ethical Stocktake [Balanço Ético Global], que é totalmente novo. O Brasil é a primeira nação a ter uma ideia dessas. E eu acho que é uma inovação brilhante e pessoalmente estou ansioso por isso também”, complementou.
 
O Balanço Ético Global é uma iniciativa que propõe dar maior protagonismo à sociedade civil nas decisões climáticas. A ideia é promover eventos intercontinentais independentes que reúnam lideranças sociais, culturais, empresariais, científicas e políticas. As contribuições desses encontros farão parte de uma síntese global, que será levada até a presidência da COP30.
 
Tarifaço de Trump
 
Democrata, Al Gore voltou a falar de forma crítica sobre o tarifaço imposto pelo governo do republicano Donald Trump ao Brasil. No início de julho, o presidente dos EUA anunciou tarifas de 50% para produtos brasileiros, tendo como justificativa supostas perseguições às big techs estadunidenses e ao aliado Jair Bolsonaro.
 
Al Gore enfatizou o longo histórico de boas relações entre Brasil e EUA, e chegou a pedir desculpas pelas ações de Donald Trump.
 
A relação entre o Brasil e os Estados Unidos não deve ser vista pelas lentes de Donald Trump, de Jair Bolsonaro, dos seus filhos ou de qualquer um de seus apoiadores. O povo dos Estados Unidos e o povo do Brasil têm uma relação muito longa, maravilhosa e mutuamente benéfica. Isso continuará, aconteça o que acontecer”, disse Al Gore.
 
É tradição no meu país que um cidadão não critique seu próprio presidente quando está em um país estrangeiro. Suponho que também seja impróprio da minha parte pedir desculpas por ele [Trump], mas peço desculpas. Estes são tempos perigosos, não apenas nos Estados Unidos”, complementou.
 
Mercadante criticou as medidas tomadas por Trump, por não refletirem a realidade comercial entre os países.
 
"Muito difícil para um país como o Brasil, onde os Estados Unidos tem o sexto maior superávit comercial, sofrer um ataque comercial de 50% como estamos assistindo. Isso gera um desafio muito importante, porque as razões alegadas não estão ancoradas na diplomacia do comércio", disse o presidente do BNDES.
 
Da Agência Brasil