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Gostamos muito de você, Leãozinho: Viva Caetano Veloso

07 de agosto de 2025 às 17:33

pauta livre
Tempo, tempo, tempo, tempo...
Ah, Caetano. O senhor do tempo nos brinda mais uma vez com a alegria de celebrar seus 83 anos e lembrando o amigo Hamilton Queiroz, seu fã incondicional: nós, humildes ouvintes e apaixonados da sua arte, só podemos agradecer — e festejar.
 

cantor e compositor Caetano Veloso
© Reprodução/Redes Sociais/Instagram/
 
Caetano Veloso é dessas figuras que parecem ter nascido para iluminar o mundo com música, pensamento e beleza. Uma "Beleza Pura" — dessas que não se explica, só se sente. Um corpo inteiro de Brasil que canta “outras palavras”, que sussurra com uma voz tamanha os desejos, as dores e os delírios de um país.
 
Caetano é Recôncavo, filho de Dona Canô e Seu Zeca, irmão da abelha mais rainha que já existiu, Maria Bethânia. É raiz profunda e folha que dança com o vento. Sempre foi irreverente, inquieto, corajoso. Nunca teve medo de enfrentar os “podres poderes”, especialmente os ditadores que tentaram  silenciar seu  canto. Por isso foi preso, por isso foi exilado. E mesmo longe, era mais Brasil do que muitos que ficaram.
 
No exílio, foi lembrado com carinho por Erasmo e Roberto Carlos, que enviaram em forma de canção um gesto de afeto: “Debaixo dos caracóis dos seus cabelos”. Caetano respondeu com “Força Estranha”, eternizada na voz imensa de Gal Costa — um presente de volta, como se dissesse: “estou aqui, mesmo distante”.
 
Caetano sempre foi verbo em movimento. Foi quem declarou:
Onde queres dinheiro, sou paixão”,
É proibido proibir”,
Gente é pra brilhar”,
Deixa eu dançar pro meu corpo ficar odara”.
 
E dançou. E nos fez dançar.
Com “Queixa”, ele nos lembra do amor que arrasa: “princesa, surpresa, você me arrasou”.
Com “Você é linda”, entrega-se ao encantamento: “mais que demais, você é linda sim”.
E mesmo com “Sozinho”, composição do grande Peninha, nos ensinou que “quando a gente gosta, é claro que a gente cuida”.
 
Caetano é amor, política, desejo, pensamento, rebeldia, doçura.
É a música que quebra o gelo, que aquece a alma, que arrepia a pele.
É artista no mais profundo sentido da palavra. Um provocador de catarse. 
 
E por mais que a gente queira seguir falando — porque falar de Caetano é como entrar num rio que não tem fim —, é melhor guardar um pouco de silêncio para saborear a saudade do próximo verso.
 
Finalizo com “Leãozinho”, que parece que ele escreveu para si mesmo, nascido em agosto, leonino de alma e de presença. A nós, só resta repetir em coro:
 
Gosto muito de você, Leãozinho.

Vida longa, Caetano. Obrigado por existir. 
 

Por Ivandilson Miranda Silva,  Doutor em Educação e Contemporaneidade pela Universidade do Estado da Bahia.