Outro dia acordei com uma melodia na cabeça. Aquela do Raulzito, sabe? “Plunct, Plact, Zum, não vai a lugar nenhum...” Mas, em vez de uma nave espacial sem destino, quem me veio à mente foi ele: o “tarifador maluco”, Donald Trump. O homem que, em pleno 2025, ainda acredita que o mundo gira em torno do seu topete.

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Mudando a letra da música, comecei o dia cantando assim:
“Trump, o tarifador maluco, quer taxar o mundo todo, plunct, plact, zum, vai cair no próprio lodo.”
E foi aí que tudo fez sentido.
O ex-presidente dos Estados Unidos (que na prática, ainda age como se fosse o dono da Casa Branca, da Disney, do mundo e do planeta Marte), resolveu que o problema da decadência americana é a falta de tarifa. Isso mesmo. Taxar o planeta virou sua cruzada pessoal. México? Tarifa. China? Tarifa. Brasil? Tarifa. Marte? Provavelmente também, se ele descobrir que há comércio por lá.
O que Trump não percebe, ou finge não perceber, é que o mundo mudou. O dólar já não é mais o rei absoluto do baile. Os BRICS crescem sorrateiros e sólidos, enquanto ele, o “topetudo”, continua tentando soprar vida numa hegemonia que escorre pelos dedos como areia de praia. A verdade é que Trump ainda se vê como um "poderoso chefinho", mas a realidade é mais dura: não passa de um figurante que esqueceu de sair da cena.
E o pior, minha gente, é que o “tarifador maluco” arrumou fã-clube no Brasil. Isso mesmo. O único lugar no mundo onde se registrou manifestação a favor das tarifas de Trump foi aqui. Milhares nas ruas com bandeiras dos Estados Unidos, faixas em inglês e um entusiasmo digno de final de Copa. Detalhe: tudo isso para apoiar um líder estrangeiro que está, literalmente, tentando ferrar com a economia brasileira.
E aí me pergunto: onde está o senso de soberania? Que patriotismo é esse que bate continência para o algoz do próprio país? É a dissonância cognitiva em sua forma mais pura, digna de estudo de caso. Gente com a camisa da seleção brasileira no corpo, mas com a alma entregando o ouro (e o aço, e a soja, e tudo mais) pro gringo.
É como disse outro sábio: “o Brasil não é para amadores.” Vivemos num país onde o inimigo bate na porta e tem quem estenda o tapete vermelho. Enquanto isso, na Casa Branca, o “tarifador maluco” ri, esfrega as mãos e segue tramando. Aqui, a gente lida com as ameaças externas... e com as internas também.
Durma com esse barulho.
E quando tudo parecer insuportável, faz assim: baixa a cabeça, respira fundo, liga o som e pede pra tocar Raul. Porque se o mundo tá virando distopia, pelo menos que tenha uma trilha sonora que preste.
“Plunct, plact, zum... Trump não vai a lugar nenhum.”
Boa viagem e até outra vez.
Por
Ivandilson Miranda Silva, Doutor em Educação e Contemporaneidade pela UNEB.