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Trump, a Extrema Direita e o Ataque ao Brasil

10 de julho de 2025 às 18:12

pauta livre
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, figura central da extrema direita mundial, voltou a demonstrar que seus interesses estão alinhados com os setores mais reacionários e antidemocráticos do planeta — e, agora, explicitamente contra o Brasil. Em uma carta enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quarta-feira (9), Trump anunciou a imposição de uma tarifa de 50% sobre todas as exportações brasileiras aos Estados Unidos, com vigência a partir de 1º de agosto de 2025.
 

© Reprodução/Google/Divulgação
 
O gesto agressivo não é apenas econômico: é político, ideológico e vingativo. Trump utiliza sua posição para interferir diretamente na soberania brasileira, citando como justificativa seu apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente réu no Supremo Tribunal Federal por tentativa de golpe de Estado. Ao criticar duramente o STF e defender Bolsonaro, Trump tenta transformar um criminoso investigado em mártir da “liberdade”, enquanto ataca o sistema judicial brasileiro.
 
É uma Caça às Bruxas que deve acabar IMEDIATAMENTE!”, escreveu Trump, em tom de provocação, ecoando a mesma retórica que usou para tentar se proteger das diversas acusações que enfrenta nos Estados Unidos. Ao atacar o julgamento de Bolsonaro e denunciar uma suposta censura por parte do STF, Trump revela uma perigosa articulação da extrema direita internacional e local para deslegitimar as instituições democráticas — seja em Washington, Brasília ou qualquer outro lugar onde a justiça tente fazer valer a lei contra golpistas.
 
Além do ataque direto à democracia brasileira, Trump acusa o Brasil de promover uma relação comercial "injusta", uma alegação desprovida de fundamento e motivada por interesses eleitoreiros e ideológicos. A imposição da tarifa é um claro gesto de retaliação política, intensificado após críticas trocadas entre Trump e Lula durante a preparação da cúpula do BRICS no Rio de Janeiro. A cúpula, símbolo do fortalecimento de alianças sul-sul e da busca por um mundo multipolar, incomoda profundamente os setores ultraconservadores que desejam manter a dominação econômica e geopolítica do norte global.
 
Este novo episódio escancara o que já era evidente: Trump e a extrema direita brasileira não querem ver o Brasil soberano, democrático e com voz ativa no mundo. Querem um país submisso, dominado por interesses alheios ao seu povo. A resposta a esse ataque deve ser firme, unificada e baseada na defesa intransigente da democracia, da justiça e dos interesses nacionais. O Brasil não pode aceitar calado esse tipo de agressão — nem do exterior, nem dos que aqui dentro ainda sonham com o retorno da barbárie. O Brasil é dos brasileiros e não vai se curvar diante de tentativas de intervenções externas e do apoio de traidores da pátria.       
Um país democrático, autônomo, independente e livre de interesses externos é o que queremos. Traidores não passarão! 
 

Por Ivandilson Miranda Silva, doutor em Educação e Contemporaneidade pela Universidade do Estado da Bahia. Professor