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Ter câncer na juventude eleva risco de depressão e ansiedade no futuro

06 de julho de 2025 às 18:42

saúde/agência einstein
Adultos que tiveram câncer quando eram jovens sofrem mais de transtornos mentais como depressão ou ansiedade do que aqueles que não enfrentaram a doença ou que foram diagnosticados mais velhos. O dado é de um estudo inédito feito por cientistas da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, e publicado em maio no periódico científico Jama.
 

© Reprodução/Agência Einstein
 
Estudo aponta que enfrentar a doença
precocemente pode deixar marcas duradouras
na saúde mental, mesmo décadas
após o diagnóstico
 
Segundo os autores, embora o impacto do tratamento do câncer na saúde mental seja bem documentado, há poucos estudos sobre a trajetória dos sobreviventes ao longo da vida. “Não se fala sobre esse tema especificamente, mas é sabido que eventos estressantes ou traumáticos na infância e na adolescência aumentam risco de transtornos mentais na fase adulta”, diz o psiquiatra Elton Kanomata, do Einstein Hospital Israelita.
 
Para avaliar os desfechos sobre saúde mental em adultos acima dos 50 anos, os autores utilizaram dados do Health and Retirement Study (HRS), um estudo que reúne dados de cerca de 40 mil participantes, entrevistados a cada dois anos desde 1992.
 
Os voluntários foram divididos em três grupos: aqueles com histórico de câncer na adolescência ou quando adulto jovem, os diagnosticados após os 40 anos e aqueles que nunca tiveram a doença.
 
A análise revela que aqueles que enfrentaram um tumor entre os 15 e os 39 anos têm maior prevalência de transtornos psiquiátricos e fazem mais uso de medicamentos para ansiedade e depressão em relação aos diagnosticados mais tarde. A taxa de problemas de saúde mental nesse público foi de 16% contra 37% no outro; e de necessidade de remédios foi de 25% contra 33% nos demais.
 
Para os autores, os resultados sugerem que o estresse da doença em uma etapa precoce da vida — incluindo efeitos colaterais, questões sobre fertilidade e até financeiros — podem ter efeitos duradouros. Segundo o artigo, médicos e demais profissionais da saúde devem levar em conta esse impacto ao tratar esses pacientes.
 
Por Gabriela Cupani, da Agência Einstein