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Movimentos populares lançam carta e plebiscito por justiça tributária

03 de julho de 2025 às 17:07

manifestação/movimentos sociais
Organizações sociais, movimentos populares, entidades estudantis e da sociedade civil lançaram uma carta defendendo, entre outros pontos, maior justiça tributária no país, com maior taxação dos super-ricos, fim dos supersalários no Judiciário e revisão das renúncias fiscais. Assinado por mais de 70 entidades, o documento defende a isenção do imposto de renda de quem ganha até R$ 5 mil por mês com a cobrança de mais impostos de quem ganham mensalmente mais de R$50 mil. Um plebiscito popular sobre o tema também foi lançado.
 

A Frente Povo Sem Medo ocuparam hoje a sede do Itaú na Faria Lima
© Frente Povo Sem Medo
 
Pautas incluem isenção do IR para quem
ganha até R$ 5 mil por mês
 
Na avaliação das organizações, há uma ofensiva dos setores mais privilegiados da sociedade para obrigar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a fazer cortes no orçamento de áreas sociais e reformas que retiram recursos da área da saúde, educação e da previdência.
 
Querem obstruir medidas apresentadas pelo governo para tributar especuladores do mercado financeiro, que são privilegiados pelo nosso sistema de impostos que penaliza quem vive de salários e protege quem tem renda de mais de R$ 1 milhão por mês. Além disso, bloqueiam medidas para enfrentar os supersalários de juízes e desembargadores e a aposentadoria dos militares”, diz a carta.
 
Assinado, entre outros, pelo Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH), Movimento Negro Unificado (MNU), pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), o Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), o Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) o texto também denuncia que o Congresso Nacional age como “guardião dos privilégios”, das elites econômicas e políticas.
 
O documento aponta ações do parlamento para bloquear as tentativas de “construir um sistema tributário mais progressivo e de acabar com privilégios para distribuir melhor a riqueza e reduzir as desigualdades históricas que marcam o Brasil”.
 

A Frente Povo Sem Medo protestou nesta quinta-feira na sede do Itaú, em São Paulo. Frente Povo Sem Medo]
Na carta, as organizações populares, como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), a União Brasileira de Mulheres (BM), a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a Central dos Movimentos Populares (CMP), pedem que o Congresso Nacional aprove medidas como tributação dos super-ricos, de transações financeiras, fundos de especulação e das empresas exportadoras, aumentando a taxação sobre altas rendas, capital e lucros.
 
A necessidade de revisão das renúncias fiscais dadas a diversos setores da economia é outro ponto apontado na carta. O documento afirma que as renúncias correspondem a 4,8% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.
 
Também é preciso, argumentam os movimentos signatários, restringir os gastos com emendas parlamentares, que estão na faixa de R$ 50 bilhões por ano. Além disso, é necessário defender recursos para a seguridade social, posicionam-se, rechaçando uma possível nova reforma da previdência e a desvinculação das aposentadorias do salário-mínimo. Outro ponto defendido é a manutenção dos pisos constitucionais da saúde e da educação.
 
A preservação das áreas sociais e as políticas públicas para moradia, reforma agrária, direitos das mulheres, igualdade racial e direitos humanos e a proteção dos serviços públicos e o atendimento aos cidadãos também são apontadas como importantes. As entidades rejeitam propostas de reforma administrativa que prejudiquem a população.
 
É hora de pressionar o Congresso e exigir que o Orçamento Público sirva à maioria, não aos interesses de uma minoria privilegiada”, finaliza o documento.
 
Plebiscito
 
A proposta de escuta popular, batizada como “Plebiscito Popular Por um Brasil mais Justo”, vai perguntar a opinião da população sobre a isenção do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF) para quem ganha até R$ 5 mil, a taxação de quem ganha mais de R$ 50 mil por mês, e sobre o fim da escala 6×1. O plebiscito para ouvir a população vai até sete de setembro.
 
Uma cartilha foi lançada detalhando os eixos principais da mobilização, dos temas que serão votados e orientações para a realização da votação.
 

Ato do Dia do Trabalhador pede o fim da escala 6x1 e melhores condições de trabalho e renda, na Cinelândia, no centro da capital fluminense. Tomaz Silva/Agência Brasil
Assinam a carta:
 
       - Frente Brasil Popular;
       - Frente Povo Sem Medo;
       - ADUFMS – Associação dos Docentes da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul;
       - ADUFSJ – Associação dos Docentes da Universidade Federal de São João del-Rei;
       - APUBH/UFMG – Sindicato dos Professores da Universidade Federal de Minas Gerais;
       - Associação de Apoio aos Direitos Humanos do Alto Tietê;
       - Associação Mulheres Evangélicas pela Igualdade de Gênero;
       - Casa Laudelina de Campos Mello – Organização da Mulher Negra / Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras;
       - Casa Marielle Franco Brasil;
       - CESE – Coordenadoria Ecumênica de Serviço;
       - CFEMEA – Centro Feminista de Estudos e Assessoria;
       - Centro de Assessoria e Apoio aos Trabalhadores/as da Região Metropolitana de Fortaleza;
       - Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos;
       - CMP – Central dos Movimentos Populares;
       - CMP-MS – Central dos Movimentos Populares de Mato Grosso do Sul;
       - CONAM – Confederação Nacional das Associações de Moradores;
       - DCE-UNIMONTES – Diretório Central dos Estudantes da Universidade Estadual de Montes Claros;
       - DIEESE – Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos;
       - Diretório Acadêmico de Geografia da Universidade Federal de Alagoas;
       - Evangélicos pela Justiça;
       - FECOSUL - Federação dos Comerciários do Sul;
       - FMPE – Fórum de Mulheres de Pernambuco;
       - FMM – Fórum Maringaense de Mulheres;
       - FNRU – Fórum Nacional de Reforma Urbana;
       - Fórum Alagoano de Economia Solidária;
       - Fórum da Amazônia Oriental;
       - IBASE – Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas;
       - IJF – Instituto Justiça Fiscal
       - INESC – Instituto de Estudos Socioeconômicos;
       - Instituto Alziras;
       - Instituto Soma Brasil;
       - Instituto Vidas Amazônicas – Gênero, Democracia e Justiça Socioambiental;
       - Iser Assessoria;
       - Jubileu Sul Brasil;
       - KOINONIA – Presença Ecumênica e Serviço;
       - LabdadosBrasil;
       - Levante Popular da Juventude;
       - Marcha Mundial das Mulheres;
       - MNCP-PE – Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas – Pernambuco;
       - MNDH – Movimento Nacional de Direitos Humanos;
       - MNU – Movimento Negro Unificado;
       - Movimento Brasil Popular;
       - Movimento Vaitegorda;
       - MST – Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra;
       - MTST – Movimento dos Trabalhadores Sem Teto;
       - N’ZINGA – Coletivo de Mulheres Negras de Minas Gerais;
       - ONG Taramela ATAC;
       - OXFAM – Oxfam Brasil;
       - Panela de Expressão – Etnogastronomia, Gênero e Comunicação;
       - Partido Comunista Brasileiro – Célula de Maringá/PR;
       - Pastoral da Juventude Rural;
       - Pastoral dos Grupos de Família;
       - Plataforma dos Movimentos Sociais por Outro Sistema Político;
       - Processo de Articulação e Diálogo entre Agências Ecumênicas Europeias e Parceiros Brasileiros;
       - PSOL – Partido Socialismo e Liberdade;
       - PSOL-AL – PSOL Alagoas;
       - PSOL – PSOL Maringá/PR;
       - PÚBLICA – Central do Servidor;
       - Rede Brasil Afroempreendedor;
       - Rede da Agricultura Familiar;
       - Rede de Desenvolvimento Humano;
       - Rede Feminista de Saúde;
       - Rede Quilombação;
       - REDE SAPATÀ – Rede Nacional da Promoção e Controle Social da Saúde, Cultura e Direitos LGBTs;
       - Negras;
       - Resistência PSOL;
       - Resistência/PSOL – Rio das Ostras/RJ;
       - SASEAL – Sindicato dos Assistentes Sociais do Estado de Alagoas
       - SEB – Sindicato dos Engenheiros da Bahia;
       - Sempreviva Organização Feminista;
       - SINDAEN – Sindicato dos Trabalhadores no Saneamento;
       - SINSEP/MS – Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Federal de Mato Grosso do Sul;
       - SOS CORPO – Instituto Feminista para a Democracia;
       - Terra de Direitos;
       - UBM – União Brasileira de Mulheres;
       - UNE – União Nacional dos Estudantes;
       - GRUPO CURUMIM;
       - Coletivo Popular Direito à Cidade – Porto Velho – Rondônia;
       - Sintracoop Maringá;
 
Da Agência Brasil