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Mais de 70 entidades lançam carta em defesa da justiça tributária e ‘pelo fim dos privilégios’

03 de julho de 2025 às 11:44

economia/justiça tributária
Mais de 70 organizações sociais, movimentos populares, coletivos feministas, entidades estudantis e entidades da sociedade civil lançaram uma carta para denunciar a pressão de setores econômicos e políticos para obrigar o Governo Lula (PT) a fazer cortes no orçamento de áreas sociais e retirar recursos das áreas da saúde, educação e da previdência.
 

© Reprodução/iclnoticias.com.br/
 
Carta denuncia a atuação de setores econômicos
e da maioria do Congresso Nacional para impedir a aprovação de medidas para tributar as altas
rendas e eliminar privilégios no Judiciário
e nas Forças Armadas
 
Entre os movimentos populares, estão o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), a União Nacional dos Estudantes (UNE)e a Central dos Movimentos Populares (CMP). Também assinam a carta entidades do movimento negro e de mulheres.
 
O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), o INESC (Instituto de Estudos Socioeconômicos), o IBASE (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas) e a Oxfam Brasil também assinam o documento.
 
A carta denuncia a atuação de setores econômicos e da maioria do Congresso Nacional para impedir a aprovação de medidas para tributar as altas rendas e eliminar privilégios no Judiciário e nas Forças Armadas. As entidades exigem do Congresso Nacional a aprovação do projeto que isenta do pagamento de imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês, que está em tramitação em comissão especial na Câmara dos Deputados, sob relatoria do deputado federal Arthur Lira (PP-AL).
 
Não aceitamos que as medidas para manter o equilíbrio fiscal sustentem os privilégios da grande burguesia, dos militares e do alto escalão do Judiciário, às custas dos direitos dos mais pobres, dos trabalhadores e dos setores médios”, diz a carta.
 

Jerônimo Rodrigues, Lula e Janja
 (Foto: Ricardo Stuckert/PR)
 
Entidades lançaram ‘Plebiscito Popular’
 
Nesta terça-feira (1º), os movimentos também lançaram o “Plebiscito Popular Por um Brasil mais Justo”, que vai até 7 de setembro. A consulta popular perguntará à população sobre o fim da escala 6×1, a taxação de quem ganha mais de R$ 50 mil e a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil.
 
O Congresso — majoritariamente formado por representantes das elites econômicas e políticas — age como guardião dos privilégios. Bloqueia qualquer tentativa de construir um sistema tributário mais progressivo e de acabar com privilégios para distribuir melhor a riqueza e reduzir as desigualdades históricas que marcam o Brasil”, dizem as entidades.
 
Não aceitamos que as medidas para manter o equilíbrio fiscal sustentem os privilégios da grande burguesia, dos militares e do alto escalão do Judiciário, às custas dos direitos dos mais pobres, dos trabalhadores e dos setores médios”, completa.
 
Os movimentos pedem:
 
       - Isenção do imposto de renda de quem ganha até R$ 5.000,00 por mês com a cobrança de mais impostos de 141 mil pessoas que ganham mensalmente mais de R$ 50.000,00;
       - Tributação dos super-ricos, de transações financeiras, fundos de especulação e das empresas exportadoras, aumentando a taxação sobre altas rendas, capital e lucros;
       - Revisão das renúncias fiscais que correspondem a 4,8% do PIB brasileiro, somando a cada ano R$ 500 bilhões em impostos “perdoados”;
       - Acabar com os privilégios do alto escalão do Judiciário com os supersalários, que representam um gasto de R$ 7 bilhões em remunerações acima do teto estabelecido pela Constituição, e da aposentadoria dos militares, que pode render uma economia anual de R$ 2 bilhões aos cofres públicos;
       - Restringir os gastos com emendas parlamentares que estão na faixa de R$ 50 bilhões por ano.
 
As entidades também defendem que o Congresso Nacional:
 
       - Preserve os recursos da seguridade social, garantindo os direitos previdenciários e assistenciais, rejeitando uma nova reforma da previdência e a desvinculação das aposentadorias do salário-mínimo;
       - Proteja os pisos constitucionais da saúde e da educação, importantes pilares do Estado de bem-estar social;
       - Proteja os serviços públicos e o atendimento aos cidadãos, rejeitando propostas de reforma administrativa que prejudiquem a população;
       - Preserve as áreas sociais e as políticas públicas para moradia, reforma agrária, direitos das mulheres, igualdade racial e direitos humanos.
 
É hora de pressionar o Congresso e exigir que o Orçamento Público sirva à maioria, não aos interesses de uma minoria privilegiada”, diz a carta.
 
Veja a lista de entidades:
 
       - Frente Brasil Popular;
       - Frente Povo Sem Medo;
       - ADUFMS – Associação dos Docentes da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul;
       - ADUFSJ – Associação dos Docentes da Universidade Federal de São João del-Rei;
       - APUBH/UFMG – Sindicato dos Professores da Universidade Federal de Minas Gerais;
       - Associação de Apoio aos Direitos Humanos do Alto Tietê;
       - Associação Mulheres Evangélicas pela Igualdade de Gênero;
       - Casa Laudelina de Campos Mello – Organização da Mulher Negra / Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras;
       - Casa Marielle Franco Brasil;
       - CESE – Coordenadoria Ecumênica de Serviço;
       - CFEMEA – Centro Feminista de Estudos e Assessoria;
       - Centro de Assessoria e Apoio aos Trabalhadores/as da Região Metropolitana de Fortaleza;
       - Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos;
       - CMP – Central dos Movimentos Populares;
       - CMP-MS – Central dos Movimentos Populares de Mato Grosso do Sul;
       - CONAM – Confederação Nacional das Associações de Moradores;
       - DCE-UNIMONTES – Diretório Central dos Estudantes da Universidade Estadual de Montes Claros;
       - DIEESE – Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos;
       - Diretório Acadêmico de Geografia da Universidade Federal de Alagoas;
       - Evangélicos pela Justiça;
       - FECOSUL - Federação dos Comerciários do Sul;
       - FMPE – Fórum de Mulheres de Pernambuco;
       - FMM – Fórum Maringaense de Mulheres;
       - FNRU – Fórum Nacional de Reforma Urbana;
       - Fórum Alagoano de Economia Solidária;
       - Fórum da Amazônia Oriental;
       - IBASE – Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas;
       - IJF – Instituto Justiça Fiscal
       - INESC – Instituto de Estudos Socioeconômicos;
       - Instituto Alziras;
       - Instituto Soma Brasil;
       - Instituto Vidas Amazônicas – Gênero, Democracia e Justiça Socioambiental;
       - Iser Assessoria;
       - Jubileu Sul Brasil;
       - KOINONIA – Presença Ecumênica e Serviço;
       - LabdadosBrasil;
       - Levante Popular da Juventude;
       - Marcha Mundial das Mulheres;
       - MNCP-PE – Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas – Pernambuco;
       - MNDH – Movimento Nacional de Direitos Humanos;
       - MNU – Movimento Negro Unificado;
       - Movimento Brasil Popular;
       - Movimento Vaitegorda;
       - MST – Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra;
       - MTST – Movimento dos Trabalhadores Sem Teto;
       - N’ZINGA – Coletivo de Mulheres Negras de Minas Gerais;
       - ONG Taramela ATAC;
       - OXFAM – Oxfam Brasil;
       - Panela de Expressão – Etnogastronomia, Gênero e Comunicação;
       - Partido Comunista Brasileiro – Célula de Maringá/PR;
       - Pastoral da Juventude Rural;
       - Pastoral dos Grupos de Família;
       - Plataforma dos Movimentos Sociais por Outro Sistema Político;
       - Processo de Articulação e Diálogo entre Agências Ecumênicas Europeias e Parceiros Brasileiros;
       - PSOL – Partido Socialismo e Liberdade;
       - PSOL-AL – PSOL Alagoas;
       - PSOL – PSOL Maringá/PR;
       - PÚBLICA – Central do Servidor;
       - Rede Brasil Afroempreendedor;
       - Rede da Agricultura Familiar;
       - Rede de Desenvolvimento Humano;
       - Rede Feminista de Saúde;
       - Rede Quilombação;
       - REDE SAPATÀ – Rede Nacional da Promoção e Controle Social da Saúde, Cultura e Direitos LGBTs;
       - Negras;
       - Resistência PSOL;
       - Resistência/PSOL – Rio das Ostras/RJ;
       - SASEAL – Sindicato dos Assistentes Sociais do Estado de Alagoas
       - SEB – Sindicato dos Engenheiros da Bahia;
       - Sempreviva Organização Feminista;
       - SINDAEN – Sindicato dos Trabalhadores no Saneamento;
       - SINSEP/MS – Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Federal de Mato Grosso do Sul;
       - SOS CORPO – Instituto Feminista para a Democracia;
       - Terra de Direitos;
       - UBM – União Brasileira de Mulheres;
       - UNE – União Nacional dos Estudantes;
       - GRUPO CURUMIM;
       - Coletivo Popular Direito à Cidade – Porto Velho – Rondônia;
       - Sintracoop Maringá;
 
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