Neste domingo (02/03) o Brasil vive todas as expectativas em torno da cerimônia do Oscar 2025 que pode premiar o filme Ainda Estou Aqui, baseado no livro de Marcelo Rubens Paiva. É um domingo de carnaval, mas no momento em que forem anunciados os vencedores das categorias, sobretudo das categorias em que o filme está concorrendo: melhor filme estrangeiro, melhor filme e melhor atriz (Fernanda Torres), certamente o país vai parar para acompanhar.

Cena do filme Ainda estou aqui © Alile Dara Onawale/Sony Picutres
Na verdade, o filme já é um grande vencedor pelos 38 prêmios que recebeu, desde que começou a percorrer o circuito de festivais no ano passado e, também, por discutir um tema extremamente espinhoso e necessário na sociedade brasileira sobre a ditadura civil-militar de 1964 a 1985. Para as novas gerações, esse tema é importantíssimo, porque o filme mostra como a ditadura destruiu a vida de uma família quando sequestra o ex-deputado Rubens Paiva, tortura e mata, sumindo com o corpo dele, até hoje não encontrado.
O filme mostra como essa família vai viver sem a presença do pai, tendo Eunice Paiva (mãe extremamente forte) que vai enfrentar todo esse processo para provar que Rubens Paiva foi morto por um regime autoritário que, também, matou mais de 400 pessoas e torturou mais de 20 mil, segundo estudo divulgado pela Human Rights Watch em 2019. O filme evidencia as atrocidades de um regime extremamente ruim, desumano que perdurou durante 21 anos e narra luta de Eunice que dedicou 40 anos de sua vida para buscar a verdade sobre o desaparecimento de seu marido.
A obra é uma oportunidade para que toda a sociedade reflita sobre o que muitos deputados estão tentando aprovar no Congresso Nacional propondo a anistia para os criminosos do 8 de janeiro de 2023 quando tentaram dar um golpe na democracia não reconhecendo a vitória eleitoral do Presidente Lula. Esse evento, também, mostra o envolvimento do ex-presidente Bolsonaro numa trama macabra junto com seus asseclas para matar o Presidente Lula, o Vice-presidente Geraldo Alckmin e o Ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. Eles queriam tomar o poder.
A película nos alerta sobre a necessidade de questionarmos e lutarmos contra essa anistia vergonhosa. Se a primeira anistia que criou um “pacto” de paz e inocentou vários criminosos pela ditadura de 1964/85 foi uma vergonha, pois não puniu os criminosos, os torturadores, os ditadores, essa segunda anistia, caso seja aprovada, será mais um capítulo nefasto de uma história que continua protegendo criminosos, bandidos, ditadores e torturadores.
É preciso questionar o projeto de anistia que tem sido discutido por alguns deputados de extrema direita. O Ainda Estou Aqui é pela democracia, é para preservar um sistema democrático que muitos lutaram e pagaram com a própria vida como foi o caso do ex-deputado Rubens Paiva. A grande vitória do Ainda Estou Aqui foi trazer essas reflexões para a sociedade brasileira.
Anistia para bandidos do 08 de janeiro não! Ainda Estou Aqui vencedor! Democracia sempre!
Por
Ivandilson Miranda Silva, doutor em Educação e Contemporaneidade pela UNEB e Mestre em Cultura e Sociedade pela UFBA. Professor. E-mail:
ivanvisk@gmail.com