As recentes pesquisas sobre a popularidade do governo Lula 3.0 chamam atenção pelo contexto desta gestão e pelo contraste que pode ser estabelecido com a gestão anterior de Jair Bolsonaro (2019-2022).
Segundo a pesquisa do Datafolha, em dois meses, a aprovação de Lula caiu de 35% para 24%, e a reprovação também atingiu recorde, passando de 34% a 41%. O governo vive o pior cenário e muitos buscam respostas para justificar essa queda de popularidade.

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Proponho ao leitor um exercício de comparação entre os governos de Bolsonaro e o os dois anos de governo Lula para pensar sobre como esse processo de aprovação e reprovação que carece de análise psicanalítica, filosófica e até exotérica em alguns casos.
Vamos aos fatos:
O desemprego no governo Bolsonaro em 2021 chega a 14% segundo IBGE, o maior índice da série histórica que começa em 2012. O desemprego no governo Lula em 2024 chega a 6.6%, o menor índice da série histórica. A diferença é gritante entre os dois índices.
A crise alimentar e a inflação dos alimentos nos quatro anos do governo Bolsonaro acumulou 57% segundo a Fipe, a crise foi tão grave que fotos de brasileiros na fila do osso correram o mundo e o país voltou ao Mapa da Fome. A cena lamentável de muitos brasileiros brigando para comprar osso mostrava o compromisso daquele governo com a política alimentar. No governo Lula, em dois anos 24 milhões de pessoas ficaram livres do flagelo da fome, 8,7 milhões de pessoas saíram da pobreza e mais 3,1 milhões saíram da extrema pobreza e o Brasil saiu do Mapa da Fome.
A atual inflação dos alimentos traz preocupações por afetar principalmente os mais pobres, sobretudo com o preço do café, carnes e ovos, mas não há nenhuma possibilidade de comparação entre a crise alimentar do governo Bolsonaro e a inflação dos alimentos no governo Lula 3.0. Bolsonaro colocou o brasileiro na 'fila do osso'.
O enfrentamento da pandemia pelo governo de Jair Bolsonaro (PL) foi um dos piores do mundo e, em novembro de 2022, já tínhamos mais de 690 mil mortes por Covid-19. Foi um genocídio e parece que as pessoas esqueceram da responsabilidade do governo nesse processo.
De acordo com o Dossiê Abrasco Pandemia de Covid-19 de 2022, a gestão negacionista errou nas seguintes questões: 1. Baixa testagem, 2. Uso de uma abordagem clínica, e não populacional, para enfrentar a pandemia;3. Desestímulo ao uso de máscaras;4. Promoção de tratamentos ineficazes;5. Atraso na compra de vacinas e desestímulo à vacinação;6. Falta de liderança do Ministério da Saúde e inexistência de um comitê de especialistas;7. Falta de uma política de comunicação unificada. Essa incompetência custou a vida de mais de 600 mil pessoas.
Então é difícil para um bolsonarista, estufar o peito e questionar o governo Lula 3.0, pois essas pessoas não tem envergadura moral para isso. Os eleitores de Lula e uma turma que não se converteu ao bolsonarismo, tem todo direito de questionar e isso é salutar para o processo democrático.
É bom refrescar a memória dos leitores que enquanto o povo morria nos leitos de hospitais por conta da Covid 19, o ex-presidente passeava de Jet Ski e falava abertamente para toda a imprensa que não era coveiro. Enquanto o povo se aglomerava na ‘fila do osso’, o ex-presidente fazia motociata e não governava o país.
É preciso continuar cobrando do governo Lula 3.0 e, também, mostrando as diferenças entre um desgoverno que colocou o Brasil, de volta, no Mapa da Fome e deixou o seu povo morrer com a pandemia e o governo que já retirou o Brasil do Mapa da Fome e reduziu o desemprego para o menor índice da história.
Por
Ivandilson Miranda Silva, doutor em Educação e Contemporaneidade pela UNEB e Mestre em Cultura e Sociedade pela UFBA. Professor. E-mail:
ivanvisk@gmail.com
*Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do NovoEste.