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Deputado evangélico autor do PL que pune vítima de estupro por aborto diz querer ‘testar Lula’

14 de junho de 2024 às 12:32

notícias/ICL notícias
O deputado evangélico Sostenes Cavalcante (PL-RJ), autor do projeto que prevê pena de até 20 anos de prisão para vítima de estupro que fizer aborto depois de 22 semanas de gravidez, disse que a proposta bancada evangélica representa um “teste” para o presidente Lula.
 

deputado evangélico Sostenes Cavalcante
. Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados.

Sóstenes Cavalcante prevê que texto passe com
''mais de 300 votos'' na Câmara
 
O presidente mandou uma carta aos evangélicos na campanha dizendo ser contra o aborto. Queremos ver se ele vai vetar. Vamos testar Lula”, disse Sóstenes ao blog da jornalista Andréia Sadi, publicado no site G1.
 
O deputado evangélico espera que projeto que equipara aborto a homicídio passe com ”mais de 300 votos” na Câmara.
 
Chamado de “PL dos Estupradores”, o texto gerou forte reação entre os políticos progressistas. Um deles foi Henrique Vieira (PSOL-RJ), que é pastor evangélico.
 
Deputados da Bancada Evangélica vão apostar a vida de mulheres e meninas vítimas de estupro para ‘testar o Presidente da República’? Vão lançá-las na cadeia ou à morte para fazer jogo político e ideológico com o Governo? Será que não percebem a crueldade dessa medida? Não sentem vergonha por defender tamanha brutalidade? O fundamentalismo religioso está usando o ‘nome de Deus’ para fazer um tipo de populismo da fé, terrível e insensível, que, no fundo e no fim, viola a dignidade humana e a sacralidade da vida de cada brasileira”, escreveu ele na rede social X.
 

Deputado Henrique Vieira
/Reprodução/
iclnoticias.com.br/
 
Ministro critica PL
 
Houve também reação do ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania, Silvio Almeida, que classificou a medida como uma “imoralidade e inversão dos valores civilizatórios mais básicos”.
 
É difícil acreditar que sociedade brasileira, com os inúmeros problemas que tem, está neste momento discutindo se uma mulher estuprada e um estuprador tem o mesmo valor para o direito. Ou pior: se um estuprador pode ser considerado menos criminoso que uma mulher estuprada. Isso é um descalabro, um acinte”, diz o ministro.
 
Para Almeida, o PL é inconstitucional porque “fere o princípio da dignidade da pessoa humana e submete mulheres violentadas a uma indignidade inaceitável, a tratamento discriminatório”.
 
A revolta com o texto proposta levou vários grupos da sociedade civil a convocarem protestos já para a noite desta quinta-feira (13) em várias cidades brasileiras.