Uma confusão entre entidades que representam os professores federais marca a greve da categoria por aumento salarial.
O
Andes (Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior) defende continuar a mobilização até que o governo Lula (PT) aceite dar um reajuste ainda neste ano. Enquanto isso, a
Proifes (Federação de Sindicatos de Professores e Professoras de Instituições Federais de Ensino Superior e de Ensino Básico Técnico e Tecnológico) já assinou acordo com o Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos e pede pelo retorno às aulas nas universidades.

@ José Cruz/Agência Brasil
Partes possuem um longo histórico de embates
desde o início dos anos 2000
O trato, porém,
foi suspenso pela Justiça Federal nesta quarta-feira (29).
As partes possuem um longo histórico de embates desde o início dos anos 2000, e as discussões ficam mais ríspidas a cada confronto.
Andes e Proifes

As partes possuem um longo histórico de embates desde o início dos anos 2000
Ligada ao PT (Partido dos Trabalhadores), a Proifes foi fundada em 2004 por dissidentes do Andes. Ela é uma federação de vários sindicatos. Desde sua criação, a entidade foi responsável por assinar acordos para encerramento das grandes greves de professores federais –2008, 2012 e 2015.
Em todas as oportunidades, o Andes foi contra e acusou seu algoz de ser subserviente ao governo, praticando um “sindicalismo chapa branca”, discurso repetido neste ano.
Hoje, a Proifes representa 11 universidades e institutos federais, entre elas a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, a Universidade Federal de Santa Catarina e a Universidade Federal do Pará. Por sua vez, o Andes é uma entidade mais antiga e abrangente. Foi criado em 1981, sendo o primeiro sindicato de professores federais no país.
Problemas na organização surgiram em 2004, quando ela se aproximou do Psol e, segundo críticos, passou a defender mais o embate virulento que a busca por direitos trabalhistas, além de servir como palanque para críticos ao petismo.
Foi naquele mesmo período a debandada de alguns membros para fundação do Proifes.
Hoje, o Andes representa mais de 60 universidades federais em todos os estados do país. Apesar de possuir muito mais associados em comparação ao Proifes, o governo os recebe em condições de igualdade a cada negociação, irritando o Andes.
Justiça barra acordo
Nesta quarta, a 3ª Vara Federal de Sergipe proibiu o governo de fechar acordo salarial apenas com a Proifes. O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos havia anunciado, na segunda (27), um trato com o sindicato pelo fim da paralisação. O reajuste seria de 9% em janeiro de 2025 e de 3,5% em maio de 2026. Com a decisão, o arranjo está suspenso.
A ação foi movida pela Associação dos Docentes da Universidade Federal de Sergipe, um braço do Andes. Na decisão, o juiz Edmilson da Silva Pimenta diz que um acordo da gestão Lula (PT) com apenas uma entidade pode prejudicar os “
direitos pleiteados pelo movimento paredista dos docentes que não são representados pela referida entidade”.
Por Bruno Lucca, da Folhapress