Para frustação de petistas, políticos e formadores de opinião que agonizava pela expectativa de que no Encontro Territorial do PT Bahia em Barreiras, no último dia 27 (sábado), houvesse a prévia divulgação da pré-candidatura de Tito para disputar o cargo de prefeito de Barreiras nas eleições municipais deste ano. Para os aflitos seria o único motivo que o fez abandonar o Avante para se filiar ao PT barreirense.

Tito: Reprodução/Redes Sociais
Contudo, seus organizadores alegaram que o evento foi para alinhar estratégias para fortalecer pré-candidaturas de executivo e legislativo em cidades do território para as eleições deste ano. Nada informaram sobre o que circula, tanto pela grande mídia como pela alternativa, de que o diretorial nacional do PT proposita focar pelo país candidaturas de prefeitos e prefeitas em municípios acima de 100 mil habitantes nas próximas eleições.
Quando a filiação de Tito ao PT de Barreiras, não houve críticas da imprensa local, ao contrário dos grandes meios da capital e de cidades metropolitanas. Matéria veiculada no dia 29/12/2023, “Bolsonarista declarado, ex-deputado Tito se filia ao PT de Barreiras”, no lide “Tito Cordeiro deixou o Avante e disputa cargo municipal no oeste da Bahia”, foi como noticiou o jornal À TARDE no seu portal na internet. No portal do Bahia Notícias, no dia 03/01/2024, a notícia foi “Ex-deputado bolsonarista se filia ao PT para disputar prefeitura em Barreiras”.
A pergunta que não quer calar, não somente por formadores de opinião, mas também por militantes progressistas é se os petistas vão aceitar de boa um pré-candidato imposto pelos chefões do PT sem prévia discursão com militantes locais a respeito da suposta indicação, ainda mais um bolsonarista.
Historicamente, a região sempre foi estratégica para a eleição de políticos petistas de Salvador, mas nunca para fortalecer o partido localmente, tanto que suas lideranças estaduais sempre priorizam coligados. Mesmo aqueles que chutam o partido o PT em períodos eleitorais porque sabem que retornarão como se nada tivesse ocorrido. É como dita a expressão “tudo como dantes no quartel de Abrantes”.
A verdade é que nunca foi de interesse das lideranças do PT estadual fortalecer seus militantes nos médios e pequenos municípios baianos, em Barreiras nunca foi diferente. Agora, se pela primeira vez surge à oportunidade de fortalecer um nome e se realmente o objetivo do Diretório Nacional é a eleição de prefeitos e prefeitas em cidade como Barreiras não é aceitável que seus militantes barreirenses sejam obrigados em concordar com um pré-candidato que não seja um nome de seu quadro de lutas partidárias.
Em seu discurso na cerimônia de filiação de Marta Suplicy no PT, no último dia 2 (sexta-feira), o presidente Lula destacou uma frase que gerou muito debate na política nacional sobre perfil de quem deve se candidatar pelo partido estas eleições. “A gente precisa escolher como candidato a vereador do PT as pessoas que são lideranças reais dos movimentos sociais, não aqueles que quer ser candidato apenas porque quer...”. Para especialistas em ciência política o que presidente enfatizou foi que o PT deve apostar em candidatos que tenha competência, ideias e base social, não em pessoas que seja candidato de si próprio.
Concordo na íntegra com a fala do presidente. Não é aceitável o único partido solidificado no país que ainda preserva suas raízes ideológicas negligencie enviar de “goela abaixo” um possível identitário que em toda sua vida política nunca se imaginou filiar ao PT, que sempre se identificou como de direita e que, na sua última empreitada política, se aliou à extrema direita bolsonarista que prometeu “fuzilar a petralhada” e enviá-los para a Venezuela. E, vale lembrar que ainda é resistente a polarização entre petistas e bolsonaristas pelo país.
Talvez o próprio PT de Barreiras desconheça seus militantes ou, mais provável, tem desprezado a memória de suas lutas históricas em que se enlameavam ou empoeiravam os pés nas caminhadas pela região em prol do fortalecimento do partido. O que não faltam no PT de Barreiras são nomes enraizados fortemente com seus ideais em condições de concorrer qualquer eleição, bastaria apenas oportunidade e o apoio dos chefões petistas e de seus coligados. Ou será que o PT da Bahia se tornou uma aristocracia de caciques da capital que mandam e os reles militantes locais apenas devem obedecem sem retrucar? Acredito que ainda não.
Que o novo petista Tito seja bem-vindo ao partido, que sobreviva uma quarentena e amadureça convivendo com as divergências de suas tendências internas. O nobre político é ainda bastante jovem, dependendo de sua permanência no PT terá diversas oportunidades para concorrer eleições pós 2024.
Com relação ao político Tito nada pessoal, foi um excelente legislador, inclusive, no cargo de presidente da Câmara de Vereadores de Barreiras. Suas gestões foram inigualáveis comparadas com as atuais, onde sua diretoria foi e é totalmente subserviente ao governo municipal, falta transparência com os recursos públicos e não dialoga com a população barreirense. Nada produz e suas competências se voltam apenas para torrar o dinheiro do povo barreirense.
Vale ressaltar que Tito foi cria do PSDB de Saulo Pedrosa. Para não se afundar no conhecido “Golpe do Seguro” se aliou a Jusmari Oliveira do PL, na época partido do ACM, inimigo político ferrenho do prefeito tucano. Teve uma breve passagem pelo PDT, partido de centro-esquerda, logo retornou ao partido de seu coração, o PSDB e, por último, se filou no Avante onde, em 2019, oportunamente se elegeu ao cargo de deputado federal. No decorrer de seu mandato o partido se afundou no Centrão, grupo amorfo fisiológico, clientelista e que não tem nada de ideológico. É como define o cientista político Andréa Marcondes de Freitas, da Unicamp.
Por Tenório de Sousa
Da Redação