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Sergio Moro
25/04/2021 as 12:16 h  Autor Coronel Siqueira  Imprimir Imprimir
Sérgio Moro (Foto: Adriano Machado/REUTERS)

Engana-se quem diz que nosso Ícaro de Maringá não dá mais grandes contribuições para o Brasil.

Desde a descoberta do Brasil, há mais de cinco séculos, nosso país teve que lidar com um grande problema: a corrupção. Infelizmente haviam petistas infiltrados nas naus de Cabral, que ensinaram aos indígenas coisas erradas: ideologia de gênero, método Paulo Freire, politicamente correto, etc…

E como aqui em se plantando tudo dá, o hábito da corrupção cresceu e se espalhou como erva daninha. É claro que não me refiro às pequenas corrupções do dia a dia — uma propina aqui, a compra de reeleição ali, uma fila dupla acolá… Esses são direitos do patriota. Estou falando da corrupção dos políticos (de esquerda).

Houve luta contra essa chaga? Sim. Durante os governos militares, por exemplo, não existia corrupção. Nos governos tucanos também não. Mas aí chegaram os petistas e reacenderam a dormente chama da imoralidade em nosso solo.

Tudo começou com o mensalão. Eram 24 horas por dia nas rádios, nos jornais, na televisão, nas revistas. Eu passava pelas bancas e só via a cara do Lula nas capas. Lula presidiário, Lula de cabeça cortada, Lula derretendo, Lula sangrando. Eu ligava a TV e via aqueles canos de esgoto com a estrelinha do PT, o Lula, a Dilma, o Lula de novo, a Dilma de novo, o Zé Dirceu, o Genoíno, o cano de esgoto… Isso foi me hipnotizando até que eu explodi e me transformei num zumbi cheio de fúria e medo, pronto para lutar contra a maior chaga que já aconteceu na face da terra desde o meteoro que dizimou os dinossauros: a corrupção Comuno-petista!

A Lava Jato chegou para lavar a alma do patriota… Desde os gloriosos anos de chumbo que eu não via a lei brasileira ser violada desta forma. Era incrível!

Mas o que fazer? Se metade de mim era ódio, a outra metade era impotência… Se o inimigo era gigante, também precisávamos de um herói igualmente grande. E eu já não tinha mais esperanças…

Até que ele apareceu.

Dos rincões esquecidos do Paraná, veio a luz. Não parecia ser uma pessoa muito brilhante, não era simpático, não tinha grandes ideias, grande cultura, nada. O que importava é que, desde o primeiro momento, aquele juiz com pinta de concurseiro deixou claro que ia fazer de tudo para acabar com a corrupção no nosso País, mesmo que para isso tivesse que usar métodos ainda mais corruptos.

A Lava Jato chegou para lavar a alma do patriota… Desde os gloriosos anos de chumbo que eu não via a lei brasileira ser violada desta forma. Era incrível!

Ferrari de Ouro? É verdade. Friboi do Lulinha? Verdade também. Lula estava no avião que soltou a bomba de Hiroshima? Claro. A Dilma tinha ligações com os atentados às Torres Gêmeas? Sim! Quem bateu o primeiro prego na mão de Jesus Cristo? Foi o Zé Dirceu!

A mídia adorava. Jornalistas com décadas de experiência se converteram em cheerleaders, todos juntos no sonho maior de ver o Lula preso. Agora o Brasil tinha um herói à altura de seu maior vilão.

E assim, o grande Sérgio Moro foi construindo seu nome na história, sempre um passo à frente do Lula. Eu imaginava ele todos os dias chegando no trabalho, com aquele paletó preto, camisa preta, gravata preta, indo para um tabuleiro de xadrez e estudando os próximos passos do oponente para lhe dar uma encurralada. Um verdadeiro enxadrista!

Foram muitas jogadas até o xeque-mate: Lula preso. Qualquer efeito colateral seria pouco. Destruir a indústria de construção civil? Transformar o judiciário brasileiro num chiqueiro? Acabar com cinco milhões de empregos? Transformar o Brasil num lamaçal miliciano? Isso são apenas detalhes. O fato é que Lula ia vencer as eleições de 2018, e alguém tinha que impedir isso.

O resto da história a gente já conhece. Bolsonaro venceu as eleições e, num ato de gratidão, chamou Moro para ser seu “super ministro”. Agora era só pensar nos próximos passos. STF? A presidência? Nenhum sonho era grande demais para o nosso herói.

Tudo deveria estar perfeito, mas algo havia se perdido. No governo, sua chama já não brilhava como antes. Os holofotes já não eram só dele. Agora ele era apenas mais um, disputando espaço com Damares , Alvim, Weintraub, Salles… numa espécie de Escolinha do Professor Raimundo do mundo bizarro.

Sua passagem pelo ministério foi tão excitante quanto almoçar um pacote de biscoitos água e sal. Houve momentos inesquecíveis, claro, como a vez que ele mandou prender uns punks em Belém ou sua tentativa de emplacar a “Lei Anti-Crime”, uma lei que ia proibir os criminosos de cometerem crimes. Como ninguém pensou nisso antes?

Tudo ia caminhando suavemente até que hackearam os telefones da turminha da Lava Jato. Foi o início do melancólico fim do nosso super-homem. Nosso Ícaro de Maringá achou que ia voar até o sol, mas acabou seus dias no fundo do mar.

Odiado pela esquerda e abandonado pela direita, Moro virou aquele cara chato da sala que ninguém quer ficar perto. A imprensa agora passa reto. O STF finge que nunca apoiou. A direita muda de assunto quando o nome dele vem à tona. Um fim triste, sem dúvida.

Mas engana-se quem diz que Moro não dá mais grandes contribuições para o Brasil. Ele tem servido diariamente como munição para humoristas que imitam sua sinuosa voz, seu jeito de classe média caipira e suas palavras inventadas… “Conje”, “Colheita de provas”, “Edite Piá”… Pelo menos essa alegria ele deixa para o povo brasileiro!


Por Coronel Siqueira, cidadão de bem, patriota, viúvo, cristão, conservador, hétero convicto, de ascendência europeia. Adoro lasanha e frutas cristalizadas.
Fonte: https://www.cartacapital.com.br/humor/sergio-moro-por-coronel-siqueira/amp/

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