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Novos nomes, os mesmos partidos
23/08/2017 as 15:44 h  Autor Marcos Queiroz  Imprimir Imprimir
Apesar do total descrédito da política e de seus principais atores, os partidos buscam sobreviver no cenário atual. O eleitor, completamente desiludido, não se vê representado nas legendas em atuação no País. Criar uma nova identidade e reconquistar a simpatia dos eleitores é um grande desafio.

A operação Lava-jato jogou na lata do lixo a imagem dos partidos tradicionais. Os principais estão arrolados no processo em curso. Além dos problemas na esfera judicial, a questão programática é outro aspecto negativo. Há uma nítida contradição entre o discurso e a prática.

Partidos “sob medida”

Esse cenário de fragilidade tem gerado um ambiente de constantes mutações no quadro partidário nacional. A fragmentação é um fenômeno recorrente que vem aprofundando o multipartidarismo existente no País. Além dos 35 partidos existentes, a Justiça Eleitoral analisa mais de 60 pedidos de registros de novas legendas.

Cada vez mais, surgem ideias de partidos com concepção programática restrita, que visam representar segmentos específicos. Entre os que estão em formação, saltam aos olhos alguns exemplos, como o Partido Nacional Corinthiano, Partido Democrático dos Servidores Públicos, Partido Nacional Indígena, Partido Pela Acessibilidade e Inclusão Social, Partido Pirata e o Partido Político dos Animais.

O “novo” é a palavra do momento na política. Cientes das dificuldades em atrair o eleitor com a roupagem tradicional, as siglas investem na mudança para se apresentar com novos rótulos nas próximas eleições. Ampliar a presença nas redes sociais e arregimentar novos quadros, sem os vícios da velha política, estão entre as principais estratégias.

Novos nomes para antigas legendas

Uma tendência que ganha força no atual momento é a troca de nome das legendas. O termo “partido” ganhou uma conotação negativa no imaginário popular e vem sendo abolido da nomenclatura das agremiações políticas. Seguindo exemplos internacionais, como o Podemos, da Espanha, e o Em Marcha, na França, os partidos brasileiros começam a intensificar esse processo.

A exclusão do termo partido não é uma prática nova no Brasil. O Tribunal Superior Eleitoral registra a existência de várias agremiações com essa caraterística no século passado. União Nacional do Trabalho, Confraternização Social Democrata, União Social pelos Direitos do Homem e Aliança Democrática Brasileira são alguns exemplos.

Mas as legendas mais conhecidas desse período foram a União Democrática Nacional (UDN), fundada em 1945 e sucedida pela Aliança Renovadora Nacional (Arena) em 1966, com a instituição do bipartidarismo após o golpe militar. No campo político oposto à Arena havia o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), antecessor do atual PMDB.

Após o fim do período militar, o então PFL retomou a prática ao mudar seu nome para Democratas em 2007. Anos depois, em 2015, foram fundados o Solidariedade e a Rede Sustentabilidade. E agora, outros tantos fazem o mesmo. Inspirado no Podemos espanhol, o PTN adotou o mesmo nome.

O PTdoB está em processo de mudança para Avante!, assim como o PSL que passará a se chamar Livres, e o PEN que será renomeado como Patriota. Entre os que aguardam registro, há exemplos semelhantes. Igualdade, Renovar, Força Brasil, Nova Ordem Social e Unidade Popular são alguns deles.

Reforma política

A reforma política em análise no Congresso pode frustrar os planos de muitos desses partidos com possíveis mudanças no sistema eleitoral. Porém, a maior ameaça é outra. Há uma preocupação excessiva em relação à embalagem, relegando o conteúdo a segundo plano. Até então, não se percebe disposição nos partidos a fazer autocrítica, rever princípios.




Marcos Queiroz
é jornalista e especialista em processo legislativo
Fonte: http://www.agenciasindical.com.br/

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