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Os riscos da eleição de Trump
09/11/2016 as 14:53 h  Autor Amadeu Roberto Garrido de Paul  Imprimir Imprimir
Voltamos a um mundo ainda mais estremecido. Trump consubstanciou a maior tragédia para a humanidade e para o Brasil desde a segunda guerra mundial. O Mussolini do século XXI não hesitará em pôr em prática seu nacionalismo exacerbado, xenófobo, patrimonialismo provinciano de grande potência, protecionismo, tudo voltado para seus próprios eleitores, a despeito de suas duvidosas declarações, como se essa política de casulo não gerasse gravíssimas consequências para a ordem política mundial. O mundo pode esperar tudo, em grau máximo a eclosão de uma terceira guerra mundial.

Todos os esforços de Barack Obama, que sai, paradoxalmente, muito bem avaliado da Casa Branca, foram por água abaixo. A começar da abertura transpacífica, dos acordos climáticos e da política social de saúde. Para o desatinado que assumiu a Casa Branca não há aquecimento global. As bombas atômicas no mundo podem proliferar à vontade, desde que não ameacem os EUA. A grande potência mundial deixará de preocupar-se com o mundo. Pouco importam as Coreias.  O relevante é a aldeia e o suposto "american way of lide". E o vil metal.  Adeus globalização e livre comércio internacional, que durou muito pouco na história.

Esqueçam da defesa, pela autoridade máxima americana, dos direitos humanos, do combate às discriminações, das liberdades individuais mais elementares, de políticas de solidariedade.

Mais um infame muro será construído no mundo, para afastar os mexicanos. Gente de segunda categoria para o bilionário. Os refugiados serão mandados de volta para morrer em seus teatros de guerra, inclusive mulheres e crianças. Tudo em nome de um passado romântico, corolário de um nacionalismo que nunca existiu.

Nem tudo, porém, poderá ser feito por essa personagem diabólica. Os EUA têm instituições fortes, um Parlamento que restringe firmemente as iniciativas do Executivo e um povo esclarecido que já se manifesta. Os Estados federados têm poderes muito maiores que os nossos. Isso deverá conter a loucura que se instaurou na Casa Brança, doravante a Casa Verde de Machado de Assis, em "O alienista". Por tudo isso, não vislumbramos, sem sentido estrito e rigoroso, a possibilidade de um fascismo americano.

Não se esqueçam, além disso, de sua idiossincrasia em relação aos chineses, que têm três milhões de dólares investidos nos EUA e cuja retirada poderá levar à bancarrota um país grandioso economicamente, edificado sobre papéis e ficções, que poderá desmoronar qual um castelo de cartas.

De todo modo, forçoso é reconhecer que foi a expressão da vontade da maioria do povo americano. Sob um sistema político confuso e inautêntico, pleno de recortes complexos, que comprometem a fluência autêntica dessa vontade popular. O pior exemplo é ético, ao se guindar alguém à Presidência dos EUA que não revelou seu imposto de renda e é explorador de cassinos. O "ethos" humano poderá ingressar numa fase crítica de enfraquecimento da moral e do humanismo. Foi a prova mais robusta de que o presidencialismo, lá e aqui vigente, em países importantes para o orbe, não pode mais ser mantido. É inimaginável que a maior potência mundial fique sujeita às diatribes de um louco, que não conta nem mesmo com muitos de seus partidários republicanos. É inacreditável a conquista da Presidência dos EUA por um desonesto e falastrão.  E que deve seu sucesso à indústria armamentista, a quem deverá retribuir regiamente. Pior, explicita subjugação e utilização torpe das mulheres, tratadas como objeto. Caiu sobre as cabeças sadias do mundo a tempestade perfeita.

Essa população que vota com olho no próprio umbigo, e depois sentirá as águas subindo por suas pernas, estimulará os supostamente lúcidos e cultos franceses a levar a seu cargo máximo Marine Le Pen, encarnação, também, da estrema direita exacerbada e irresponsável, herdeira da tibieza do governo de François Hollande.

Governos de ricos para ricos, danem-se os pobres do próprio país e do mundo. Sinal de forte recessão, inflação e outros males para nossa sofrida América Latina. Não podemos, porém, cair na tentação da extrema esquerda, que não demorará para levantar o confronto e recrudescer o conflito. É necessário conservar e lutar ainda mais pelos valores democráticos e das liberdades, políticas e econômicas, evitando-se, até o possível, diplomaticamente, os conflitos provocados deliberadamente, para enfrentar esse momento obscuro do planeta terra, que poderá levar à sua destruição pela raça que dele fez por alguns milênios razoável e esplêndida morada.

Amadeu Roberto Garrido de Paula, advogado e membro da Academia Latino-Americana de Ciências Humanas.

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