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Nada é inocente numa pátria que escravizou pessoas por quase quatro séculos
19/10/2016 as 09:21 h  Autor Mônica Francisco  Imprimir Imprimir
Uma das maiores polêmicas nestes últimos anos foi a tão propalada PEC das Domésticas, a que amplia os direitos dos e das trabalhadoras domésticas. Houve um sem número de dúvidas e até críticas, pois até então este era um dos postos de trabalho mais assemelhado ao modo de trabalho escravo - ainda hoje no século XXI, muitas mulheres, principalmente mulheres, trabalham por moradia e alimento.

Muitas foram e ainda são as discussões sobre o agravamento da escassez do trabalho doméstico a partir daí. Com o agravamento da crise e com medidas questionáveis para que as coisas se organizem, e com a tão polêmica PEC quanto a PEC 241, por exemplo, já podemos perceber um aumento no movimento de "flexibilização" não oficial dos direitos por uma permanência nos postos de trabalho.

A questão aqui não tem só uma reflexão sobre a questão legal, ou ainda na beleza da possibilidade de negociação amistosa  entre patrões  e empregados, mas na própria cultura da sociedade brasileira. Na cultura extremamente impregnada de preconceitos e com forte componente classista, que em determinadas circunstâncias nos remete a um sentimento de ser quase um sistema de castas.

Isso por situações que cotidianamente nos fazem refletir e perceber que, em um país onde a maior força de trabalho está dentro das casas das pessoas, estes sentimentos e até atitudes, estão no inconsciente coletivo. Haja vista a estampa, inspirada em uma pintura de Debret, com mulheres negras escravizadas, com seus filhos amarrados às costas servindo mulheres brancas, comercializado sem cerimônia por uma grife brasileira famosa.

Nada é inocente em uma pátria que escravizou pessoas por quase quatro séculos e que em pouco mais de um, ainda se incomoda em aceitar que é preciso reparar as perdas dos descendentes destas pessoas aviltadas de todos os seus direitos humanos, e até o de ser humano.

Não podemos prescindir de direitos e conquistas constitucionais. Temos uma crescente juventude nas áreas periféricas da cidade, e isso nos faz entender que serão cada vez mais necessárias políticas que incluam com dignidade e respeito a diversidade que essa juventude agrega em si mesma.

É um árduo trabalho e um longo caminho, mas não podemos desistir dele.

Mônica Francisco. Colunista, Consultora na Ong Asplande e Membro da Rede de Instituições do Borel
Fonte: Jornal do Brasil

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