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Não tem golpe certo no Brasil, playboys!
17/08/2015 as 16:41 h  Autor Genaldo de Melo  Imprimir Imprimir
Por diversas vezes por razões as mais variadas sempre defendi a tese de que nenhum golpe através de impeachment acontecerá no Brasil para por fim ao segundo mandato da presidente Dilma Rousseff, pelo simples e conhecido fato por todos de que não existem elementos jurídicos para tanto, comprovado já pelo discurso dos próprios juristas envolvidos na famosa Lava Jato. Do mesmo modo, os elementos políticos capazes de impulsionar um fato grave dessa natureza não existem e não podem ser criados, porque os indivíduos e instituições políticas que poderiam fazer isso, sabem que isso na atual situação de crise econômica e política por qual passa o Brasil é extremamente perigoso para os desígnios da nação.

É fato que existem indivíduos que não concordam com essa opinião, porque acham que já foi o bastante o Partido dos Trabalhadores governar por tanto tempo. Mas absolutamente acabar com o Governo que recebeu democraticamente cinqüenta e quatro milhões de votos, porque vivemos numa democracia eleitoral, não é definitivamente a solução, exatamente porque isso aqui é uma democracia. Insistem em acabar a qualquer custo o partido de Lula e Dilma e esquecem que acabando com o mesmo não se acaba necessariamente com os indivíduos, que naturalmente em acontecendo uma situação dessa natureza vão ser abraçados por outras agremiações partidárias. A não ser que querem a qualquer custo também acabar com todos os partidos e criar uma autocracia no país.

A tese que venho defendo reiteradas vezes agora mais do que nunca procede, principalmente pelos novos elementos colocados pela conjuntura da última semana. Enquanto apenas os três mentores principais da idéia irresponsável do golpe a qualquer custo, os senadores Aécio Neves e Cássio Cunha Lima e o deputado federal Carlos Sampaio, continuam esbravejando o assunto, outros atores principais da sociedade brasileira começam colocar em pauta o assunto da governabilidade e não da irresponsabilidade.

Mas alguns cidadãos desavisados dizem que quem está defendendo essa tese maluca é o povo. Ora! Mas o povo em si em sua grande maioria não sabe nem o que significa a palavra impeachment, sem as suas conseqüências. E alguns indivíduos, principalmente do Jornalismo da Obediência, que se arvoram em formar opinião confundem o momento histórico de hoje com o momento em que Collor renunciou da Presidência da República. É diferente, e totalmente diferente! Collor não tinha base social e nem mesmo partidária, foi inventado exatamente pela revista Veja e pela Rede Globo como o caçador de marajás, quando o mesmo é que era marajá, e como salvador da pátria, enquanto a Dilma de hoje tem base social e tem em torno de si não apenas seu partido, mas partidos que necessariamente vão para o sangue...

Essa semana três premissas vieram à tona para demonstrar a inviabilidade de impeachment no Brasil de hoje. A reunião de João Roberto Marinho com nove senadores do Partido dos Trabalhadores, a opinião que tem sobre o assunto o atual governador de São Paulo, Geraldo Alckimin, e a postura de chamar a responsabilidade da governabilidade pelo presidente do Senado Federal, Renan Calheiros. Dizer que a opinião desses indivíduos hoje na sociedade brasileira não significa nada é como jogar água no fogo e achar que o mesmo continuará aceso.

O João Roberto Marinho, responsável pela Rede Globo de Comunicações percebendo que vem de fato exagerando com a atuação do seu jornalismo totalmente parcial chamou os senadores do PT para conversar, porque ele percebeu que a sociedade brasileira cansou de tanta repetição e começou a abandonar aos poucos a sua audiência televisiva. Em matéria de jornalismo o “Jornal Nacional”, programa âncora, vem diminuindo cada vez mais sua audiência, o “Fantástico” perde todos os domingos em números para o programa do jornalista Paulo Henrique Amorim, e o programa de Fátima Bernardes perde em audiência para desenhos já manjados como “Tom e Jerry”. Depois de ouvir os nove senadores que foram a reunião com ele, que reclamaram da total parcialidade da Rede Globo, bem como de que eles não têm controle sobre sua base social em caso de impeachment ou uma possível prisão de Lula sem provas, seu jornalismo mudou literalmente de postura na última semana. Estão agora falando na defesa da governabilidade, de que Dilma só será substituída em 2018, e colocando em todos os jornais televisivos o melhor discurso de Dilma, como exemplo último a visita que ela fez ao Maranhão.

Essa semana em evento para lembrar o ex-candidato à presidência, Eduardo Campos, o governador de São Paulo, Geraldo Alckimin, tucano que vem tendo uma postura mas equilibrada em relação ao assunto foi enfático em sua opinião sobre a questão do impeachment da presidente Dilma. O governador de São Paulo ressaltou que a questão do impeachment não está colocada neste momento e que só existirá nova eleição se anular a eleição passada, algo que hoje não é discutido. Ou seja, a opinião dele que pode ser o candidato dos tucanos em 2018, até porque controla a maior máquina pública deles, que é o Estado de São Paulo, não deixa de ser o sinal de que os maiores líderes tucanos não embarcaram na idéia estapafúrdia do golpe a qualquer custo contra Dilma Rousseff.

Por último, o terceiro ato ocorreu quando, em sintonia com o Ministro da Fazenda, Joaquim Levy, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), lançou a chamada "Agenda Brasil", um pacote de reformas de longo prazo, que sinalizam a retomada da governabilidade e da responsabilidade fiscal. Não se pode dizer aqui e nem em lugar nenhum que a postura resoluta do presidente do Senado Federal não significa absolutamente nada. Renan Calheiros é simplesmente o segundo maior ator político da República brasileira, e isso significa simplesmente que não vai haver golpe nenhum, mesmo que o presidente da Câmara dos deputados, Eduardo Cunha, numa postura isolada de seu partido coloque em pauta o assunto.

Os três movimentos, simultâneos, podem ser resumidos numa frase: Dilma fica, terá condições de governar e Geraldo Alckmin será o candidato do PSDB em 2018. Ou seja, Aécio Neves não assimilou até hoje que perdeu as eleições em outubro do ano passado, e magoado como menino chorão esperneia com um tema que não vai dá certo, e que somente tem causado seu desgaste político, dentro do seu partido, dentro das oposições e na sociedade em geral. Ele esqueceu que o que a Rede Globo defende são seus interesses econômicos acima de tudo, que Geraldo Alckimin pensa na Presidência da República para si, e que Renan Calheiros e o maior número de membros do PMDB são governistas, e não querem e nem pensam em aventuras políticas.




Genaldo de Melo
Fonte: http://genaldo40.blogspot.com

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