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Mentalidade cívica e política
15/06/2015 as 11:14 h  Autor Bruno Peron  Imprimir Imprimir
À força de refletir, cheguei a crer que quanto sabemos é – nada, e o que ignoramos – tudo.” (Camille Flammarion. Narrações do infinito.)
 
Enquanto nos anos derradeiros o Brasil foi objeto da propaganda oficial sobre seu crescimento econômico e sua “emergência” num mundo em crise, os primeiros meses de 2015 mostram que é melhor abrir mão de ufanismos e enfrentar a realidade. O cenário econômico do país só não está pior por obséquio de outros países que garantem nossa posição como potência colonial exportadora de soja, minério, carne e outros bens da natureza.

A agropecuária adia o enforcamento da economia brasileira, já que aquele setor é o único que prospera e teve alta de 4,7% no primeiro trimestre de 2015. Ainda com todas as demandas de melhoria infraestrutural em portos e transportes, a agropecuária atesta a origem e o destino do Brasil. Seguimos alimentando bocas e indústrias no mundo todo com produtos servis.

Nesse ínterim, vemos em terra tupinica o esfriamento das atividades comerciais e industriais em quase todos os setores econômicos nos primeiros meses de 2015. Está claro que o Brasil tem gerado menos riquezas em quantidade e variedade. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o encolhimento do produto interno bruto entre janeiro e março de 2015 foi de 1,6% em relação ao mesmo período de 2014.

Os dados do IBGE convergem com os 8% de inflação que tivemos nos últimos doze meses, a queda no consumo e o desespero dos impostos. O Brasil encarece e dificulta a vida de quem deseja a prosperidade ou até mesmo a sobrevivência. Ouve-se a lamentação de famílias que limitam suas despesas ao básico, como água, luz e alimentos. Há uma combinação de salários baixos com produtos caros que gera redução de consumo.

É triste que o setor de serviços, que responde por 60% da produção brasileira, teve recuo de 0,7% no primeiro trimestre de 2015. As pessoas consomem menos porque os salários alcançam somente para os gastos necessários. Pouco sobra para bens e serviços supérfluos. Logo, há esfriamento no setor de serviços e diminuição no faturamento de lojas. Nesse aspecto, o governo deveria incentivar em vez de prejudicar.

Até agora, meu ponto de vista sobre este tema econômico concorda com notícias transmitidas em quase todos os jornais, exceto os panfletos do Partido dos Trabalhadores. Junto desse cenário de recessão econômica no Brasil, segue o desacordo entre gestores públicos e sindicalistas. O mesmo grupo de eleitores (e.g. professores de escolas e universidades públicas) que garantiu a reeleição de Dilma Rousseff faz greves em todo país.

Agrego que o efeito recessivo na economia nacional tem origem noutros âmbitos de desenvolvimento e políticas públicas. O principal é a demanda exagerada que brasileiros fazem do Estado em direitos, benefícios, encargos, salários e serviços públicos. Milhões de brasileiros veem o Estado tupinica como uma reserva inesgotável de nutrientes a saciar apetites vorazes.

Portanto, tal demanda só pode ser atendida se o Estado tirar de quem produz para financiar um conjunto desnecessário e oneroso de beneficiários e funcionários públicos. São pessoas que não arriscam a estabilidade de suas carreiras burocráticas em prol de agilidade, eficiência e coletividade. Há muitos parasitas do sistema que fingem estar preocupados com o Brasil.

Entrementes, aqueles que têm capacidade de resgatar nossa economia nacional e a educação de todos não perdem suas esperanças. Aposto em profissionais autônomos, empreendedores, empresários pequenos e médios que arriscam tudo que têm para a realização pessoal, a renovação da economia e a prosperidade do Brasil. Somente com apoio a esses profissionais, veremos avanços em criatividade, inovação e produção.

Portanto, leitor, não se iluda com os malabarismos do Banco Central, de Joaquim Levy e de burocratas que tentam convencê-lo a trabalhar para sustentar uma súcia de privilegiados. Fazem crer que, daqui a um ano, tudo estará resolvido. Mas faz tempo que ouvimos a mesma história. A grande mudança no Brasil virá com outra mentalidade cívica e política de pessoas que se esforcem para agregar experiências coletivas e inovadoras no país.

Bruno Peron
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