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Cuba, embarcações e migrantes
31/05/2015 as 11:49 h  Autor Bruno Peron  Imprimir Imprimir
A península de Yucatán é uma das maravilhas turísticas no México. É um lugar privilegiado de encontro entre ruínas indígenas pré-hispânicas e paraísos naturais que impressionam qualquer visitante. Nas proximidades do litoral desta península, marinheiros de um navio mercante mexicano avistaram um grupo de “hermanos” perdidos no mar e gritaram-lhes “¡arriba!”.

A notícia que circula na imprensa é sobre o achado de 23 cubanos divididos em duas embarcações improvisadas (feitas em madeira e com outros materiais flutuantes) próximos de Yucatán, no litoral do sul do México, em 17 de maio de 2015. Quando tais cubanos se reportaram às autoridades mexicanas, eles disseram ter saído de Ilha Juventude (Isla Juventud), Cuba, e que o período em que estiveram à deriva já somava dezesseis dias.

Esses dois grupos de cubanos foram reunidos para receber apoio médico e alimentos numa cidade litorânea do México chamada Yucalpetén. Em seguida, como era esperado, eles caíram nas mãos do que há de pior e mais moroso em burocracia: o Instituto Nacional de Migração do México.

Esse episódio sugere um questionamento sobre a ideia que fazemos de Cuba, a imagem que seus governantes criam de Cuba e o que Cuba realmente é para os cubanos. Não tenho a pretensão de fazer julgamentos sobre essa ilha, e entendo que as opiniões dividem-se até entre quem teve a chance de visitá-la por alguma razão ideológica, turística ou profissional.

É fundamental considerar que Cuba tem passado por transformações, ou transmite a ideia de que se transforma. Uma mudança concerne o fomento aos negócios de iniciativa privada, até então imensamente controlados por burocratas cubanos. Esta gente se crê dona de toda moral e poder de decisão, mas não passa de uns privilegiados censuradores e inúteis.

A favor dessa propaganda cubana convergiu a derrubada do embargo estadunidense sobre Cuba, que durou mais de cinco décadas. Já que esta ilha caribenha, que assimilou o sistema socialista russo, deixou de oferecer ameaça aos Estados Unidos, pensou-se que este seria o momento de trazer Cuba ao campo de jogo de nações ditas “modernas” e “ocidentais”.

A Rússia, enquanto isso, vive noutro plano estratégico e talvez noutro planeta. O maior país territorial do mundo tenta abocanhar um pedaço da Ucrânia, depois que algumas de suas ex-Repúblicas soviéticas se juntaram à União Europeia. A Rússia gasta fortunas em armamentos e pesquisa aeroespacial. Mas, no início de maio de 2015, um foguete milionário sofreu um revés e ameaçou estraçalhar-se nalgum país pobre ou superpovoado.

Não acho que Cuba nem Rússia sejam países modelares ao mundo, embora ambos países tenham aspectos interessantes e conquistas científicas.

Cuba vende-se como um país onde suas políticas públicas de saúde são eficientes, profiláticas e universais. Envia médicos para programas de assistência humanitária internacional. Treinou e mandou cubanos ao oeste da África para tratar doentes de ebola, e agora despacha outras dezenas de médicos ao Nepal para operações sanitárias a vítimas de terremoto.

No entanto, se Cuba fosse assim tão generosa com sua população, não haveria barcos com migrantes à deriva. A menos que sejam aventureiros que acreditem não ter nada a perder exceto a própria vida. A maioria espera aportar nos Estados Unidos, onde buscam o “sonho americano” que veem na televisão. Alguns acabaram sendo conduzidos pelo vento ao México, um solo tropical aonde chegaram espanhóis sedentos de riqueza fácil e rápida.

Por maiores que sejam os esforços de idealistas das relações internacionais, que desejam o fim de conflitos e guerras, países relacionam-se pela audácia apaixonada de seus chefes e interesses de Estado. A aparência encobre mentiras que o tempo desvela, como a do consumismo obsessivo nos Estados Unidos e a universalidade do bem-estar em Cuba.

As migrações em massa refazem as bandeiras nacionais, não só quando europeus decidiram excluir os índios americanos da jogada. Hoje temos as migrações no Sudeste asiático (saindo de Mianmar), do norte da África à Europa mediterrânica, do Caribe aos Estados Unidos, do Haiti ao Brasil.

Migrantes sugerem integração maior entre pessoas no globo.

E que haja menos rejeição nesse planeta bastante articulado.

Bruno Peron
http://www.brunoperon.com.br

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