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Ministério da Dilma: trapalhadas e um acerto
18/05/2015 as 16:33 h  Autor Luiz Carlos Borges da Silveira  Imprimir Imprimir
Quando a presidente Dilma Rousseff necessita mexer no seu Ministério algum contratempo ocorre, alguma trapalhada acontece. O mais recente episódio resultou em verdadeira ‘saia justa’ para ela, ao ver um ministro desobedecer a convocação presidencial. Dilma queria colocar Eliseu Padilha (PMDB) na Secretaria de Relações Institucionais, responsável pela coordenação política entre o governo e o Congresso. Ela esqueceu de avisar o então titular da pasta, Pepe Vargas (PT) de que precisava do cargo. A notícia vazou e Vargas ficou furioso.

Padilha foi convidado, mas recusou, preferindo continuar no Ministério da Aviação Civil. Consta que ele até toparia mudar por entender que teria mais visibilidade política, porém, lideranças do seu partido barraram a transferência preferindo manter sob seu comando um Ministério que tem mais verba e poder de negócios, afinal, será responsável pelo processo de privatização de portos e aeroportos, e Padilha tem “experiência” nisso desde o tempo em que foi ministro dos Transportes do governo FHC, tendo acumulado algumas denúncias, investigações e até processos. O inusitado é um ministro do governo dizer não ao próprio governo ao qual serve, evidenciando que o partido tem mais força sobre os ministros do que o Executivo. Como se sabe, Dilma passou ao seu vice, Michel Temer, a coordenação política.

Mas a trapalhada não parou por aí. A presidente precisava reacomodar o agastado Pepe Vargas e pretendia colocá-lo na Secretaria dos Direitos Humanos; de novo a notícia vazou e Vargas se encarregou de fazer o autoanúncio no início de uma entrevista coletiva, em meio da qual recebeu ligação de Aloizio Mercadante (chefe da Casa Civil) com recado de Dilma de que anúncio de ministros cabe a ela. No final da entrevista, constrangido, Pepe desmentiu-se.

Por fim, Vargas foi confirmado nos Direitos Humanos e aí quem ficou furiosa com Dilma Rousseff foi a titular Ideli Salvatti que perdera a cadeira sem ser de antemão consultada. Por enquanto (até quando eu escrevia estas considerações) a presidente ainda não recolocara Ideli no primeiro escalão, mas deve fazer isso logo, porque a catarinense, ex-ativista do MST, é pimentinha malagueta. São exemplos de quão enfraquecida e desnorteada está a presidente. Quando o comandante não tem controle sobre sua tropa acaba por perder a autoridade, é o que se diz no jargão militar.

Um acerto

Entretanto, deve-se reconhecer o acerto na escolha do novo ministro da Educação. O filósofo e professor Renato Janine Ribeiro tem brilhante currículo e destacada atuação na área. É realmente preparado, sua nomeação recebeu aprovação unânime e ele assumiu cercado de alta credibilidade, notadamente por suas ideias inovadoras em relação ao ensino e à pesquisa. Além disso, não é político nem filiado a partido e vinha sendo um crítico do governo Dilma quanto à política educacional.

Janine Ribeiro já deixou claro em seus projetos a utilização efetiva da estrutura das universidades federais e aproveitamento de professores e alunos na colaboração ao ensino básico. O MEC possui recursos financeiros e se o novo ministro contar com autonomia e apoio político pode fazer proveitosa gestão melhorando o ensino, área em que o Brasil ainda é extremamente carente.

Luiz Carlos Borges da Silveira é empresário, médico e professor. Foi Ministro da Saúde e Deputado Federal.

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