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O estresse hídrico e suas implicações no Brasil e no mundo
06/03/2015 as 17:54 h  Autor Ingrid Maritsa Araujo Barrios/  Imprimir Imprimir
A quantidade de água existente no mundo gira em torno de 1,4 bilhão km³, todavia apenas 132 mil km³ podem ser de fato utilizados pela população, seja por acessibilidade, seja pelas propriedades físico-químicas. Tornaram-se corriqueiras as notícias sobre a falta de água que afeta drasticamente a população da cidade de São Paulo, da região metropolitana e outras cidades do interior paulista. Essa crise, prevista há mais de duas décadas por especialistas, afeta não somente o estado mais populoso do país, mas também outras unidades da federação e até outros países.
 
O estado americano da Califórnia vive, atualmente, uma crise muito semelhante à que vivemos aqui, a ponto de o governo declarar situação de emergência, além de tomar medidas severas para evitar o desperdício.

Uma dessas medidas aplica-se ao usuário que tem por hábito lavar calçadas ou deixar a irrigação do jardim ativada durante o dia todo. Para esses casos, a multa pode chegar a US$ 500 dólares. A previsão para o fim da água na Califórnia é de um ano e meio. Pelo que se observa, o prazo é exíguo.

No Brasil, foi decidido que as famílias que economizarem 20% de água durante um mês poderão usufruir de um desconto de 30% na conta, como bonificação pela economia. Trata-se de incentivo econômico que vem em boa hora e que deveria ser consolidado. Paralelamente ao bônus para aqueles que promovem um uso mais racional, deveria ocorrer o aumento de sanções a quem é perdulário com o precioso líquido.

Num país com grande dimensão territorial como o Brasil, é um contrassenso dizer que a seca atinge aproximadamente 10 milhões de pessoas, o que, de forma direta e indireta, acaba por afetar a economia e o desenvolvimento regional como um todo. Afinal, o acesso à água em condições de uso (potabilidade) é condição básica da vida, assegurada por lei.

Os motivos relacionados a falta de água são vários. Dentre eles está a redução das precipitações (chuvas), como consequência das alterações climáticas, além da concepção cultural arraigada na sociedade de que se trata de um recurso renovável infinito e, portanto, que nunca se acabará. Tal concepção acaba por estimular o desperdício pela população em geral.

As soluções para combater essa crise não são simples; pelo contrário, trata-se de um cenário de alta complexidade, em que vários fatores estão envolvidos. É preciso começar pelas ações mais simples, como o incentivo ao uso racional, isto é, a redução do consumo, evitando o desperdício, e a reutilização do insumo natural nos processos industriais, a partir do investimento em tecnologias, entre outras práticas possíveis. Também deve estar claro para a população que não se trata de um problema só do governo, mas de todos, e que todos precisam empenhar-se para que a crise seja contida o quanto antes.

Infelizmente, no Brasil, 40% da água tratada pelo sistema são perdidos no caminho até às residências. Um problema provocado por falta de investimentos em infraestrutura, uma vez que as tubulações são velhas e contêm vazamentos que, na sua maioria, não são perceptíveis.

O plano criado pelo governo para reduzir esse desperdício para 31% até 2033 é insignificante, se comparado à gravidade da situação. É preciso reduzir esse prazo e aumentar o percentual de redução. Ressalta-se que o problema não se limita somente à disponibilidade de água tratada, mas à questão do saneamento básico como um todo; algo muito discutido nas campanhas políticas, porém pouco praticado.

É sugestiva, também, a ampliação do investimento em educação ambiental desde as primeiras séries do Ensino Básico, pois a conscientização da população, como medida de longo prazo, é fundamental nesse processo.

Por fim, um disparate que não pode deixar de ser mencionado. Como imaginar escassez de água na maior cidade da América Latina, cortada por dois rios com águas abundantes, porém poluídas, onde já se investiram quase 200 bilhões de reais sem alcançar resultados plausíveis?

Será que não deveríamos começar por aí? Será que somente investimentos açodados e paulatinos, quase sempre com vultosas somas de recursos públicos em obras de infraestrutura são suficientes? O que fazer para mudar essa visão de que tudo se resolve com obras (cimento, concreto, tubos, enfim), que tem permeado os governos por tanto tempo?

Não que isso não seja necessário ou importante, mas é preciso pensar para além disso!! Que Deus nos ajude com o maná (água) do céu em tempo oportuno! Esse tempo é agora!

Ingrid Maritsa Araujo Barrios: Acadêmico do curso de Administração da UFMS – Campus de Três Lagoas/MS. E-mail: ingridwz@gmail.com

Edenis Cesar de Oliveira: Administrador, Professor e Diretor Acadêmico das Faculdades Gammon (FUNGE – Paraguaçu Paulista/SP).  Doutorando em Administração pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul. E-mail: edeniscesar@hotmail.com

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