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No ano que vem
30/12/2014 as 15:31 h  Autor Petrônio Souza Gon&ccedi  Imprimir Imprimir
O ano que vem está prestes a chegar e eu me preparo para no ano que vem arrasar! Deixarei de fumar, falarei mais baixo, irei ler mais livros, beberei menos, irei mais ao cinema. Serei mais calmo e tolerante, dedicarei mais ao meu trabalho e farei mais viagens. Ah, no ano que vem quero ir atrás dos meus sonhos, pouco vai me importar a falta de dinheiro, pois as pessoas são mais presas a ele que eu à falta dele. No ano que vem farei tudo que este ano não fiz. Cuidarei mais de mim, visitarei mais amigos, deixarei o cabelo crescer e farei a barba só quando quiser. É ano que vem, não demore a chegar.

No ano que vem eu vou mudar, me tornarei outro, serei mais alegre, participativo, generoso e tolerante, cuidarei mais da minha felicidade, pois nesses anos todos tenho sido tão triste e amargo que quando me lembro da minha juventude, não me reconheço. O que fui, sinto que ficou em um passado muito distante e esquecido, por isso tenho sido tão omisso aos meus apelos e me tornado tudo aquilo que nunca quis ser.

Espero que não seja tarde para saber que mais importante que a chegada é a caminhada e é nela que se faz a viagem, que se descortina a paisagem, e a vida se reinventa, se apresenta em cada novo cenário. É preciso estar atento, é preciso estar desperto, e isso requer serenidade e paciência, a tranquila ciência da paz. Muito mais importante que ter é ser, “e ser é uma ciência delicada”. Viver, verdadeiramente, é fácil, a gente é que complica, e é na sutileza das pequenas coisas que a vida se multiplica, é a leveza dos pequenos gestos que fica. Vou buscar os meus velhos sonhos e, se não os realizar, só o fato de sonhar, de ter acreditado neles, já terá valido a pena. Como cantou o velho enlouquecido: “tenho uma porção de coisas grandes para conquistar e não posso ficar aqui parado”.

Hoje sei que nada está terminado e o dia que amanheceu nublado pode terminar ensolarado. O pensamento redondo, rolar quadrado, e o que adormeceu juntinho, amanhecer separado. Nada está terminado, e no tabuleiro da vida, todo dia, toda hora, Deus joga em nuvens o seu dado sagrado. A cada hora, um instante renovado, pois o universo é do que não foi arquitetado. E a única coisa que “a vida quer de nós é coragem”. Mas ano que vem vai chegar e tudo vai mudar.

Às vezes percebo que projetei fora o que não fui capaz de realizar dentro de mim e minha vida se escorreu pelo tempo, passou entre meus dedos sem eu ter sido e vivido aquilo que sempre acreditei e busquei. Fiz minha vida assim: menor, medida, exata, enxuta, previsível e sem graça. Minha luta contra a sociedade imposta e o governo, minha militância política, meus ideais de um mundo melhor e minha consciência ecológica sinto que ficaram presos em um tempo de inocência, sonhos e felicidade, e era bem melhor que o de agora! Talvez tenha sido eu que tenha piorado com o passar do tempo, talvez tenha me esquecido no tempo...

Mas o ano que vem vai chegar, e no ano que vem eu vou mudar!

No ano que vem.

Petrônio Souza Gonçalves é jornalista e escritor

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